Laboratório de escrita para teatro no Teatro D. Maria II

Estão abertas as candidaturas para a 2ª edição do Laboratório de Escrita para Teatro a decorrer no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, entre Outubro de 2016 e Junho de 2017.

Coordenado por Rui Pina Coelho, o Laboratório vai acompanhar e orientar o trabalho dos autores seleccionados até à finalização de um conjunto de textos que serão apresentados ao público no final de 2017.

As sessões de trabalho incluirão aulas, debates, leituras, exercícios e sessões de escrita, e serão orientadas por autores de renome como Tiago Rodrigues, Jorge Palinhos, Miguel Castro Caldas e Paula Autran.

O tema orientador deste ano é A política de tudo. Conforme o orientador explica no texto de apresentação do Laboratório de Escrita para Teatro:

(…) o teatro e a dramaturgia contemporânea têm sabido encontrar novas formas de prolongar, renovar ou reinventar as utopias do século XX, descobrindo novas pronunciações para o exercício de um teatro político e para uma efectiva interpelação do real. Que política há ainda no teatro? Toda, pouca, nenhuma?

Para mais informações e candidaturas, visite o site do Teatro Nacional D. Maria II.

O Dia dos Prodígio: do romance ao palco

Se sempre teve curiosidade de saber, na prática, como se desenrola o processo de adaptação de um romance para uma peça teatral, tem agora uma excelente oportunidade.

No dia 27 de Novembro, pelas 18h30, no Teatro da Trindade, a romancista Lídia Jorge vai estar com Cucha Carvalheiro, Paulo Roberto Nóbrega Serra e António Carlos Cortez para analisar o processo de transposição do romance "Dia dos Prodígios" para o teatro. A sessão repete-se no dia 3 de Novembro, pelas 15h00, desta vez apenas com Cucha Carvalheiro.

Nas palavras da organização, as duas sessões destinam-se a "dramaturgos, dramaturgistas, estudantes de dramaturgia, literatura e público em geral, interessados em conhecer os processos de criação do espectáculo." Parece-me uma proposta aliciante, a que tentarei estar presente.

Pode contactar a bilheteira pelo telefone 213420000 ou bilheteira.trindade@inatel.pt

Oficina de Escrita para Teatro

O meu amigo Virgilio Almeida pediu para divulgar esta oficina de escrita para teatro, que está a coordenar, o que faço com todo o gosto, seguro de que será uma oportunidade única para quem esteja interessado no tema e deseje contactar com alguns dos melhores jovens talentos da dramaturgia, como o próprio Virgilio, ou os conhecidos Jacinto Lucas Pires e Ondjaki.

Oficina de Escrita para Teatro

associada ao espectáculo ABSURDOS CONTEMPORÂNEOS

DATAS
4 a 15 de Outubro de 2010

HORÁRIO
19:00-21:00 horas

HORAS
Total: 22 horas

LOCAL
Teatro da Trindade, Lisboa.

VAGAS
30 participantes.
(mínimo 10 )

OBJECTIVOS
Introduzir e/ou reforçar as competências dos formandos sobre as várias etapas do processo de escrita de peças de teatro de curta duração, desde o desenvolvimento da ideia e caracterização das personagens, à adequação da estrutura do texto dramático ao enredo, à manipulação do Tempo, Espaço e Causalidade e à adequação dos diálogos às personagens e à atmosfera da peça.

METODOLOGIA
Propõe-se a análise e a discussão das metodologias de escrita das 9 peças de 10 minutos usadas por 9 autores do espectáculo ABSURDOS CONTEMPORÂNEOS. Para tal, os participantes terão sessões de 2 horas com cada autor, e assistirão a duas sessões do espectáculos nos dois últimos dias da oficina (14 e 15 de Outubro), de modo a avaliarem o processo de criação deste singular espectáculo teatral, desde a escrita das peças à proposta final apresentada ao espectador. Após os espectáculos, a encenadora Teresa Sobral, o músico Eduardo Raon, o cenógrafo Stiga e os actores do elenco dos ABSURDOS CONTEMPORÂNEOS estarão disponíveis durante 1 hora para discutir as abordagens que fizeram às várias peças.
O autor Virgílio Almeida, associado da Qatrelcolectivo, funcionará como facilitador do processo de ensino/aprendizagem e de elo de ligação entre as várias sessões.

FORMADORES
Nove autores dos ABSURDOS CONTEMPORÂNEOS: Abel Neves, Ana Paula Gonçalves, Carlos Gomes, Carlota Gonçalves, Hélia Correia, Jacinto Lucas Pires, Miguel Castro Caldas, Ondjaki e Virgílio Almeida.

CONVIDADOS
A encenadora Teresa Sobral; os actores Carla Bolito, Carlos António, Dora Bernardo, Ivo Alexandre e João Saboga; o músico Eduardo Raon e o cenógrafo Stiga.

ADMISSÃO
Dramaturgos, estudantes universitários, profissionais das artes performativas e de áreas artísticas afins, e pessoas interessadas em desenvolver projectos na área da escrita teatral.

CERTIFICAÇÃO
Os participantes receberão um certificado de participação emitido pela Qatrelcolectivo, Associação Cultural.

INSCRIÇÃO
Os interessados, poderão fazer uma pré-inscrição telefónica através dos seguintes números telefónicos:
933471352 ou 918636908 (Qatrelcolectivo)
e deverão fazer o pagamento da oficina na bilheteira do Teatro da Trindade.

