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Arquivos de Tags: trabalho

Calma

Luanda está bas­tante mais calma. Penso que é da che­gada do cacimbo e das tem­pe­ra­tu­ras mais bai­xas. O povo sua menos, enerva-​​​​se menos, bebe menos, dis­cute menos. Até o trân­sito está — ligei­ra­mente — menos confuso.

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Mudanças

Estive fora pouco mais de duas sema­nas, mas coin­ci­di­ram com um momento de gran­des mudan­ças na agência.

No depar­ta­mento cri­a­tivo, saiu um direc­tor de arte e entrou uma dupla nova e um esta­giá­rio. Esperam-​​​​se ainda outros refor­ços para breve, na parte de design e finalização.

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Escrita

Estou a tra­ba­lhar na rees­crita de uma série de tele­vi­são para a RTP, pas­sada entre Por­tu­gal e Angola, no tempo pre­sente e durante a guerra colo­nial. Lembraram-​​​​se de mim por causa do último guião que escrevi para o canal 1 (o tele­filme “29 Gol­pes” da série “Amo­res”) e por estar aqui a viver em Luanda.

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Angola X Togo

Um golo. Foi quanto fal­tou para Angola rea­li­zar o mila­gre de ser apu­rada para os quar­tos de final do Can.

Os Cama­rões cola­bo­ra­ram e bate­ram o Congo por 20. Os ava­nía­dos fize­ram o seu tra­ba­lho e mar­ca­ram os três golos que lhes com­pe­tiam. Mas a defesa vol­tou a vaci­lar e dei­xou o Togo con­cre­ti­zar por duas vezes.

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Polí­cias

No post ante­rior fiz uma refe­rên­cia í  polí­cia de trân­sito, dizendo que alguns agen­tes são adep­tos da “gasosa”. Um colega contou-​​​​me que viu um dia dois agen­tes pas­sa­rem a tarde numa esquina, man­dando parar os can­don­guei­ros (táxis colec­ti­vos, ver o post refe­rente a eles) para lhes extor­quir uma noti­nha. Tra­ba­lho fácil, pois é duvi­doso que haja algum can­don­gueiro em Luanda que esteja com­ple­ta­mente legal. Os pro­vei­tos iam sendo guar­da­dos numa lata que os dois agen­tes tinham escon­dido a alguma dis­tân­cia. O engraíado é que a tarde de colecta ter­mi­nou quando um menino de rua rou­bou a lata e fugiu antes que os agen­tes o con­se­guis­sem apa­nhar.
Con­tado este epi­só­dio, é justo dizer que nem todos os polí­cias agem assim. Já fui mul­tado — sim, mul­tado — por um polí­cia de trân­sito que agiu com toda a trans­pa­rên­cia e não fez a mí­nima insi­nu­aíão. Pelo con­trá­rio, até evi­tava olhar para mim, tal­vez com receio que eu ten­tasse “ini­ciar con­ver­saíões”.
Nou­tra oca­sião ia sendo mul­tado por uma polí­cia novi­nha, por esta­ci­o­na­mento inde­vido no aero­porto de Luanda. Geri o caso como o faria com uma agente de qual­quer outra parte do mundo — com pedi­dos de des­cul­pas, pro­mes­sas de não repe­tir, sor­ri­sos e con­versa mole. Fun­ci­o­nou e ela mandou-​​​​me embora ape­nas com uma repri­menda.
Mais impor­tante ainda, em mea­dos do ano pas­sado as ruas de Luanda encheram-​​​​se de polí­cias da nova geraíão. Distinguem-​​​​se dos anti­gos pela idade e por­que são geral­mente mais altos, mais apru­ma­dos e menos bar­ri­gu­dos.
Em relaíão a estes jovens agen­tes só tenho ouvido elo­gios. Ainda não fui man­dado parar por nenhum (o que já quer dizer alguma coisa), mas duas pes­soas dife­ren­tes já me con­ta­ram que foram ame­aía­dos de pri­são quando ten­ta­ram abor­dar com eles o assunto da “gasosa” para resol­ver uma situ­aíão de infra­cíão. É um óptimo sinal, e espero que essa ati­tude não mude con­forme se forem aco­mo­dando í s suas funíões.

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Dia de Luanda

Hoje foi Dia de Luanda. Feri­ado, como não podia dei­xar de ser. Não me adi­an­tou muito, por­que tive tra­ba­lho para fazer, mas já que­brou um pouco a rotina. Curi­o­sa­mente, é tam­bém Dia da cidade de S. Paulo, no Bra­sil, e a Lu apro­vei­tou melhor do que eu — foi até í  praia com as irmãs.

