Façam boa arte

O discurso que Neil Gaiman fez aos alunos finalistas da The University of the Arts é uma magnífica fonte de inspiração para todos os artistas, e muito especialmente para os escritores. Já uma vez escrevi um artigo sobre ele, mas continuo a recordá-lo de vez em quando.

Por isso atrevi-me a traduzir um excerto que me toca particularmente:

A vida é por vezes dura. As coisas dão errado, na vida e no amor e nos negócios e nas amizades e na saúde e de todas as outras formas que as coisas podem dar errado. E quando a vida fica complicada, o que devem fazer é isto.

Façam boa arte.

A sério. O esposo foge com um político? Façam boa arte. A perna é esmagada e comida por uma anaconda mutante? Façam boa arte. As Finanças caem-vos em cima. Façam boa arte. O gato explode? Façam boa arte. Alguém na internet acha que o que fazem é estúpido ou maléfico ou já foi feito antes? Façam boa arte.

As coisas provavelmente irão dar certo, e o tempo eventualmente acalmará todas as mágoas, mas nem isso importa. Façam o que vocês fazem melhor.

Façam boa arte.

Neil Gaiman

O discurso completo pode ser visto aqui.

Uma versão do excerto acima citado foi animado por uma artista também inspirada por ele

Por fim, a transcrição completa do discurso pode ser lida aqui. E uma versão em português do Brasil pode ser encontrada neste blogue.

Vejam, leiam, reflictam, e não se esqueçam: FAÇAM BOA ARTE

Neil Gaiman: o melhor discurso de graduação de sempre?

Encontrei num dos meus blogues favoritos o discurso de graduação que o autor Neil Gaiman endereçou aos finalistas da The University of Arts. É uma pequena jóia de um autor de culto no mundo dos comics e da ficção especulativa.

A minha recomendação é que o ouçam na íntegra (em inglês). Ao contrário de alguns dos comentadores do artigo, achei o tom calmo, tímido, sincero de Neil Gaiman particularmente tocante.

Em alternativa podem ler a transcrição completa neste outro site. É também um bom documento para guardar e ler de vez em quando.

Atualização: uma leitora, Juliana, teve o trabalho de traduzir o discurso para português. Pode ler a tradução aqui

Cada um dos conselhos de Neil Gaiman neste discurso deve ser ouvido com atenção por qualquer pessoa que queira trabalhar numa atividade criativa – escritores, músicos, artistas, etc. As suas reflexões sobre o fracasso, por exemplo, são um complemento perfeito a um artigo que escrevi há tempos atrás.

Mas vou destacar três das suas dicas que mais me tocaram. Estão fora de ordem, e não são a tradução direta das suas palavras, mas a minha interpretação das mesmas;

  1. Quando quiseres fazer uma coisa que não tens a certeza de ser capaz de fazer, finge ser alguém que o sabe fazer, e faz o que essa pessoa faria ("…se não consegues ser sábio, finge ser alguém que é sábio, e age como ele agiria").
  2. Conseguirás sempre trabalho como freelancer se o teu trabalho for bom, for fácil lidar contigo e cumprires os prazos. Mas não é preciso as três condições; duas bastam. Se o teu trabalho for bom e cumprires os prazos, as pessoas aturam o teu mau feitio. Se o trabalho for bom e tu fores uma simpatia, toleram os teus atrasos. E o teu trabalho nem precisa ser o melhor do mundo se cumprires os prazos e for um prazer trabalhar contigo.
  3. Nunca trabalhes apenas pelo dinheiro, porque se não te pagarem (o que acontece muitas vezes), ficas sem nada. Mas se fizeres trabalho de que te orgulhas, mesmo se não te pagarem ainda tens o trabalho.

Como bónus, o artigo referido ainda inclui outro extraordinário discurso de graduação, o de Steve Jobs em Stanford, que eu já tinha destacado num artigo anterior. Curiosamente, tanto Gaiman quanto Jobs nunca terminaram os seus cursos superiores.

Para terminar, alguns links para outros grandes discursos de graduação:

J. K. Rowling

David Foster Wallace

Jeff Bezzos

E uma compilação de sugestões.

Boa inspiração.