PREÇO
Geral: 90 €
Estudantes: 70 €
Sócios da Fundação INATEL: 54€

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
TM: 933471352 ou 918636908 (Qatrelcolectivo) ou 927982834 (Teatro da Trindade)
producao.qatrel@gmail.com
http://sites.google.com/site/qatrel/Home
jpnogueira@inatel.pt

SOBRE OS FORMADORES

Abel Neves
Dramaturgo, poeta e romancista, com vasta obra publicada em Portugal e colaborações no estrangeiro. Para teatro escreveu: AMADIS; TOURO; TERRA; AMO-TE; ATLÂNTICO, FINISTERRAE; ARBOR MATER; LOBO-WOLF; EL GRINGO; INTER-RAIL; ALÉM AS ESTRELAS SÃO A NOSSA CASA; SUPERNOVA; FÉNIX E KOTA-KOTA; A CAMINHO DO OESTE; AMOR-PERFEITO; OLHANDO O CÉU ESTOU EM TODOS OS SÉCULOS; ESTE OESTE ÉDEN; PROVAVELMENTE UMA PESSOA; NUNCA ESTIVE EM BAGDAD; MADRESSILVA; QARIBÓ; UBELHAS-MUTANTES E TRANSUMANTES; VULCÃO; QUERIDO CHE; O PARAÍSO À ESPERA. É também autor de ALGURES entre a resposta e a interrogação, reflexões em volta do teatro.

Carlos Gomes | Ana Paula Gonçalves | Carlota Gonçalves
An.Carl-Go – grupo de trabalho constituído por Carlos Gomes, Ana Paula Gonçalves e Carlota Gonçalves, vocacionado para a escrita de textos dramáticos/teatrais e argumentos para cinema e televisão. No âmbito de desenvolvimento de novas dramaturgias, destacam-se: ESCADAS TORTAS SEM CORRIMÃO, 2001 (apoiado no concurso a projectos de actividade teatral de carácter profissional, IPAE, 2000); CLUBE DE GELO, 2002 (apoiado no concurso a projectos de actividade teatral de carácter profissional, IPAE, 2001); PESQUISA AMOK, 2003 (acolhido pelo Centro de Artes de Lisboa); CATARATAS, 2005-09 e CLANDESTINOS, 2007-09.

Hélia Correia
Licenciada em Filologia Românica. Professora de Português do Ensino Secundário. É como ficcionista que é reconhecida como uma das revelações da literatura portuguesa da geração de 80. A novela MONTEDEMO, encenada pelo Bando, dá-lhe notoriedade. Destaque ainda para os romances CASA ETERNA E SOMA e, na poesia, O SEPARAR DAS ÁGUAS, O NÚMERO DOS VIVOS e A PEQUENA MORTE/ESSE ETERNO CONTO. Para teatro escreveu PERDIÇÃO, levada à cena pela Comuna (1993) e FLORBELA (1991) encenada pelo Maizum. Recebeu em 2002 o prémio PEN 2001, atribuído a obras de ficção, pela sua obra LILLIAS FRASER.

Jacinto Lucas Pires
Estudou Direito na Universidade Católica de Lisboa e Cinema na New York Film Academy. Trabalha como dramaturgo e cineasta. Em Portugal, as suas peças foram encenadas por Manuel Wiborg, Ricardo Pais, Marcos Barbosa e João Brites.Está traduzido em francês, espanhol, inglês, norueguês, alemão, italiano e búlgaro. SILENCIADOR, a sua última peça, virá à Culturgest, em Junho 2010, encenada por Marcos Barbosa. Escreveu e realizou duas curtas-metragens: CINEMAAMOR (1999) – Prémio Cine-clube no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira – e B.D. (2004). Escreve regularmente em jornais e revistas; tem uma crónica sobre futebol no JORNAL DE NOTÍCIAS e um blogue: www.chanatas.blogspot.com.

Miguel Castro Caldas
Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas. Escreveu QUERES CRESCER E DEPOIS NÃO CABES NA BANHEIRA, AS SETE ILHAS DE LISBOA, A MONTANHA TAMBÉM QUEM, O HOMEM DO PÉ DIREITO, O HOMEM DA PICARETA, NUNCA TERRA, JAVAS, É BOM BOIAR NA BANHEIRA, LEVANTAR A MESA, COMIDA, E AGORA BAIXOU O SOL, CASAS, REPARTIÇÃO, A MORTE TEM DE VIR, ESTAMOS AQUI PORQUE NÃO PODEMOS VOLTAR e NÓS NUMA CORDA. Traduziu Ali Smith, Harold Pinter, Reinaldo Arenas, Samuel Beckett e Senel Paz.Trabalhou com Bruno Bravo, Cristina Carvalhal, Franzisca Aarflot, Francisco Frazão, Gonçalo Amorim, Gonçalo Waddington, Jesper Halle, Jorge Silva Melo e Teresa Sobral. Está editado na editora Âmbar, Primeiros Sintomas e na colecção Livrinhos de Teatro dos Artistas Unidos/Cotovia. Recebeu uma Menção Honrosa pela Associação Portuguesa dos Críticos de Teatro pelo trabalho desenvolvido em 2005.

Ondjaki
Nasceu em Luanda, em 1977. Prosador e poeta. Também escreve para teatro e cinema e co-realizou o documentário OXALÁ CRESÇAM PITANGAS – HISTÓRIAS DE LUANDA. Os seus livros estão traduzidos em 8 línguas. ACTU SANGUÍNEU (poesia); BOM DIA CAMARADAS (romance); MOMENTOS DE AQUI (contos); O ASSOBIADOR (novela); HÁ PRENDISAJENS COM O XÃO (poesia); QUANTAS MADRUGADAS TEM A NOITE (romance); YNARI: A MENINA DAS CINCO TRANÇAS (infantil); E SE AMANHÃ O MEDO (contos); OS DA MINHA RUA (estórias); AVÓDEZANOVE E O SEGREDO DO SOVIÉTICO (romance); O LEÃO E O COELHO SALTITÃO (infantil); MATERIAIS PARA A CONFECÇÃO DE UM ESPANADOR DE TRISTEZAS (poesia); OS VIVOS, O MORTO E O PEIXE-FRITO (teatro); O VOO DO GOLFINHO (infantil).

Virgílio Almeida
Para teatro escreveu B.B. BESTAS BESTIAIS, enc. José Neves; MENINO COSMOS, enc. Teresa Sobral; FUI ÀS COMPRAS, enc. Carlos Gomes e Carlota Gonçalves; NOS CABELOS DA LOUCURA, enc. Luís Castro; ELEFANTES NO JARDIM, enc. Teresa Sobral; FRANCISCO, enc. Paulo Ferreira. É autor dos argumentos de 11 filmes de animação, 3 séries e 2 especiais TV. Estes filmes foram seleccionados para 60 festivais onde receberam 42 prémios, 5 menções honrosas e 2 nomeações para o Cartoon d’Or (Melhor Curta-metragem de Animação Europeia) com A SUSPEITA, real. José Miguel Ribeiro e CÂNDIDO, real. Zepe. Tem 4 livros publicados e recebeu 3 prémios literários.