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Futebol

Sexta feira í  tarde fui jogar í  bola. Fute­bol de salão, num campo perto da agên­cia, inte­grado numa equipa de cole­gas de trabalho.

A última vez que me lem­bro de ter jogado fut­sal tinha dezoito anos e saí­ do jogo numa ambu­lân­cia, com metade da minha ore­lha esquerda num saqui­nho de plás­tico. Desta vez as coi­sas cor­re­ram melhor: nos vinte ou trinta minu­tos de jogo que os meus pul­mões me con­ce­de­ram não houve perda de par­tes da ana­to­mia ou funíões vitais. Houve, pelo con­trá­rio, tanto empe­nho e dedi­caíão que hoje quase não me con­sigo mexer. Espero que estes jogos de sexta-​​​​feira con­ti­nuem, por­que foi um óptimo escape para o estresse da semana.

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Quem somos

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Bem vindo

Este blo­gue foi cri­ado pelo argu­men­tista por­tu­guês João Nunes em 2005, em vir­tude de uma esta­dia pro­lon­gada em Angola. Mui­tos dos arti­gos mais anti­gos ver­sam pre­ci­sa­mente as curi­o­si­da­des e con­tra­di­ções da vida nesse grande país.

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Campismo Selvagem

Olhando para o meu jeep ato­lado na lama, numa praia quase deserta, sob o olhar curi­oso de dois miú­di­tos negros, tive um ligeiro momento de dúvida: “Será que fui mesmo feito para o cam­pismo selvagem?”

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FILDA

O meio do ano empre­sa­rial em Angola é mar­cado pela FILDA — a Feira Indus­trial. Para nós, na agên­cia, há o “a.F” e o “d.F” — antes e depois da FILDA. Visitei-​​​​a na sexta feira, para saber que coisa rara é essa que tanto tra­ba­lho e pre­o­cu­paíões me deu nas últi­mas sema­nas. Citando Sha­kes­pe­are, “much ado about nothing” — ou em ter­mos bem por­tu­gue­ses, “muita parra para pouca uva”.

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Gráfica

Ontem ao fim do dia fui a um pequeno evento orga­ni­zado no Baí­a Bar Lounge — um encon­tro entre pro­fis­si­o­nais de comu­ni­caíão, des­ti­nado a dar-​​​​nos opor­tu­ni­dade de nos conhe­cer­mos uns aos outros. Estava estou­rado, pois tinha feito uma directa nessa noite a ter­mi­nar um tra­ba­lho para um cli­ente. Só tinha saí­do da agên­cia depois do almoío (da hora do dito, por­que almoío mesmo não tive) para apre­sen­tar o tra­ba­lho ao cli­ente e tinha regres­sado para pôr os emails em dia.

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Noitada

São três e vinte e cinco da manhã e estou na agên­cia a bum­bar, como se diz por aqui. Ou melhor, estou í  espera que o A. acabe de bum­bar, para poder rever o tra­ba­lho dele e ir dor­mir. Os meus olhos pare­cem duas bolas de fute­bol depois de uma pela­di­nha num campo da 3ª divi­são. Já não tenho idade para estas cenas…

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Nacionalistas

Saí­ há pouco da ver­nis­sage de uma expo­siíão de arte no antigo Hotel Globo, na baixa de Luanda. “Naci­o­na­lis­tas” é o nome de guerra do grupo de cri­a­do­res ali reu­nido, e “Angola Com­ba­tente” o tí­tulo da mos­tra, orga­ni­zada pela SOSO Arte Con­tem­po­râ­nea e pelo TACCA. Quem não goste de arte con­tem­po­râ­nea, não é ali que vai ficar a gos­tar; quem apre­cie, não se vai sen­tir defrau­dado. O con­junto de obras em várias téc­ni­cas, desde a foto­gra­fia de grande for­mato í  gra­vura, pas­sando pela pin­tura, escul­tura e dese­nho, tem uma grande homo­ge­nei­dade, quer de qua­li­dade quer de influências.

