Curso de guionismo online na EC.ON

Curso de guionismo online

A Escola de Escritas EC.ON Escrita Criativa Online anunciou um curso de guionismo online, ministrado por António Cabrita.

O curso, em 10 blocos, cobre o essencial da escrita de guião, desde a descoberta da ideia à escrita das páginas.

Segundo o comunicado da escola, “A oficina de Guionismo, orientada por António Cabrita, disponibiliza um conjunto ferramentas e instrumentos para desenvolver guiões sólidos. O processo de aprendizagem ancora-se em exercícios a partir de filmes como “Tempos Modernos” (Chaplin), “Crying Games” (Neil Jordan), “Taxi Driver” (Martin Scorcese) e “Blue Velvet” (David Lynch), assim como de narrativas curtas como “A Casa Tomada” (Julio Cortázar) e “A Sopa” (Dalton Trevisan).”

Não frequentei nem tive acesso aos conteúdos deste curso de guionismo online, por isso não o posso avaliar nem recomendar pessoalmente. Mas o nome do professor, e de algumas das pessoas que dão outros cursos online na escola, como o José Eduardo Agualusa, João Tordo ou Possidónio Cachapa, fazem-me crer que o nível será bom.

De qualquer forma, um curso de guionismo online, com início a qualquer momento, pode ser útil para muitas pessoas que vivem em locais afastados dos grandes centros, sem acesso a cursos presenciais. Dez semanas de oficina com acompanhamento individualizado, exemplos práticos, e exercícios guiados, podem ser a solução ideal para um primeiro contacto com a arte e a técnica do guionismo.

Mais informações no site da EC.ON.

Venha ser um roteirista desempregado você também

Um anúncio para uma oficina de roteiro de humor deverá ser engraçado? Este é, e aparentemente isso funciona.

Os promotores das oficinas online de roteiro Na Batalha prometem "a sua chance de descolar senão um emprego, um bico, senão um bico, um trampo, senão um trampo, um curso, senão um curso, um login."

Se quiser conferir a proposta, e inscrever-se, clique aqui.

O pior que lhe pode acontecer, como os próprios organizadores alertam, é tornar-se mais um roteirista desempregado.

Via Roteiros Online

Roteiros para download

A coleção Aplausos lançou uma versão online onde seus livros podem ser baixados gratuitamente. Entre os 170 livros disponíveis para download estão vários roteiros de filmes brasileiros como Estômago de Marcos Jorge ou As melhores coisas do mundo de Luiz Bolognesi. Além dos roteiros, também estão disponíveis biografias como as de Mazzaropi e Fernando Meirelles.

Os livros estão disponíveis no site em pdf e txt. 

 Alguns dos roteiros:

Estômago – Roteiro de Lusa Silvestre, Marcos Jorge e Cláudia da Natividade

As melhores coisas do mundo – Roteiro de Luiz Bolognesi Direção de Laís Bodanzky

Cabra-Cega – Roteiro de Di Moretti Comentado Cena a Cena por Toni Venturi e Ricardo Kauffman

Chega de Saudade – Roteiro de Luiz Bolognesi

Cidade dos Homens – Roteiro de Elena Soárez

É proibido Fumar – Roteiro para longa-metragem de Anna Muylaert

Biografia Prematura de Fernando Meirelles 

Um diálogo, cinco filmes, um patrocinador

Referi aqui há dias um projecto de cinema na net, patrocinado por uma marca de televisores, que me parecia prometedor. Os filmes já estão online, são curtos, e merecem vinte minutos de atenção.

A ideia é simples: cinco estórias radicalmente diferentes que têm de comum apenas algumas linhas de diálogo:

– O que é isso?
– Um unicórnio.
– Nunca tinha visto um de perto.
– Lindo!
– Vai-te embora!
– Desculpa.

As estórias têm estilos totalmente distintos, tanto na narrativa como no seu tom e tema. Há de tudo, desde a ficção científica, a animação, aventura, realismo poético…

Mas um dos aspetos mais curiosos é a forma como as características do patrocinador, um modelo de televisão da Philips (ambilight, qualidade de imagem, som cinematográfico…) são apresentadas dentro do genérico dos cinco filmes, junto com o realizador, argumentista, produtor, etc. Fez-me pensar num outro artigo, publicado há pouco tempo, que aborda as formas de integração dos produtos e das marcas nos filmes atuais.

Em muitos casos já foi ultrapassado o simples 'product placement', em que os produtos são integrados nas estórias. Agora há estórias que são desenvolvidas a partir dos produtos.

Um dos exemplos citados no artigo é um episódio recentíssimo da série "Modern Family", todo construído em cima da aquisição de um iPad destinado a ser oferecido a um dos personagens. O autor do artigo diz que o episódio era hilariante, mas manifesta alguma preocupação com a promiscuidade entre marcas, produtores e autores.

Costumava falar-se de 'integração de marca'. Mas se a (marca) cauda continuar a abanar o (enredo) cão,  talvez um dia comecemos a chamar-lhe 'integração de estória'.

Alguns guionistas citados, contudo, dizem preferir que a integração dos produtos e marcas seja feita numa etapa inicial da criação das estórias, em vez de ser enfiada à força em guiões já escritos. É o caso do filme "Up in the air", em que os hotéis Hilton aparecem com grande proeminência, numa integração que foi sugerida pelo próprio guionista e realizador.

Promiscuidade ou não, o certo é que, dado o colapso em curso da publicidade tradicional,  haverá cada vez mais experiências como estas em filmes para cinema, televisão, ou online. E os guionistas do futuro terão de saber lidar com, e adaptar-se a, esta nova realidade.