Tudo sobre humor na Drama nº2 →

A revista de teatro e cinema Drama, da APAD (Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos) já está disponível, para leitura online ou em .pdf para descarregar. O tema desta segunda edição é o humor, abordado em entrevistas, e textos de análise e reflexão.

Mas há também outras rubricas, como crítica cinematográfica, ou um útil consultório jurídico sobre os benefícios fiscais aplicáveis aos autores. Leitura obrigatória para quem se interessa pela escrita de drama em português.

Link para a revista   →

Uma promoção literária para os leitores brasileiros →

O meu amigo Izaías Almada está a promover uma 'promoção literária', oferecendo exemplares do seu novo livro 'Teatro de Arena', no site Nota de Rodapé, para o qual escreve. Uma boa oportunidade para conhecer "um dos grupos mais representativos do teatro paulista e brasileiro no século 20".

Oficina de Teatro em Mem Martins

À semelhança de bem sucedidas experiências anteriores, vai a Alagamares  levar a efeito de 16 de Novembro a 19 de Dezembro próximo, no Espaço 2M, (Centro Comercial da Bela Vista, em Mem Martins,Sintra), a 4ª Oficina de Teatro, com uma carga de 24 horas divididas em períodos de 3h sempre às 2ª e 4ª feiras, das 18h às 21h.

O curso será ministrado por Rui Mário, encenador e professor, do grupo TapaFuros, e no final será apresentada uma exibição pública do trabalho produzido, a 19 de Dezembro.

Inscrições junto da Alagamares para o 918343698 ou  info@alagamares.net .

Preço total: 70 euros

Assista à estreia da curta O Poço

Luís Soares, um ex-aluno dos workshops de escrita de guião das Produções Fictícias, convidou-me para a estreia da curta-metragem "O Poço", que tem argumento seu, e autorizou-me a estender esse convite aos restantes leitores deste blogue. Aqui fica:

É com muito gosto que o convido para a estreia da curta-metragem "O Poço", escrita por mim. A mesma terá lugar no dia 24, quarta-feira, às 21 horas, no teatro A Barraca, em Santos. O trailer pode ser visto em http://www.youtube.com/Art7ima

 

Curso de Verão de guionismo na Universidade Nova

curso de Verão-junho2009-direitaEm Setembro a Escola de Verão da Universidade Nova de Lisboa organiza mais  um curso de guionismo. O monitor é Paulo Filipe Monteiro, e podem obter-se todas as informações aqui.

Até final de Junho os interessados neste curso devem enviar para o e-mail pfm@sapo.pt uma página com sinopse original de um filme de ficção. Atenção: não é de um filme já feito, é de um filme imaginado pelo candidato, com princípio meio e fim. A selecção dos participantes será feita com base nessas sinopses, que não poderão ter mais de uma página, com cerca de 2800 caracteres. Continuar a ler “Curso de Verão de guionismo na Universidade Nova”

Comemore o fim do ano a Escrever

A escola de escrita criativa EscreverEscrever anunciou o seu programa para Dezembro. Aqui fica:

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Em Dezembro comemoramos o fim do ano a Escrever.
 
Nas duas primeiras semanas teremos cursos quinzenais, duas vezes por semana.
Na semana de 15 a 19 de Dezembro, vamos brindar com “Provas de Escrita”  para que possa experimentar os cursos que lhe apetecer.
Todos os dias um curso diferente. Sessões únicas por um preço que é uma prenda no sapatinho.
 
Mais informações aqui
 
Cursos quinzenais | Terças e quintas | de 2 a 11 de Dezembro:
Introdução ao Guionismo |17:00 – 19:30
Escrever letras de canções | 19:30 – 22:00
Anatomia do texto | 19:30 – 22:00
 
 
Cursos quinzenais | Quartas e sextas | de 3 a 12 de Dezembro:
Personagens para ficção | 10:30 – 13:00
Escrita de humor  | 17:00- 19:30
Jornalismo Literário | 19:30 – 22:00
Escrita de Viagens | 19:30 – 22:00
Escrita Criativa | 19:30 – 22:00
 
Sábados /Domingos
3 Dias para Escrever para Cinema | dias 6, 7 e 8
Argumento para BD | dia 6
Jornalismo para não profissionais: como captar a eficácia | dia 13
E depois…como abordar as editoras | dia 13
Escrita Criativa para crianças dos 7 aos 11 anos | dia 14
Exibição documentário de Nicolás Buenaventura e discussão com o realizador | dia 14
Escrita de Viagens em terra: o aeroporto como ponto de partida | dia 20
Escrita criativa para crianças dos 7 aos 11 anos | dia 21
 
 
Semana de “Provas de escrita” | de 15 a 19 de Dezembro
Personagens para ficção | Segunda, 15
Escrita Criativa | Segunda, 15
Argumento para BD | Segunda, 15
Escrever letras de canções | Terça, 16
Revistas: da ideia à venda do artigo | Terça, 16
Oficina do Conto | Quarta, 17
Escrita de Viagens | Quarta,  17
Peças curtas para teatro | Quarta, 17
Jornalismo literário | Quinta, 18
Escrita Criativa | Quinta, 18
Escrever para crianças | Quinta, 18
Guionismo: escrever com imagens | Sexta, 19
Ensaboadela no Português | Sexta, 19
 
 
E ainda…em Novembro:
Guionismo: escrever com imagens | João Ramos | Este sábado dia 15!
Introdução ao Documentário | Pedro Sena Nunes | Sábado dia 22
Escrita Criativa: uma dia para descobrir | Conceição Garcia | Sábado dia 22
Gastronomia (Japão): na tela, no papel e na mesa | Laly Martín e Conceição Garcia | Sábado dia 29
Anatomia do texto | Pedro Manuel | Sábado dia 29
 
   Praça Luís de Camões, n.º36 – 3.ºDto
   Chiado        1200 – 243 Lisboa
   Tel. 91 119 77 97 ou 21 096 21 58

   www.escreverescrever.com <>

APAD lança novo site com revista de guionismo

A APAD – Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos, lançou hoje um novo visual para o seu site http://argumentistas.org.