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Natchamba

Na missa de hoje, na Sagrada Famí­lia, o padre enri­que­ceu a homi­lia com uma his­tó­ria tra­di­ci­o­nal sobre a ingra­ti­dão. Reza assim:

Havia uma macaca cha­mada Nat­chamba que vivia perto de uma aldeia. Ora na aldeia houve um casa­mento. O jovem casal comeíou a vida em comum e, pouco depois, já tinha um bebé. Para garan­tir o seu sus­tento a mãe comeíou a cui­dar de um lote de terra, mas o bebé cho­rava e não a dei­xava tra­ba­lhar. Nat­chamba teve pena dela e des­ceu da árvore para dar “ó-ó” í  cri­a­nía. Esta ador­me­ceu e dei­xou a mãe tra­ba­lhar. No fim do dia a macaca devol­veu o bebé í  mãe com uma men­sa­gem: “Eu sou a Nat­chamba, venho pelo bem, pela paz e pela gene­ro­si­dade. Mas o mal virá da aldeia”.

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Festa com Figo

Sexta feira à noite houve festa. O Tiago, um colega de tra­ba­lho, estreou-​​​​se como orga­ni­za­dor de even­tos e pro­mo­tor de fes­tas aqui em Luanda. E a estreia foi pro­mis­sora — mais de mil pes­soas enche­ram o antigo Cine Loanda, actual Luanda Even­tos, e dan­ça­ram até às seis da manhã.

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Chineses

Angola está cheia de chi­ne­ses, mas pas­sam des­per­ce­bi­dos. Estão cá em vir­tude de uma linha de cré­dito de não sei quan­tos biliões de dóla­res que o governo chi­nês abriu a Angola, tendo como con­tra­par­ti­das a adju­di­caíão de mui­tos tra­ba­lhos na cons­truíão e obras públi­cas a empre­sas chi­ne­sas. Com elas vie­ram mui­tos — não faío ideia quan­tos — téc­ni­cos e tra­ba­lha­do­res chi­ne­ses. É raro vê-​​​​los nas ruas durante o dia; pro­va­vel­mente esta­rão a tra­ba­lhar, coisa a que sem­pre se dedi­ca­ram com afinco. Tam­bém não apa­re­cem í  noite, nos res­tau­ran­tes e locais de conví­vio; devem esconder-​​​​se entre os da sua comu­ni­dade, como aliás fazem em todo o mundo. Onde temos uma melhor per­ce­píão da dimen­são rela­tiva da sua pre­se­nía é nos super­mer­ca­dos, ao fim de semana. Ainda ontem de manhã, na Mar­tal, cruzei-​​​​me com meia dúzia, num esta­be­le­ci­mento rela­ti­va­mente pequeno. Faz-​​​​me lem­brar aquele velho dito espa­nhol: “Não acre­dito em bru­xas — mas lá que as há, há.

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Preparativos

Estas sema­nas em Por­tu­gal — qua­tro — pas­sa­ram num ápice; entre a famí­lia, os ami­gos, a casa e alguns tra­ba­lhos que tinham ficado pen­du­ra­dos, os dias atropelaram-​​se e agora, subi­ta­mente, dou comigo a pen­sar de novo em fazer as malas.… Pode ser que em Agosto, quando vol­tar cá, tenha tempo para dar um pas­seio por essas bandas.

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Lubango

Regres­sá­mos ontem do Lubango, onde pas­sá­mos dois dias. Dois gran­des dias, numa cidade que bem pode orgulhar-​​​​se de repre­sen­tar uma outra face de Angola. Lubango, que nos tem­pos colo­ni­ais era conhe­cida por Sá da Ban­deira, é a capi­tal da proví­ncia da Huí­la . O nome por­tu­guês caiu com a inde­pen­dên­cia mas a cidade man­teve boa parte da sua per­so­na­li­dade pró­pria. Foi uma terra rela­ti­va­mente pou­pada pelos con­fli­tos e soube apro­vei­tar essa benesse para rou­bar ao Huambo o papel de segunda cidade de Angola.

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Fruta Pinha

Aca­bei de des­co­brir qual é a minha fruta favo­rita: a fruta pinha. Não sabia da sua exis­tên­cia, nunca tinha ouvido falar dela,e obvi­a­mente ainda não a tinha comido. Por reco­men­daíão da T. e da C., resolvi com­prar meia dúzia numa qui­tan­deira, perto da casa do N. Que delí­cia! É um fruta que dá luta, por­que tem muito caroío para pouca polpa. Mas a recom­pensa em sabor, para um guloso como eu, jus­ti­fica o trabalho.

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Cabo Ledo

No fim de semana pas­sado fomos a Cabo Ledo, uma praia paradisí­aca a 120 km a sul de Luanda.

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