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Arquivos de Tags: Portugal

Sofrimento

Hoje sofri duas vezes e duas vezes fui recom­pen­sado. Angola e Por­tu­gal foram ambos apu­ra­dos para a fase final do Mun­dial, depois de jogos algo decep­ci­o­nan­tes e que me deram cabo das unhas. Mas valeu a pena o sofrimento.

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Sharon

Há três meses atrás não nos atreverí­amos a isso, mas na via­gem da pró­xima semana deci­di­mos arris­car: desta vez não vamos levar a Sha­ron con­nosco para Por­tu­gal. A Sha­ron é a nossa cadela tek­kel, e é incri­vel­mente medrosa.

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FILDA

O meio do ano empre­sa­rial em Angola é mar­cado pela FILDA — a Feira Indus­trial. Para nós, na agên­cia, há o “a.F” e o “d.F” — antes e depois da FILDA. Visitei-​​​​a na sexta feira, para saber que coisa rara é essa que tanto tra­ba­lho e pre­o­cu­paíões me deu nas últi­mas sema­nas. Citando Sha­kes­pe­are, “much ado about nothing” — ou em ter­mos bem por­tu­gue­ses, “muita parra para pouca uva”.

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Fim de Semana

Este fim de semana foi bem ocupado.

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Prémio

A agên­cia rece­beu um bronze no Fes­ti­val de Espi­nho, dedi­cado í  publi­ci­dade em lí­ngua por­tu­guesa. É o pri­meiro da agên­cia e, se não me engano, de qual­quer agên­cia ango­lana. Ainda não con­se­gui falar com o C., que está em Por­tu­gal a representar-​​​​nos no Fes­ti­val, mas está segu­ra­mente satis­feito com o pré­mio, até por­que a dire­cíão de arte é dele. Os anún­cios ficam aqui para apreciaíão.

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Frigorí­fico

Enquanto estive fora fize­ram algu­mas obras no apar­ta­mento: umas pin­tu­ras nas pare­des, revi­são dos ares con­di­ci­o­na­dos e do gera­dor, lim­peza do tan­que da água e ins­ta­laíão de um exaus­tor e de uma máquina de lavar roupa novas.… E como o egoí­smo é muito feio, recebi o cas­tigo mere­cido: esqueci-​​me da chave em Por­tu­gal e tive de pas­sar a pri­meira noite cheio de sede, pois nem sequer tinha fós­fo­ros para fer­ver a água da torneira.

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Luanda de novo

Um voo óptimo, por sinal; comida nem melhor nem pior do que a da TAP ou Varig (para falar das que conheío melhor); pes­soal de cabina sim­pá­tico e efi­ci­ente quanto baste;nada de tur­bu­lên­cias nem agi­taíões; uma des­cida suave e uma ater­ra­gem per­feita. A única des­van­ta­gem, a meu ver, é que a aero­nave — um Boeing 747 — não tinha pro­gra­maíão de bordo; nem música nem filmes.O melhor, con­tudo, ainda estava para vir.

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Preparativos

Estas sema­nas em Por­tu­gal — qua­tro — pas­sa­ram num ápice; entre a famí­lia, os ami­gos, a casa e alguns tra­ba­lhos que tinham ficado pen­du­ra­dos, os dias atropelaram-​​se e agora, subi­ta­mente, dou comigo a pen­sar de novo em fazer as malas.… Pode ser que em Agosto, quando vol­tar cá, tenha tempo para dar um pas­seio por essas bandas.

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Almera

Num spot de rádio para o Nis­san Almera, ouvido hoje aqui em Por­tu­gal, uma namorada/​mulher/​amiga inter­pela o con­du­tor do carro em que segue, pedindo-​​lhe para andar mais deva­gar. O rapaz — pela voz parece novo — res­ponde que “com o Nis­san Alme­ra” é impossí­vel andar devagar“.Num paí­s onde mor­rem 1113 pes­soas por ano em aci­den­tes de auto­mó­vel (cito o número de memó­ria, mas anda por aí­); onde o pre­si­dente da Repú­blica se sente com­pe­lido a fazer uma pre­si­dên­cia aberta dedi­cada í  sinis­tra­li­dade rodo­viá­ria; onde as refor­mas do código da estrada se suce­dem sem resul­ta­dos apa­ren­tes; num paí­s assim, escre­ver um spot des­tes é um aten­tado, não só ao bom senso, não só í  ética pro­fis­si­o­nal e í  decên­cia humana, mas prin­ci­pal­mente í s famí­lias de todas as ví­timas da nossa ”guerra das estra­das“ (perdoem-​​me o cliché).Os miú­dos aca­ba­dos de sair do IADE que escre­ve­ram este spot não devem per­ce­ber estas minhas lamúrias.