Além do visual renovado, mais actual e prático, o novo site inclui a Revista APAD, um projecto editorial dedicado à escrita para televisão, cinema e teatro. O primeiro número inclui dez interessantíssimos artigos, que vão desde entrevistas com guionistas portugueses à análise de filmes recentes e clássicos, passando por artigos de opinião.

É certo que eu sou suspeito ao escrever isto, pois sou presidente da actual direcção da APAD. Mas acredito que qualquer leitor deste blogue encontrará no site da APAD muitas matérias de inspiração.

A APAD anunciou também o início de um processo de refiliação dos seus sócios actuais, e de abertura a novos associados, que pode ser iniciado logo a partir do próprio site. É, espera a sua direcção, um parte importante para a revitalização da associação.

Cursos de verão na Universidade Nova

Love & Death in 3 Minutes or Less:

The Screenwriter’s Role in New Media
Conference by Stuart Kelban

24 de Junho, às 18 horas, Auditório 1
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna)

 

Recently, the Writers Guild of America went on strike, largely over financial issues related to writing for new media. Screenwriters in the United States were willing to shut down Hollywood for four long months, at great risk to both the industry and their own careers. And yet, no one – not the film studios, the television networks, nor the writers themselves — truly knows what shape "writing for new media" is going to take.

During this new form’s long, drawn-out birth, there have been some notable successes ("Lonelygirl") and some very public failures ("Quarterlife"). Using clips from recent web-series, we’ll explore the directions that writing for new media may take in the near future, along with the implications for traditional cinematic story-telling. Will the same classic Aristotelian dramatic principles apply to both a two-hour feature and a three-minute webisode? What happens to characterization, story and structure when you write films to be shown on cellphones? And most importantly, will the next "Citizen Kane" premiere on YouTube?

Stuart Kelban is a professional screenwriter with experience writing for feature films and television. A Writers Guild of America member, he has sold screenplays to many of the major studios and productions companies in Los Angeles, including 20th Century Fox, Sony, Warner Brothers and Paramount, and has developed projects for Denzel Washington, Sean Connery, Adam Sandler and John Woo. He has also written original pilots for such TV networks as UPN, NBC and HBO, and is currently co-writing a pilot for Will Ferrell and Adam McKay. Stuart is the Head of Screenwriting for the Radio-TV-Film department at the University of Texas at Austin; he has also taught screenwriting at Harvard, Boston College and Emerson College.

Curso de Escrita para Cinema e Televisão
Escola de Verão da Universidade Nova de Lisboa
por Paulo Filipe Monteiro

9, 10, 11, 15, 16 e 17 de Julho, 18h00-21h00
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna)

O cinema e a televisão são formas de comunicação contemporâneas, que no nosso século tiveram de inventar a sua linguagem. Neste curso de 18 horas, intensivo e prático, estuda-se como se tem definido e transformado a escrita própria de textos destinados a serem filmados. Trata-se de um género que só pode ser compreendido por relação com a narração e o drama. Para compreender a «narração dramática» dos guiões, trabalham-se as teorias clássicas da narração, as estratégias narrativas de vários tipos de filmes, as personagens, as cenas, os diálogos e técnicas específicas de manipulação do espaço e do tempo. Tudo isto será desenvolvido a partir das sinopses previamente enviadas pelos participantes.
Requisitos Prévios: Os interessados neste curso devem enviar para o e-mail pfm@sapo.pt uma página com sinopse original de um filme de ficção. A selecção dos participantes será feita com base nessas sinopses. Data limite para o envio da sinopse: 13 de Junho

Número de vagas: 20

Inscrições: o curso custa 100 euros (80 para estudantes da FCSH-UNL). Para obter um diploma final, há um custo adicional de 20 euros (10 para esses estudantes).

Mais informações em http://www.fcsh.unl.pt/escoladeverao/

Paulo Filipe Monteiro é doutorado em Ciências da Comunicação (especialidade de Cinema) pela Universidade Nova de Lisboa. A sua tese de doutoramento foi sobre o cinema português entre 1961 e 1990. Especializou-se em guionismo em França, Itália e Estados Unidos. Além da disciplina de guionismo que ensina na Universidade Nova de Lisboa, tem dado cursos de escrita para cinema e televisão em várias instituições (com destaque para o seminário que regeu na Fundação Calouste Gulbenkian de Abril a Junho de 1997). Tem também supervisionado guiões em encontros em Portugal, Irlanda, Escócia e Alemanha. Foi vários anos Presidente da Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos.

Escreveu a peça de teatro Área de Risco (estreada em 1999 na Fundação Calouste Gulbenkian) e a série de televisão A Viúva do Enforcado. Com João Mário Grilo, escreveu as longas-metragens O Fim do Mundo, Os Olhos da Ásia e Longe da Vista. Com o mesmo realizador, escreveu três telefilmes de 90 minutos: As Contas do Morto, realizado por Rita Nunes; 451 Forte, realizado por João Mário Grilo; e A Hora da Morte, realizado por José Nascimento. Tem 27 anos de trabalho como actor e encenador.

Currículo pormenorizado em www.pfm.com.pt
 

Vai uma rapidinha?

Tears por Man Ray

"A Chorona" é uma mini-ópera de Manuel Durão com libreto de Jorge Vaz Nande. Nas próximas terça e quarta-feiras, dias 25 e 26 de Março, às 21h, será levada à cena no Teatro Municipal São Luiz, juntamente com as outras quatro óperas curtas nomeadas no âmbito do concurso Ópera em Criação, sob a direcção musical de Christopher Bochmann e a encenação e coordenação de Paulo Matos.

Os cantores responsáveis são Fernando Guimarães (tenor), Inês Madeira (mezzo soprano) e João Merino (baixo). A parte instrumental está a cargo da Orquestra Sinfónica Juvenil.

