Os Roteiristas

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Os Roteiristas, como o nome indica, debruça-se sobre essa espécie muito particular de autores de cinema e audiovisual – os argumentistas, guionistas, ou roteiristas. Fá-lo através da edição de depoimentos de cerca de 30 roteiristas brasileiros. Encontramos lá nomes como Adriana Falcão, Bráulio Mantovani, Doc Comparato, Marçal Aquino ou Fernando Marés de Souza.

Quem quiser ter uma visão de dentro sobre o que é ser autor de cinema e audiovisual, pode fazer muito pior do que assistir aos 50 minutos de Os Roteiristas. Encontramos lá pequenas pérolas, dicas, reflexões e ideias que serão úteis e estimulantes para argumentistas de todos os níveis, ou simplesmente interessantes para quem quiser conhecer melhor o processo que está por trás de um filme ou outra peça audiovisual. Porque tudo começa com os roteiristas…

Quem quiser aprofundar um pouco mais o tema pode ver também várias entrevistas com outros guionistas brasileiros, que mencionei há alguns anos. A série cresceu desde então e pode ser vista aqui

Site Sobre Roteiros e Roteiristas

O site Sobre Roteiros e Roteiristas, do roteirista brasileiro Maurício Fernandes, já existe há vários anos. No princípio destacava-se por divulgar traduções – bastante boas – de artigos e entrevistas sobre roteiros e roteiristas originalmente publicadas em inglês. Desde então tem diversificado bastante os seus conteúdos, tornando-se um dos sites mais interessantes sobre este tema em língua portuguesa.

Se ainda não conhece o Sobre Roteiros e Roteiristas, está na altura de se familiarizar com ele; se já conhece e não visita há algum tempo, dê uma vista de olhos de novo – não se vai arrepender.

Encontrará, por exemplo, os primeiros episódios de uma web series original sobre a televisão pelo mundo fora, onde poderá ficar a saber, entre outras coisas, que no Uganda também se fazem filmes de acção.

Favoritos: Filmes sobre argumentistas (Republicação)

Quantos filmes importantes já foram escritos em que os argumentistas tenham o protagonismo, ou pelo menos um papel central na intriga?

Sunset Boulevard

Ontem à noite, antes de adormecer, estava a pensar neste assunto premente (antes isto do que a gripe aviossuína ou a crise) e só consegui lembrar-me de cinco:

Que outros filmes os leitores acrescentariam a esta lista? Deixem as vossas sugestões nos comentários a este artigo.

Sugestões dos leitores:

Novas sugestões de leitores:

É impressão minha ou sempre que o protagonista é um argumentista os filmes têm qualidade acima da média? Já dava para fazer um pequeno festival de cinema; deixo a sugestão às Cinematecas de Portugal e Brasil.

Uma mesa redonda com seis grandes argumentistas

O The Hollywood Reporter reuniu à volta da mesa seis grandes argumentistas: Pedro Almodovar, Dustin Lance Black, Oren Moverman, Eric Roth, Aaron Sorkin e Steven Zaillian. O local do encontro foi o Hemingway Lounge, em Hollywood.

Com um santo patrono como Hemingway a conversa não podia deixar de ser interessante. Foram abordados alguns temas que preocupam a todos os autores. Por exemplo, o que fazer se a a escrita não der em nada.

Para Eric Roth, por exemplo, a resposta a esta última questão foi simples: "Na pior das hipóteses ia conduzir um táxi. Não acho que fosse tão horrível assim". Provavelmente até lhe daria muitas ideias para novas estórias.

Vale a pena ler o resto da entrevista aqui.

Perguntas & Respostas: há documentários sobre guionistas?

Conhece algum documentário sobre a profissão de roteirista (guionista), seus processos criativos, de pesquisa, etc? Tem conhecimento sobre algum filme nesse sentido, na América ou mesmo na Europa? Estórias sobre contadores de estórias? — Aloysio

Olá Aloysio, que eu conheça há apenas um documentário sobre argumentistas, de origem americana, chamado Tales From the Script .

O título faz um trocadilho engraçado com um seriado de estórias de terror (Tales from the crypt – Contos de Arrepiar), e é bem adequado porque muitos dos testemunhos gravados são sobre os "pesadelos" que os argumentistas têm de enfrentar no exercício da sua profissão.

Eu não vi o documentário, mas tenho o livro, com o mesmo título Tales from the Script , que reúne os depoimentos aí apresentados. Entre os 50 argumentistas ouvidos contam-se alguns dos mais famosos e influentes na Hollywood de hoje, como John August, Shane Black, John Carpenter, Frank Darabont, Nora Ephron, e muitos mais.

