
O curso de escrita para cinema das Produções Fictícias, que eu coordeno, e que tem Tiago Santos e Jorge Paixão da Costa como monitores, ainda não está esgotado.
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O curso de escrita para cinema das Produções Fictícias, que eu coordeno, e que tem Tiago Santos e Jorge Paixão da Costa como monitores, ainda não está esgotado.

Numa cena de um filme a câmara muda constantemente de ângulo, mostra as personagens de lado, de frente, as duas só numa, etc. Cabe ao guionista descrever isso ou é uma função do realizador?

O software de escrita de guião CeltX lançou finalmente a sua versão 1.0, e o facto serviu de motivação para eu escrever um tutorial sobre a sua utilização.
A partir desta página poderá aceder a uma série de recursos que me parecem úteis para todos os guionistas. Irei actualizando regularmente o seu conteúdo.
Vou reunir aqui algumas “folhas de ajuda” para temas específicos, que irei publicando regularmente.

Shrek, o filme animado, tem uma particularidade muito rara: deu origem a duas sequelas em que a qualidade não caiu a pique, como infelizmente é tão frequente. Descubra aqui porquê.
NOTA: este artigo já tinha sido publicado antes numa versão amputada por engano. Agora fica aqui o texto completo final.

Um bom filme coloca no início uma questão dramática forte que o espectador vai querer ver respondida antes do final. Mas o que vem a seguir?

Um leitor pergunta qual a diferença entre os guiões de publicidade e os de cinema e tv; e eu, que já escrevi uns e outros, tento responder.

Entre a primeira versão de uma ideia, que está apenas na nossa cabeça, e a sua versão final escrita na forma de guião, uma estória pode ser materializada de várias formas, progressivamente mais complexas. Neste artigo descrevo a primeira delas, a logline.

O Curso Rápido de Guião regressa com mais um artigo. Depois de encontrar a ideia certa para o guião que queremos escrever, chega a altura de começar a dar-lhe forma. Para isso temos de descobrir qual a questão dramática da nossa estória, e que elementos a compõem.

O TimesOnline publicou uma série de depoimentos de guionistas ingleses sobre o processo de escrita de filmes tão diversos como “Shakespeare in love” ou “Trainspotting”. Um desses depoimentos é de Lee Hall, cujo primeiro guião deu origem ao aclamado filme “Billy Elliot”.