As outras óperas curtas são "O Casamento do Diabo" (de Rafael Fraga, com libreto de Nuno Júdice), "As Duas Mulheres de Sigmund Freud" (de Hugo Ribeiro, com libreto de Armando Nascimento Rosa), "Mudos" (de Gonçalo Gato, com libreto de Vasco Gato) e "Alfa" (de Luís Soldado, com libreto de Rui Zink).

Como diz o autor, a entrada é gratuita mas o espectáculo promete não ter preço.

Lee Hall sobre a escrita do guião de “Billy Elliot”.

O TimesOnline publicou uma série de depoimentos de guionistas ingleses sobre o processo de escrita de filmes tão diversos como "Shakespeare in love" ou "Trainspotting". Um desses depoimentos é de Lee Hall, cujo primeiro guião deu origem ao aclamado filme "Billy Elliot".

Vale a pena ler os cinco artigos (que correspondem à oferta dos cinco guiões com o jornal) mas destaco aqui um parágrafo do texto de Lee Hall, porque é uma coisa que eu sempre digo aos guionistas estreantes e aos alunos dos workshops que tenho dado:

"O cinema é muito colaborativo; temos de ter uma boa relação com o realizador e com os actores. Escrevemos um guião e depois ele transforma-se noutra coisa com o realizador, e ainda noutra coisa completamente diferente no chão da sala de montagem. Temos de nos preparar para isso. Se vimos de uma cultura literária em que a palavra é sacrossanta vamos ficar chocados. No teatro, se uma linha for cortada, o dramaturgo pode travar a produção. No cinema, o contrato do guionista especifica literalmente que qualquer das nossas palavras pode ser alterada "perpetuamente e em media ainda não inventados". Não devemos tornar-nos guionistas se não formos capazes de viver com o desapontamento. Compromissos são necessários. Se o nosso ego não o suportar – e acreditem-me, é horrível – então devemos escrever romances, ou poesia. Por vezes temos de nos livrar de personagens, ou de enredos completos. O guião é apenas uma base de trabalho".

Novos WorkShops ACT: 1º Trimestre de 2008

O Trabalho da Câmara e o actor com João Cayatte

Operação de câmara: David Hinrichs

  • 15 a 31 de Janeiro
  • das 19h às 22h
  • total de 18h
  • 6 sessões de 3h

A partir de várias cenas de ficção, que irão servir de base de trabalho, pretende-se neste WorkShop, privilegiar a importância do enquadramento enquanto elemento essencial na construção da gramática de uma sequência, em paralelo com o desempenho do actor. Assim sendo, cada aluno fará a construção do seu personagem, em sintonia com a marcação definida e perante o jogo de câmaras previamente estabelecido.

Voz com Inês Nogueira

Que fazer com este texto?

  • 6 Sessões 2 vezes por semana das 19h às 21h
  • total de 12 horas
  • maiores de 17 anos
  • máximo de 12 alunos
  • 120€

WorkShop de iniciação ao trabalho de voz para texto: a respiração, a articulação, as ressonâncias, a técnica. Como usar a voz. Como dizer o texto. Um começo.

Turma 1  (Janeiro 2008 dias 15,17,22,24,29,31)
Turma 2  (Janeiro 2008 dias 16,18,23,25,30 e 1 de Fevereiro)

Técnicas de Falar para Grupos/ Públicos com Paula Neto

Falar em público, pode ser mais stressante que andar de avião ou mesmo um divórcio.

  • 14, 15, 21 e 22 de Fevereiro 2008
  • 19h às 21,30h
  • 120€

Objectivos do curso
Dominar o medo e aumentar a autoconfiança
Comunicar convincente e eficazmente
Envolver a audiência.
Gerir perguntas e participantes agressivos
Conhecer, preparar e potencializar a nossa imagem.
Manter a firmeza e a orientação para os objectivos.
Controlar o corpo, os movimentos e os gestos
Lidar com imprevistos

Conteúdo ProgramáticoRegras para a preparação de uma exposição: como definir e clarificar os objectivos, como conhecer e observar a assistência, como estruturar e respeitar o tempo, como sequenciar claramente o discurso (abertura, desenvolvimento, fecho); o guião.

Comunicar eficientemente e convincentemente: como controlar o medo e geri-lo, como explicar, como persuadir, como clarificar, o contacto ocular, a concentração.

Envolvimento da audiência: saber gerir e colocar as questões certas, partir de opiniões da assistência (agressivas ou não) e saber caminhar com elas, transmitir entusiasmo; a criatividade, o carisma e o lidar com o imprevisto (improvisar).

A imagem, o corpo, a voz, os gestos: reagir tranquilamente sob pressão, traições do corpo, controlo dos gestos, os gestos que indicam firmeza, a respiração, o impacto.

O material de apoio: qual, porquê e em que circunstâncias; como nos devemos posicionar, o que comunicar verbalmente e o que comunicar visualmente.

Sapateado com Michel

dos 8 aos 80 anos!

  • 11 de Fevereiro até 29 de Abril
  • 24 sessões de 1h30m
  • Segundas e terças-feiras das 19h às 20h30
  • 280€ (pago em três vezes)

Iniciação Teatral

com Dmitry Bogomolov

professor residente da ACT, formado pela universidade de Omsk (Rússia) 

  • Inicio dia 26 de Fevereiro até 20 de Março
  • 8 Sessões de 3h,
  • terças e quintas-feiras das 19h30 às 22h30
  • Total de 24h
  • 160 €

Magia de Close-up com Helder Guimarães

Campeão do mundo de magia com cartas

  • Férias da Páscoa
  • 24,25,26 e 27 de Março
  • total de 16h
  • para maiores de 14 anos
  • máximo de 15 participantes
  • 120€

O ilusionismo enquanto arte tem uma forte componente de engano semiótico. As imagens, sons, ideias, sensações que produzimos são uma mera ilusão com ligações a uma realidade conhecida. São estas ligações que permitem criar ilusões, levando-as à quase à perfeição da realidade. Neste espaço vamos ensinar algumas ilusões que podem ser feitas entre amigos, numa festa, num espectáculo, etc. Mas sobretudo, vamos perceber porque é que as ilusões funcionam, quais os mecanismos do engano mental que a magia utiliza para funcionar enquanto arte.

http://www.helderguimaraes.com

ACT Escola de Actores

Travessa da Saúde, 2 A Belém, Lisboa

912233497/968704248/937420643

www.act-escolaactores.com

act-workshop@act-escolaactores.com

Perguntas & Respostas: duração das peças de teatro

Li já no seu blogue que para TV se poderia considerar como "regra" (pouco fiável) um valor próximo de 1 pág. A4 = 1min. de filme. Contudo, em teatro, penso que esta regra não será válida, pois não existem os tempos mortos da TV, pelo que me parece que uma fórmula 60 págs. = peça de 1 hora não será acertada.
 