No seu conjunto dão uma ideia muito realista do exercício da profissão no mercado americano. Os episódios que relatam conseguem fazer-nos rir ou arrepiar (às vezes, ao mesmo tempo…).

O livro está organizado por temas, como "A aventura começa", "O primeiro sim", "O que é seu é deles", etc. Os capítulos vão contando todo o progresso de um argumentista na estrutura de Hollywood, desde as primeiras tentativas para se afirmar, as dificuldades em vender os guiões, os problemas no seu desenvolvimento, o sucesso e as suas armadilhas, e assim por diante. Cada capítulo termina com um depoimento de um profissional que, não sendo guionista, lida com os guionistas no dia a dia: os seus agentes, produtores, executivos dos estúdios, etc.

A maior parte dos depoimentos versam situações vividas na primeira pessoa, o que os torna particularmente úteis. Só como exemplo, Allison Anders recorda uma reunião em que participou com o seu parceiro de escrita Kurt Voss e alguns executivos: "O Kurt disse: "Okay, nós podemos fazer isso, mas eu só queria alertar para o fato de vocês estarem a pedir duas coisas opostas. Percebem isso, certo?" E eles disseram: "Não, não são opostas." E ele disse: "São, são completamente opostas. Vocês pedem para ela estar aqui, mas ao mesmo tempo é suposto ela estar ali. Vocês compreendem que no mundo real das criaturas vivas, isto não pode realmente acontecer?"

É um livro muito engraçado, que eu realmente recomendo. Pode comprá-lo diretamente por aqui na Amazon UK.

Compre o livro →

Compre o DVD →

Atualização: o leitor Zé Manel chamou a atenção para o documentário Dreams on Spec, que acompanha a vida de três candidatos a guionistas, conforme dão os primeiros passos na escrita e nas tentativas de venda dos seus guiões "especulativos" (specs = escritos sem encomenda prévia). Parece interessante, e pode ser visto aqui.

Entrevistas com roteiristas brasileiros

O blogue do software StoryTouch, de que falei há alguns dias, está a publicar entrevistas curtas com argumentistas brasileiros de primeira linha. Para já estão duas disponíveis, com Braulio Mantovani, sobre dramaturgia, e Marçal Aquino, sobre a formação de novos guionistas.

A série promete,  mas para já recomendo a audição atenta destas duas.

Lançamento da revista Drama nº2 →

A APAD – Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos vai lançar no Porto o segundo número da revista Drama, dedicado ao humor. O lançamento é aberto ao público e incluirá a exibição de uma curta metragem.

As dicas de guionismo de Billy Wilder, tal como ditas a Cameron Crowe.

Billy Wilder, além de um dos grandes realizadores da história do cinema, foi também um maravilhoso argumentista. Ou talvez devesse dizê-lo ao contrário, já que o homem tem creditados 75 guiões como argumentista, e apenas (!) 27 filmes como realizador, na listagem do IMDB.

Seja como for, Billy Wilder sabia do que falava quando falava de escrita. E na grande entrevista que deu a Cameron Crowe, e que se transformou num livro magnífico,"Conversations with Billy Wilder", brindou-nos com dez conselhos que vêm mesmo a calhar neste mês de Script Frenzy.

  1. As audiências são caprichosas.
  2. Agarre-os pelo pescoço e não os largue mais.
  3. Desenvolva uma linha de acção clara para o seu protagonista.
  4. Saiba para onde está a ir.
  5. Quanto mais subtil e elegante for a esconder os pontos de viragem do seu enredo, melhor escritor será.
  6. Se tem um problema no terceiro ato, o verdadeiro problema está no primeiro ato.
  7. Uma dica de Lubitsch: Deixe a audiência somar dois mais dois. Adorá-lo-ão para sempre.
  8. Quando colocar vozes sobrepostas (voice-overs), tome cuidado para não descrever o que a audiência já está a ver. Acrescente ao que eles estão a ver.
  9. O evento que ocorre na cortina do segundo ato desencadeia o final do filme.
  10. O terceiro ato deve crescer, crescer, crescer em ritmo e ação até ao último evento e então – estamos ditos. Não fique a arrastar-se por lá.

Já em tempos tinha deixado aqui no blogue este vídeo, sobre a relação de Billy Wilder com um dos seus mais frequentes colaboradores, I.A.L. Diamond. Não faz mal voltar a mostrá-lo.