Continuamos neste artigo a ver como os guionistas podem arranjar inspiração para as suas obras. Desta vez exploramos a tradição e as adaptações de outras obras.
Fiz um upgrade do motor deste blogue (o WordPress) para a versão 2.2 e, subitamente, todos os acentos e sinais especiais enlouqueceram. Enquanto não tiver tempo para corrigir isto (se for possível) peço desculpas a todos os leitores pelo transtorno.
Opções de modelos para escrita de guiões
Estou a organizar um workshop de guionismo a decorrer em Setúbal durante o próximo mês de Maio. Quem estiver interessado em participar pode contactar-me através desta página. PROGRAMA DO WORKSHOP “A ESCRITA DO GUIíO” OBJECTIVOS através de uma combinação de 8 módulos teóricos e práticos de três horas transmitiremos as noções básicas da escrita de um guião para cinema ou televisão. Cada participante desenvolverá uma ideia própria e terminará o workshop com uma sinopse, a descrição de personagens e uma cena escrita. DATAS Dois fins de semana em data a marcar durante o mês de Maio. LOCAL Em Setúbal, possivelmente nas instalações do IPJ. NÚMERO DE PARTICIPANTES 15 VALOR Cem euros PRIMEIRO FIM DE SEMANA
Está na hora de vermos na prática o que vamos encontrar nas páginas de um guião.
Depois de descobrir que o meu nome estava numa crítica da “Variety” entrei numa egotrip e fui procurar-me na net. Fiz um google a João Nunes e descobri que também estou na Internet Movie Database, o maior repositório de fichas técnicas e filmografias disponível online. A minha filmografia não está completa, mas quase. E fiquei a saber que também participei como actor na série “Até amanhã, camaradas”, o que me surpreendeu deveras. E me recordou que não se pode acreditar em tudo o que se lê na net. Apareço também num site sobre cinema português, apesar da minha página estar bastante desactualizada. Mas depois desse começo promissor, desisti da pesquisa. Ao fim de cinco páginas do Google cheguei à conclusão que o mundo está cheio de Joãos Nunes diferentes. São homónimos demais para o meu gosto.
Correndo o risco de não dizer nada de novo a quem esteja minimamente bem informado, recomendo a audição atenta de três discos recentes. “Timeless”, do venerável músico brasileiro Sérgio Mendes revisto pela figura de Will.I.Am dos Black Eyed Peas, que inclui entre outras pérolas um genial “Samba da Benção” cantado por Marcelo D2 (acho eu, já que comprei o disco na iTunes Music Store e, por isso, não tenho caderninho com a ficha técnica…). “Cê”, do não menos venerável mas bastante mais conhecido Caetano Veloso, que regressa aos originais seis anos depois, revelando uma veia roqueira que não se lhe conhecia mas se lhe podia suspeitar. Destaque, entre outras preciosidades, para as letras de poeta irónico e completo: “não tenho inveja da maternidade / nem da lactação / não tenho inveja da adiposidade / nem da menstruação // só tenho inveja da longevidade / e dos orgasmos múltiplos”. É bom, não é? “Back to Bedlam”, de James Blunt. Apesar do registo claramente mais “azeiteiro” (como diz o Frederico) começa com cinco músicas seguidas que somam o mais estrondoso arranque de um disco “pop” de que eu me recordo desde há muito tempo. Tentei incluir um disco português recente nesta lista mas sinceramente não encontrei nenhum. Se tiver sugestões, deixe nos comentários. Prometo que vou ouvir.
Graías ao meu novo e fabuloso clube de vídeo, consegui finalmente ver um filme que até aqui me tinha escapado: “Sideways”, escrito por Alexander Payne e Jim Taylor.
O filme é uma pequena jóia rara, daquelas que se recomendam aos amigos mais próximos, e vai entrar na minha colecíão de DVDs logo que eu consiga entrar numa Fnac.
Dois amigos de faculdade, quarentões e falhados, fazem uma viagem de uma semana pela lindíssima região dos vinhos da Califórnia. Miles quer proporcionar a Jack uma longa, tranquila, culta e sofisticada despedida de solteiro, entre degustaíões de colheitas especiais e calmas partidas de golfe. Jack só quer dar umas quecas antes de subir ao altar.
Apesar dessa premissa simples, e das longas conversas sobre taninos, castas, reservas e técnicas de produíão vinícola, “Sideways”” consegue agarrar-nos do princípio ao fim. É um case study para qualquer curso de guionismo, com a sua estrutura perfeita, voltas e reviravoltas, impecável noíão de ritmo, e um par de protagonistas/antagonistas inesquecíveis. Miles e Jack, apesar de amigos (e este é também um filme sobre a amizade masculina) estão em campos opostos desde o minuto zero. Cada um deles atravessa-se no caminho do outro, impedindo-o de conseguir o que mais deseja. E isso, como todos sabemos, é a raiz de qualquer grande história.
Algumas cenas são irrepreensíveis de inteligência, como aquela em que Miles explica apaixonadamente as razões que o levam a preferir a casta Pinot Noir — subtileza, sensibilidade, “feitio” difícil — e nós percebemos que é de si mesmo que está a falar. Outras são grandes momentos de comédia física, como o acidente automóvel que Jack provoca, ou a incursão de Miles de gatas pela casa de um marido enganado.
Aquela velha questão de como é possível torcer por personagens cheios de fraquezas e defeitos tem em “Sideways” uma resposta sublime. Miles é capaz de roubar dinheiro í mãe velhota, na véspera do aniversário dela; Jack engana a noiva a torto e a direito, e no caminho mente í namorada que arranjou na viagem. Pois mesmo assim nós queremos que as coisas lhes corram bem e que, por algum milagre, os dois encontrem um pouco da felicidade que lhes tem escapado, quem sabe até a redeníão dos seus pecados. Os autores fazem o favor de nos conceder esse desejo, mas não da forma óbvia que nós esperaríamos.
Li algures que “Sideways” teve o condão de aumentar astronomicamente as vendas de Pinot Noir nos EUA. A mim fez-me lembrar que já não escrevo nada de sério desde Novembro. E se um filme me consegue empurrar para o teclado, acho que só posso agradecer aos autores.
Este blogue foi criado pelo argumentista português João Nunes em 2005, em virtude de uma estadia prolongada em Angola. Muitos dos artigos mais antigos versam precisamente as curiosidades e contradições da vida nesse grande país.