Na minha inexperiência parece-me como mais aproximado a leitura "cronometrada", em voz alta, do texto. Contudo, é pouco prático (eu pessoalmente detesto ler em voz alta).
 
Haverá uma fórmula que me aproxime de um valor de cálculo nr. págs. vs. duração da peça? Consegue dar-me algumas indicações ou ajuda nesta área?

João

 
João, com esta pergunta empurrou-me para fora da minha área de competência. Pouco tenho escrito para teatro, e sempre em formatos não convencionais, em que essa questão não se colocava. Felizmente tenho amigos mais versáteis do que eu e que juntam a simpatia ao know how. Passo a palavra à Maria João Cruz, guionista e dramaturga:

Olá João,

É uma pergunta bem pertinente com a qual me debato desde que escrevo para teatro.

De facto, não dá para aplicar as mesmas regras de minutagem de um guião de televisão ou de cinema.

Num texto para teatro, o que prevalece é a palavra, o que sai da boca dos actores – é isso que faz a narrativa e a acção. Não se pode falar numa sequência de cenas, é muito mais uma sequência de acções, o que faz logo toda a diferença. Há muito menos descrições, menos mutações de cena, a elipse é quase inexistente. Para estabelecer um paralelo pouco convencional e bastante discutivel, é como se tudo fosse um gigantesco plano sequência com câmara fixa. Portanto, é isso que se tem de minutar.

Na minha experiência,  tendo como base o trabalho que fiz para "Um Dom Quixote" e "Moby Dick", usando um template muito semelhante à de um guião de cinema, tenho mais ou menos estes cálculos: 40 a 50 páginas dão para 1.15h/ 1.30h de espectáculo, 80 a 100 páginas dão para 2h/2.30h de espectáculo. Mas também sei por experiência própria que o tempo de duração de uma peça só se consegue prever ao certo na primeira leitura com os actores.

Assim sendo e respondendo à pergunta, eu diria que para uma peça escrita nos moldes clássicos, em 3 actos, baseada essencialmente no diálogo entre actores, para um espectáculo de hora e meia não se poderá ir além das 50 páginas.

Espero que ajude.

Os melhores programas de televisão de sempre

Passo a divulgar um press release de hoje, sobre uma iniciativa importante.

No Dia Mundial da Televisão, Produções Fictícias, Diário de Notícias e Time Out, apresentam

OS 50 MELHORES PROGRAMAS DE SEMPRE DA TELEVISÃO PORTUGUESA

Esta Quarta-Feira, 21 de Novembro, Dia Mundial da Televisão, pelas 17 horas, no Teatro Tivoli os convidados Fernando Lopes, Frederico Ferreira de Almeida, Eduardo Cintra Torres, Nuno Santos, Nuno Artur Silva, e Manuel Fonseca com apresentação de Nuno Markl e moderação de João Cepeda (TIME OUT) e Rui Hortelão (director-adjunto DN) vão discutir quais os melhores programas de sempre da televisão portuguesa e sobre o futuro da produção nacional.

No âmbito do seu canal on-line PFtv, e em conjunto com o Diário de Notícias e a revista TIME OUT, as PRODUÇÕES FICTÍCIAS decidiram promover a escolha dos “50 melhores programas de sempre da televisão portuguesa”. Na sequência do que a revista TIME fez recentemente com a escolha dos 100 melhores programas de sempre, as Produções Fictícias e os seus parceiros nesta iniciativa, quiseram abrir a discussão sobre quais são, em 50 anos de televisão pública, 15 de televisão privada e 13 de canais cabo, os programas de produto nacional (excluindo noticiários e reportagens em directo) que foram mais marcantes e relevantes.

Com esta iniciativa, as Produções Fictícias, o Diário de Notícias e a TIME OUT, querem provocar uma reflexão sobre a evolução da produção nacional e quais os momentos mais destacados nos seus 50 anos de história. Num tempo em que a internet e a televisão estão cada vez mais inter-relacionadas e em que, a primeira parece começar a ocupar o lugar central que a segunda ocupava nas nossas vidas, ganha particular significado que esta discussão se faça no âmbito de um canal de televisão na internet, sendo igualmente um pretexto para reflectir sobre esta dualidade.

Assim todos os internautas são agora convidados a escolher da lista dos 50 melhores programas, da responsabilidade das Produções Fictícias, do Diário de Notícias e da TIME OUT, de forma a classificar qual o programa mais importante e relevante da Televisão nacional de sempre. Essa votação poderá ser realizada no blogue da iniciativa, onde poderão deixar também comentários.

 

Novos Workshops na ACT

A escola ACT, da minha querida madrinha (de casamento, que não tem idade para outra coisa) Patrícia Vasconcelos, anunciou hoje o seu programa de workshops que eu, com todo o prazer, aqui divulgo.