Baixe e estude o guião de “Shutter Island”

"Shutter Island", o mais recente filme realizado por Martin Scorcese, com guião de Laeta Kalogridis, estreia esta semana nos nossos cinemas. Espera-se um 'tour de force' de realização do mestre Scorcese, como de costume, mas a estória também promete alguns motivos de interesse próprios.

"Shutter Island" é, por opção, um thriller muito mais confinado e claustrofóbico do que outros filmes recentes de Scorcese, normalmente de maior envergadura e escala, sendo "O aviador" e "Gangs de Nova Iorque" apenas dois exemplos.

Uma opção interessante, em termos educativos, para todos os guionistas, é ler um guião antes de ver o filme correspondente, de forma a não criar ideias pré-concebidas que distorçam a leitura. É isso que pode fazer agora, pois o guião de "Shutter Island" está disponível na internet, a partir daqui.

Apresse-se, porque estas oportunidades às vezes não duram muito tempo.

Entrevista do autor de “Precious”

Geoffrey Fletcher, o guionista do filme "Precious", que estreou esta semana em Portugal, deu uma curta entrevista à Writers Guild of America. É interessante – e inspirador – ouvi-lo falar de todos os anos em que continuou sempre a escrever, enquanto ganhava a vida em empregos temporários, até conseguir ter a primeira oportunidade com este guião.

E que oportunidade – é um dos candidatos ao Oscar deste ano. E isso só é possível, como ele diz, por causa de todos esses milhares de páginas não produzidas que escreveu antes.

Escrever estórias é sempre complicado

"You have to do that. All we've got when we write are those stories in our heads, and if you fuck those up, you don't have anything. One of the things I love to do when I work with young writers is to disabuse them of the notion that I know what I'm doing. I don't William Goldmanknow what I'm doing. I'm writing a script now, and as we are speaking, I am looking at my computer, tearing out my hair, thinking, well, is this horrible, or is this going to work? I don't know. Storytelling is always tricky."

William Goldman, em entrevista à Screenwriters Utopia

Se o grande William Goldman diz que arranca os cabelos e se interroga a cada passo de cada novo guião, então os comuns mortais como nós estão desculpados por ter dúvidas acerca do que escrevem. É bom saber isso.

Fórum sobre roteiro de cinema, tv e outros meios em São Paulo

O Centro Universitário Senac, a Revista de Cinema e o Instituto Cinema em Transe realizam o 2º Fórum de Produção de Cinema – O Roteiro e a Criação no Cinema, TV e outros Meios. O evento ocorre dias 4 e 5/11/2009 no Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro.

Ligado ao tema acontece também, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, o 1º Encontro de Roteiristas de Cinemas e TV, unindo os profissionais das duas classes, no dia 3/11/2009.

Nos eventos, importantes profissionais e roteiristas do mercado nacional e internacional discutem a importância do roteiro para o sucesso de uma obra audiovisual, os rumos da profissão e o mercado de trabalho. O participante ainda tem oportunidade de aprender como se paga um roteirista, como se faz um contrato e como vender seu projeto aos produtores.

O fórum é voltado a produtores, cineastas, diretores, roteiristas, jornalistas, empresas de finalização e efeitos especiais, distribuidores, exibidores, investidores, laboratórios cinematográficos, fornecedores de equipamentos, diretores de órgãos culturais e governamentais e demais interessados.

Informações e inscrições:

www.sp.senac.br/forumdecinema

Filmes sobre argumentistas

Quantos filmes importantes já foram escritos em que os argumentistas tenham o protagonismo, ou pelo menos um papel central na intriga?

Sunset Boulevard

Ontem à noite, antes de adormecer, estava a pensar neste assunto premente (antes isto do que a gripe aviossuína ou a crise) e só consegui lembrar-me de cinco:

Que outros filmes os leitores acrescentariam a esta lista? Deixem as vossas sugestões nos comentários a este artigo.

Sugestões dos leitores:

 

Grandes cenas: O Padrinho

Começo hoje uma nova série de artigos, complementares ao Curso de Guião. Nesta série vou analisar cenas famosas da história do cinema, exemplares do ponto de vista da escrita, explicando porque funcionam e dando sugestões de como aplicar a mesma técnica num guião.

Para começar da melhor forma escolhi uma das sequências mais conhecidas de sempre, retirada do guião de "Godfather", escrito por Mário Puzzo e Francis Ford Coppola. Estou a falar da famosa cena do batizado do sobrinho de Michael Corleone, já perto do fim do filme.