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De partida

Hoje í s seis da tarde faze­mos o check in para o voo TAP que nos vai levar de novo a Por­tu­gal, í  famí­lia, aos ami­gos, í  nossa casa. Vamos encon­trar mui­tas coi­sas na mesma, mas outras bas­tante dife­ren­tes: tenho um novo pri­mi­nho, nas­cido ontem; o governo mudou e o paí­s ficou subi­ta­mente cor-​​​​de-​​​​rosa; o filme “Tiro no Escuro”, cujo guião rees­crevi, está nas salas de cinema; já comeíou a segunda série do “Ins­pec­tor Max”; e o Ben­fica está í  frente do cam­pe­o­nato. A vida con­ti­nuou, mesmo sem nós. Que estranho.

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Skipe

O Skipe fun­ci­ona per­fei­ta­mente. Falei ontem lon­ga­mente com a minha mãe, em Por­tu­gal, e a Lu tam­bém esteve imenso tempo ao tele­fone com a mãe dela, no Bra­sil. No total gas­tá­mos menos de três dóla­res, mais a tarifa das cha­ma­das locais. Boas notí­cias, portanto.

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Cerimónias

Dia 23 foi a inau­gu­raíão ofi­cial da nova sede da agên­cia. Uma festa a sério, com mais de 100 con­vi­da­dos, mui­tos vip, e cober­tura da imprensa e tele­vi­são. O momento alto da ceri­mó­nia foi o des­cer­rar da placa com o novo logo­tipo, pelo vice-​​​​ministro da Comu­ni­caíão Social, a que se segui­ram dis­cur­sos pelo pró­prio e pelo N. Para outras pes­soas, con­tudo, o momento alto terá sido o cock­tail que se seguiu, muito ani­mado e bem ser­vido.
Eu, o V. e o E. esta­va­mos ató­ni­tos — já pas­sá­mos todos por inau­gu­raíões de várias sedes de agên­cias, e nunca tinha­mos estado numa festa assim. Em Por­tu­gal uma agên­cia de publi­ci­dade, por muito grande que seja, é uma empresa nor­mal, sem impor­tân­cia de maior. Per­ce­be­mos que no frá­gil tecido empre­sa­rial ango­lano as coi­sas são dife­ren­tes, e a agên­cia tem um relevo supe­rior í  sua dimen­são real. Para­béns aos donos, que con­se­gui­ram con­quis­tar esse estatuto.

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Cinema

Domingo fomos ao cinema pela segunda vez. Mais pre­ci­sa­mente ao Cine-​​​​Atlântico, magní­fico exem­plar da arqui­tec­tura colo­nial do pós-​​​​guerra. É um grande anfi­te­a­tro coberto mas sem pare­des late­rais, o que o torna bas­tante are­jado e agra­dá­vel nas noi­tes quen­tes de Luanda. Fomos ver um filme de acíão, “Ana­con­das”. O filme, em si, não merece comen­tá­rios — é um pro­duto medi­ano da indús­tria ame­ri­cana de ven­der pipo­cas. Mas a expe­ri­ên­cia de o assis­tir naquela sala é inul­tra­pas­sá­vel. O cinema estava ape­nas meio cheio, mas cada espec­ta­dor valia por dois. Nas cenas de acíão, e espe­ci­al­mente quando os heróis ultra­pas­sa­vam um obs­tá­culo qual­quer, toda a gente aplau­dia, gri­tava, incen­ti­vava. Numa cena em que uma heroí­na deca­pi­tava uma ana­conda gigante, sal­vando um com­pa­nheiro, até houve quem se pusesse em pé. Se fos­sem só meia dúzia de mal-​​​​educados, como em Por­tu­gal, seria desa­gra­dá­vel. Assim, com toda a sala a vibrar na mesma onda, é uma eru­píão colec­tiva de ale­gria, de entu­si­asmo, uma mani­fes­taíão da magia da 7ª arte. A ver­da­deira festa do cinema.

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Lagostas

Ao almoço de ontem come­mos qua­tro lagos­tas com­pra­das aos pes­ca­do­res em Cabo Ledo. Foi a pri­meira coisa que achei real­mente barata aqui. Cus­ta­ram 700 kuan­zas, ou seja, cerca de sete euros. Por esse preço, em Por­tu­gal, pagava pouco mais do que um pires de gam­bas. Vie­ram vivi­nhas, den­tro de um saco de plás­tico, ainda a mexer-​​​​se. A cozi­nheira encarregou-​​​​se do massacre…

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Preços

Os pre­ços de Luanda são absur­dos. Está abso­lu­ta­mente fora de ques­tão comer fora com a mesma frequên­cia com que o faze­mos em Portugal.

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Filmagens

Pas­sei o último fim de semana em fil­ma­gens, a gra­var um anún­cio para um dos prin­ci­pais cli­en­tes da agência.

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Um pouco de história

No iní­cio de 2004 fui con­vi­dado para par­ti­ci­par num pro­jecto pro­fis­si­o­nal que me daria a pos­si­bi­li­dade de pas­sar alguns meses em Luanda. Agar­rei a opor­tu­ni­dade com ambas as mãos.

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