ACT lança workshops para actores e não só

Procurando abranger todas as áreas do espectáculo, desde a actuação à produção, passando pela escrita e dança, a ACT – Escola de Actores, acabou de lançar o seu novo programa de workshops, a realizar entre o final deste ano e Julho de 2008:

  • Nicolau Breyner (Interpretação e Comportamento diante das Câmaras);
  • Beatriz Batarda; (Desinibição e Expressão Dramática);
  • John Mowat (Teatro e Actuação);
  • Michael Margotta (workshop único em Lisboa);
  • Dmitry Bogomolov (Teatro da Vivência);
  • António-Pedro Vasconcelos (Escrita para Cinema);
  • Bruno de Almeida (6 Curtas);
  • Marco de Camillis (Music-Hall);
  • Michel (Sapateado);
  • Jean Paul Bucchieri (O Corpo do Actor);
  • Rosa Lobato Faria (Brincadeira com Letras);
  • Paula Neto (Falar em Público);
  • Aida Tavares (Direcção de Cena e Produção de Teatro);
  • Rui Brás; Carlos Melo (Os “Ismos” no Teatro e História do Teatro Ocidental);
  • Patrícia Vasconcelos (Casting).

Informe-se mais em www.act-escolaactores.com, onde também poderá encontrar todos os dados acerca dos Cursos de Actor, com inscrições abertas até 30 de Novembro.

Contactos:
Act – Escola de Actores
Universidade Moderna – Edifício das Artes
Travessa da Saúde, 2 A ˆ 1449-022 Lisboa
Tel./ tlm. 21 301 03 24 / 21 301 01 68 / 91 223 34 97 / 96 870 42 48 / 93 742 06 43
e.mail: act-curso@act-escolaactores.com
site: www.act-escolaactores.com

Curso #6: Encontrar a ideia (2)

“Adoro adaptar romances porque é uma forma de comunicar com outro escritor. De certa forma ficamos ligados à mente de quem escreveu o original. E é um prazer desmontar o livro e ver como ele foi feito. E depois reinventá-lo de uma forma completamente diferente, fazendo outra forma de arte a partir da mesma estória.” – Robin Swicord

No artigo anterior vimos como o nosso mundo interior e o mundo ao nosso redor são fontes inesgotáveis de ideias. Mas há pelo menos mais duas maneiras dos guionistas arranjarem inspiração: a tradição e as adaptações.

A tradição

Uma terceira fonte de inspiração em que todos os guionistas mergulham de quando em quando é a tradição. Enquanto contadores de estórias, nós somos herdeiros de uma longa linhagem que começou com os nossos antepassados que se sentavam à volta de uma fogueira e disfarçavam (ou exageravam) os seus medos com narrativas orais, e se prolongou com a descoberta da escrita, da imprensa, do cinema.

Mitos e lendas

Édipo. Sísifo. O Minotauro. A caixa de Pandora. Os mitos antigos, as lendas de todas as civilizações que precederam a nossa, os contos tradicionais, as fábulas, são fontes de ideias que podemos actualizar para os nossos dias. O que é “Wall Street” se não a estória de Ícaro adaptada a um cenário contemporâneo?

Além disso, ninguém nos impede de misturar ideias e inspirações. Muito mais do que inventar completamente a partir do zero, o que hoje fazemos quase sempre é lançar uma nova luz, um ponto de vista original, sobre algo que já foi feito antes.

Wall Street ou o mito de Dédalo

“Wall Street” é a revisão do mito de Dédalo

Padrões narrativos

Alguns estudiosos chegaram mesmo a considerar haver um número limite de estórias que podem ser contadas, de padrões narrativos a que todas as estórias se resumiriam. É o caso das “36 situações dramáticas” que o escritor francês George Polti pensava ter identificado (que iam desde a “Súplica” à “Perda dos entes amados”) ou dos “20 enredos” de Ronald Tobias (como “A Busca” e “A Decadência”).

Mais interessante, e bastante mais conhecida, é a estrutura narrativa que Chris Vogler adaptou a partir dos estudos de Joseph Campbell, a que se chama normalmente “A viagem do Herói”. Para muitos guionistas, todas as boas estórias podem, de uma ou de outra forma, ser analisadas segundo esta estrutura narrativa. Ela irá ser estudada com mais detalhe num artigo futuro.

Arquétipos

Outra forma de explorar a tradição narrativa que herdámos é através dos personagens arquetípicos, ou seja, personagens com características semelhantes que aparecem de forma recorrente em muitas estórias, lendas e fábulas.

Um exemplo é o protagonista do já mencionado “Wall Street”. Bud Fox, o personagem interpretado por Charlie Sheen, é um arquétipo que corresponde a todos os jovens ambiciosos (como Ícaro) que são atraídos pelo sol (neste caso, o fabuloso Gordon Gekko de Michael Douglas) e acabam por querer voar mais alto do que as suas asas lhes permitem.

Inúmeras estórias  podem ser escritas à volta deste personagem. Experimente, por exemplo, combiná-lo com um universo completamente diferente: “E se um jovem ciclista se deixasse tentar pelo sabor da vitória e aceitasse a pressão do seu treinador para tomar esteróides?”. É uma estória completamente diferente, criada a partir dos mesmos ingredientes comuns.

Com todas as limitações que estas fontes de inspiração têm, conhecê-las e revisitá-las quando precisamos de ideias é uma forma garantida de estimular a inspiração.

Os clássicos

Em milhares de anos a Humanidade acumulou um património riquíssimo de estórias, quer na tradição oral, quer escrita.

Os grandes textos religiosos, por exemplo, estão cheios de episódios, situações, dilemas morais, confltos, que podem ser adaptados aos nossos dias e necessidades. Todos os grandes temas da natureza humana, as nossa fraquezas, realizações, misérias, grandezas, estão presentes na Bíblia, tanto no Velho como no Novo Testamento.

Mas muitos outros romances, textos épicos, narrativas, contos e poemas podem servir como sementes para ideias. Quantos personagens “quixotescos” já encontrámos no cinema, muitas vezes até acompanhados pelos seus “sanchos” e “dulcinéias”?

Ler, ler muito, ler sempre

Um guionista atento encontra inspiração nos clássicos, nas lendas e tradições, no nosso imenso património acumulado. Para isso, tem de o conhecer. Por isso é imprescindível ler, ler muito, e de fontes muito variadas.

Biografias, livros científicos, textos filosóficos, manuais técnicos, compêndios históricos – de qualquer lado pode vir a ideia de que estamos à procura. Na biografia de um chefe de cozinha podemos encontrar a estória de uma grande paixão; num livro especulativo sobre a origem do universo, a ideia para um personagem carismático. Nunca sabemos o que nos espera em cada livro que abrimos, mas só o saberemos depois de o fazermos.