A cena

A minha primeira recomendação, para melhor apreciarem este artigo, é que revejam o filme. Está disponível em qualquer clube de vídeo no mundo, e  faz parte da colecção de muitos cinéfilos. O guião foi recentemente incluído na lista dos 101 melhores guiões de sempre da Writers Guild of America (uma lista obviamente enviezada para o cinema americano) onde ocupou o 2º lugar, logo a seguir a "Casablanca".

Nesta sequência vamos assistir a uma série de acções narradas através de uma montagem paralela. Começamos por ver o início da cerimónia de baptismo do sobrinho de Michael Corleone. Esta cena vai sendo intercalada com imagens dos vários homens de mão dos Corleone, fazendo os seus preparativos para o que se percebe ser uma acção orquestrada. A música sacra e a liturgia em latim vão pontuando toda a alternância das cenas.

 

Chegamos assim ao momento fulcral da sequência, em que Michael Corleone responde, em nome do sobrinho, às questões que o oficiante lhe coloca: "Renuncias a Satanás? Renuncias às suas obras? Renuncias aos seus faustos?" E enquanto o novo padrinho vai respondendo "Renuncio", nós vamos vendo em paralelo a sucessão de crimes que estão a ser cometidos para eliminar, de uma só vez, todos os inimigos da família Corleone.

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No final da sequência, já à saída da igreja, Michael recebe a informação de que tudo decorreu de acordo com os seus planos.

Porque funciona

Esta longa sequência é uma aplicação perfeita dos princípios da montagem eisensteiniana. Os autores do guião poderiam ter optado por narrar sequencialmente cada uma das cenas individuais. Teríamos então, por exemplo, a cena do batizado, à qual se seguiria o assassinato nas escadarias, vindo depois a morte dos dois amantes, etc.

Ao optarem por utilizar uma montagem paralela os guionistas não se limitaram a mostrar-nos que as cenas ocorreram ao mesmo tempo (o que, se pensarmos bem, até é pouco verossímil). Mais do que isso, fizeram com que cada cena acrescente significado às restantes. Por exemplo, os gestos do padre têm eco nos gestos dos vários assassinos que se preparam. São os rituais próprios de uma celebração litúrgica, com os seus oficiantes, tradições e resultados.

Mas o efeito mais forte provém da comparação entre as promessas de renúncia ao mal que Michael vai proferindo e a realidade dos seus actos. O resultado final da cena é percebermos que Michael, no final desta "cerimónia" celebrada em vários lugares, tornou-se duplamente "padrinho": do seu sobrinho, aos olhos da igreja católica; e do mundo do crime, aos olhos de todos os seus subalternos e inimigos.

A utilização da música e das palavras do oficiante como fio condutor de toda a acção conferem às várias cenas a unidade necessária para funcionarem como um todo coeso, que tem uma função prática e simbólica na narrativa, constituindo, neste caso, o seu clímax.

Outros exemplos

Esta mesma mecânica foi utilizada nos outros dois filmes da trilogia "O Padrinho", mas aparece em muitos outros filmes, anteriores e posteriores.

Por exemplo, no filme "Cabaret", de 1972, guião de Jay Presson Allen, há uma montagem paralela entre um número de dança no Kit Kat Klub e uma acção violenta dos nazis, exemplificando a sua ascensão ao poder.

Em "O Curioso caso de Benjamim Button" há múltiplas sequências narradas em paralelo, unificadas pela leitura do diário. Por exemplo, toda a sequência do início das viagens marítimas de Benjamin e da carreira de bailarina de Daisy.

Como aplicar

  • Utilizar uma das cenas como fio condutor da sequência, organizando as restantes ao seu redor.
  • Seleccionar as cenas de forma a que funcionem como comentário às restantes, reforçando o seu valor simbólico e acrescentando-lhe significado.
  • Explorar os elementos visuais paralelos entre as várias cenas.
  • Explorar os contrastes e as semelhanças formais ou de acção entre as várias cenas.
  • Usar música, palavras, sons, como uma forma de unificação de toda a sequência.
  • Privilegiar os elementos visuais puramente cinematográficos para fazer avançar a narrativa, evitando/minimizando os diálogos.

Para terminar, deixo aqui o excerto do guião original correspondente à sequência descrita.

INT DAY: NERI’S APT. (1955)

ALBERT NERI moves around in his small Corona Apartment; he pulls a small trunk from under his bed. He opens it, and we see in it, nearly folded, a New York City Policeman’s uniform. He takes it out piece by piece, almost reverently. Then the badge, and the identification card; with his picture on it. Slowly, in the solitude of his room, he begins to dress.

INT DAY: MICHAEL’S BEDROOM (1955)

MICHAEL and KAY are getting dressed for the christening in their room. MICHAEL looks very well; very calm; KAY is beginning to take on a matronly look.

INT DAY: MOTEL ROOM (1955)

In a Long Island motel.

ROCCO LAMPONE carefully disassembles a revolver; oils it, checks it, and puts it back together.

EXT DAY: CLEMENZA’S HOUSE (1955)

PETER CLEMENZA about to get in his Lincoln. He hesitates, takes a rag and cleans some dirt off of the fender, and then gets in, drives off.

EXT DAY: CHURCH (1955)

The Church.

Various relatives and friends are beginning to gather at the Church. They laugh and talk. A MONSIGNOR is officiating. Not all of the participants have arrived yet.

CONNIE is there, with a beaming CARLO. She holds the infant; showing him off to interested people.

EXT DAY: U.N. PLAZA (1955)

NERI walks down the sidewalk in the neighborhood of the UN Building. He is dressed as, and has the bearing of, a policeman. He carries a huge flashlight.

EXT DAY: MOTEL BALCONY (1955)

LAMPONE steps out onto the little balcony of a Sea-Resort Motel; We can see the bright, neon lit sign advertising "ROOMS FACING THE SEA--VACANY".

INT DAY: CHURCH

The Church.

CONNIE holds the baby; the MONSIGNOR is speaking; KAY and MICHAEL stand side by side around the urn.

PRIEST

(to MICHAEL)

Do you pledge to guide and protect this child if he is left fatherless? Do you promise to shield him against the wickedness of the world?

MICHAEL

Yes, I promise.

EXT DAY: FIFTH AVE.

NERI continues up the 55th St. and Fifth Avenue area. He continues until he is in front of Rockefeller Center. On his side of the street, he spots a limousine waiting directly across from the main entrance of the building. Slowly he approaches the limo, and taps on its fender with his nightstick.

The DRIVER looks up in surprise.

NERI points to the "No Parking" sign.

The DRIVER turns his head away.

NERI

OK, wise guy, you wanna summons, or you wanna move?

DRIVER

(obviously a hood)

You better check with your precinct.

NERI

Move it!

The DRIVER takes a ten dollar bill, folds it deliberately, and hands it out the window, trying to put it under NERI’s jacket.

NERI backs up, letting the bill fall onto the street. Then he crooks a finger at the DRIVER.

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Let me see you license and registration.

EXT DAY: MOTEL BALCONY

LAMPONE on the motel balcony spots a Cadillac pulling up. It parks. A young, pretty GIRL gets out. Quickly, he returns into the room.

INT DAY: HOTEL STAIRS (1955)

CLEMENZA is climbing the back stairs of a large hotel. He rounds the corner, puffs a little, and then continues upward.

INT DAY: CHURCH

The Church. Close on the PRIEST’s fingers as he gently applies oil to the infant’s ears and nostrils.

PRIEST

Ephetha...be opened...So you may perceive the fragrance of God’s sweetness.

EXT DAY: ROCKEFELLER CENTER (1955)

The DRIVER of the limousine in front of Rockefeller Center is arguing with NERI.

Now the DRIVER looks up.

WHAT HE SEES:

TWO MEN in topcoats exit the building, through the revolving glass doors.

NERI opens up fire, trapping BARZINI in the shattering glass doors. The doors still rotate, moving the dead body of BARZINI within them.

INT DAY: CHURCH

In the Church--the VIEW on MICHAEL. The PRIEST hands him the infant.

PRIEST

Do you renounce Satan.

MICHAEL

I do renounce him.

PRIEST

And all his works?

MICHAEL

I do renounce them.

INT DAY: MOTEL MURDER (1955)

LAMPONE, backed up by two other MEN in his regime, runs down the iron-rail steps, and kicks in the door on Room 7F. PHILIP TATTAGLIA, old and wizened and naked, leaps up; a semi-nude young GIRL leans up.

They are riddled with gunfire.

INT DAY: HOTEL STAIRS (1955)

CLEMENZA, huffing and puffing, climbs the back stairs, with his package.

INT DAY: CHURCH

The PRIEST pours water over the forehead of the infant MICHAEL holds.

PRIEST

Do you wish to be baptized?

MICHAEL

I do wish to be baptized.

INT DAY: HOTEL ELEVATOR MURDER (1955)

CLEMENZA, out of breath, climbs the final few steps.

He walks through some glass doors, and moves to an ornate elevator waiting shaft.

The lights indicate the elevator has arrived.

The doors open, and we see a surprised CUNEO standing with the dapper MOE GREENE.

CLEMENZA fires into the small elevator with a shotgun.

The PRIEST hands a lighted candle to MICHAEL.

PRIEST

I christen you Michael Francis Rizzi.

Flash bulbs go off. Everyone is smiles, and crowds around MICHAEL, KAY, CONNIE...and CARLO.

O que sabe Scott Frank de reescritas? Muito!

Tom Lazarus, um guionista, autor e script doctor conhecido, entrevistou um dos melhores guionistas comerciais americanos, Scott Frank. É o autor de um dos meus filmes favoritos, "Out of Sight".

Out of sight

A entrevista, que pode ser lida integralmente aqui, é dedicada quase exclusivamente ao tema da reescrita. Destaco dois ou três momentos importantes, com os quais não posso concordar mais:

"A minha satisfação está na escrita, na resolução dos problemas enquanto escrevo… o processo, para mim, é a parte mais satisfatória de tudo. Assistir ao filme produzido no cinema, tentando tirar daí satisfação, é muito ilusório".

"Eu reescrevo à medida que vou avançando. Sempre começo por reescrever o que fiz ontem para entrar no trabalho de hoje. Às vezes começo pelo princípio e passo pelo guião todo até chegar aonde estou agora e aí trabalho um pouco, e acrescento mais um tijolo. Depois volto atrás e trabalho nos outros tijolos, e depois acrescento mais um tijolo".

"Trabalho com base em vinte a cinquenta páginas de notas que escrevi antes. (…) São notas sobre os personagens. Notas sobre os locais onde a história se passa.Pensamentos da pesquisa. Pedaços de diálogos que coleccionei na cabeça e que sei que quero incluir, mas ainda não sei onde".

 

Entrevista

Um dos meus antigos alunos nos workshops das Produções Fictícias, o João Gomes, fez-me uma entrevista no blogue que mantém sobre cinema, televisão e guionismo. Falo aí do estado atual da profissão de guionista em Portugal e dos rumos que esta poderá seguir. Apesar de ser foleiro uma pessoa citar-se a si própria, destaco o fim da minha resposta à pergunta "É possível inovar numa indústria tão acanhada como o cinema português":

A inovação possível, do meu ponto de vista, seria uma "terceira via", que alguns autores, em alguns momentos, têm começado a trilhar. Uma terceira via que passará, inevitavelmente, pelo primado das histórias sobre as histerias, sejam elas artísticas ou comerciais.

A entrevista pode ser lida integralmente aqui.

Primeiro trailer de Conexão

Já está disponível, no Facebook e no YouTube, o primeiro trailer dos dois telefilmes "Conexão", que eu escrevi e de que já falei aqui há uns meses.

O trailer, como poderão ver a seguir, está sensacional. E os filmes, cujas cópias de montagem eu já pude ver, não lhe ficam atrás. Mas avaliem pelos vossos próprios olhos.

Sem desprimor para a RTP e para as duas televisões espanholas que apostaram neste projecto (e que, pelos vistos, ganharam a aposta) tenho pena de não poder vir a ver "Conexão" numa sala de cinema, com público pagante. Tenho a certeza de que nenhum espectador lamentaria os 5 ou 6 euros pagos pelo bilhete.

Um Rocky para gente que pensa

Frost/Nixon - o filme

A revista Ípsilon do último fim de semana traz uma entrevista muito interessante de Jorge Mourinha com Peter Morgan, o guionista do filme "Frost/Nixon", um dos candidatos ao Óscar de melhor argumento adaptado deste ano.

Ainda não vi o filme mas já li bastante sobre ele, e é um dos que aguardo com curiosidade. A entrevista contribuiu um pouco mais para isso. Destaco para duas coisas: o relevo dado ao guionista num jornal generalista, o que é sempre de saudar; e a revelação da motivação de Peter Morgan para transformar a peça de teatro original – de sua autoria – num guião para cinema:

Nunca pensei que desse um bom filme e tenho a certeza que, se lhe dissesse sobre o que era, você também não o acharia! (…) Mas estavam dispostos a pagar-me bem, e pensei: "Vamos lá ver o que é que acontece."

Há razões piores…