As cabeças dos guionistas, como as de todos os artistas, são máquinas misturadoras de informação, processando-a, moendo-a,  combinando-a, para gerar ideias novas a partir de padrões e temas preexistentes. Na realidade, eu acredito que há uma espécie de magnetismo inconsciente que nos atrai nas alturas certas para os livros e fontes de informação de que necessitamos. Basta apenas estarmos atentos e abertos à nossa intuição.

Adaptações

A adaptação de obras já existentes é uma quarta fonte de inspiração para os guionistas. Hoje em dia, uma boa parte dos guiões produzidos resultam precisamente de adaptações de obras criadas para outros meios. Esta é uma situação que agrada aos produtores, por duas razões: uma obra já existente representa uma incógnita menor, pois é mais fácil antevermos o que se pode esperar do guião que dela vai resultar. Além disso, se essas obras tiveram sucesso na sua primeira forma, podemos ter mais esperança que a sua adaptação também tenha sucesso.

Obviamente, quando se trata de adaptações, o guionista tem de respeitar duas coisas: em primeiro lugar, ter a certeza de que dispõe dos direitos para proceder a essa adaptação; em segundo lugar, reconhecer sempre os direitos autorais do autor da obra original, seja ele vivo ou não.

Dado que a aquisição dos direitos sobre uma obra preexistente importa geralmente alguns custos, os guiões adaptados são normalmente feitos por encomenda de um produtor. Mas pode haver excepções. Por exemplo,  se as obras estiverem no domínio público, ou se o guionista tiver uma relação especial com o autor. Ou, ainda, se o próprio guionista for o autor da obra original.

As adaptações colocam problemas muito específicos, que serão abordadas em artigos posteriores. Mas aproveito a oportunidade para fazer um pequeno apanhado das principais fontes originais, e das dificuldades e oportunidades que oferecem aos guionistas.

Contos e romances

Inúmeros filmes são adaptados de obras literárias de maior ou menor sucesso. “A Selva”, por exemplo, cujo guião eu escrevi com o guionista brasileiro Izaías Almada, é adaptado do romance homónimo de Ferreira de Castro. Um das vantagens das adaptações literárias é que os direitos dos romances clássicos já estão muitas vezes no domínio público.. Temos assim ao alcance das nossas mãos um manancial de estórias magníficas que nos podem inspirar para adaptações mais livres ou mais fiéis.

A grande dificuldade numa adaptação literária tem a ver com as características próprias de cada meio. Os romances mais ricos e interessantes têm por vezes uma narrativa não-linear, com saltos temporais e espaciais dentro da mesma página e até do mesmo parágrafo. Frequentemente têm mais do que um protagonista, e enredos paralelos de importância semelhante. Além disso, dão uma presença importantíssima à vida interior dos personagens, aos seus pensamentos, emoções, sensações, a toda a sua subjectividade.

Ora tudo isto é muito difícil de traduzir na linguagem do cinema, onde o espectador só pode conhecer o que é possível filmar,ou seja as manifestações visuais e audíveis da estória: as acções, reacções e palavras dos personagens. Assim, um dos grandes desafios de um guionista ao fazer uma adaptação é como mostrar externamente todo esse universo interior dos personagens.

Acresce a tudo isto que muitos romances têm uma dimensão tal que a sua adaptação para um filme de duração normal (90 a 120 minutos)  implica grandes cortes em cenas, secções e por vezes enredos secundários completos. É por isso que muitas vezes é mais fácil adaptar para cinema um conto ou uma novela do que um romance – a estória está normalmente mais focada num protagonista, o enredo é geralmente mais simples e sequencial, e o desafio de perceber os temas e preocupações do autor é um pouco menor.

Teatro

O teatro também pode ser uma excelente fonte para adaptações, mas tem os seus problemas próprios. Os dramaturgos enfrentaram desde sempre o problema que referi acima – para mostrar o universo interior dos seus personagens têm de recorrer apenas aos seus comportamentos e palavras.

A diferença é que as limitações práticas do teatro, em termos de cenários, amplitude da estória, número de actores, etc., leva normalmente a que os dramaturgos dêm uma importância muito grande à palavra, aos diálogos e monólogos dos seus personagens. É isso que faz, em grande parte, o sucesso de um bom texto teatral, e assegura o seu fascínio.

Ora o cinema é um meio eminentemente visual; a palavra é apenas mais um dos instrumentos que o guionista tem para contar e fazer avançar uma estória. Para alguns autores mais radicais o cinema verdadeiro acabou com a chegada dos filmes sonoros. Até aí, e com a excepção das legendas que colmatavam as falhas de exposição, a narrativa de um filme tinha de ser conduzida por meios exclusivamente visuais.

A chegada do som permitiu que os diálogos entrassem no cinema e gerou por vezes uma certa “preguiça” na busca de soluções narrativas mais visuais (e mais cinematográficas). O grande desafio na adaptação para cinema de um texto teatral, para que não estejamos apenas a fazer “teatro filmado”, é como acrescentar-lhe a dimensão visual que este outro meio exige.

Banda desenhada

Há uma tendência actual para adaptar bandas desenhadas e novelas gráficas ao cinema, com soluções que vão desde o classicismo narrativo de Homem Aranha” ao experimentalismo de  “Sin City”.

No meio deste frenesim de aquisição dos direitos de bandas desenhadas para adaptação dão-se casos curiosos como o do filme de terror “30 days of night”. O seu autor começou por pensar na estória como um filme mas quando não conseguir vender a ideia a nenhum produtor decidiu transformá-la numa novela gráfica. Esta teve um sucesso enorme e despertou imediatamente o interesse dos mesmos estúdios que antes não se tinham interessado pela estória.

Os dois meios B.D. e cinema parecem pois casar muito bem, mas a adaptação tem os seus desafios próprios. A liberdade que  a narrativa gráfica tem de se estender no tempo e no espaço,  numa imensidade de décors fantásticos, pode ser  um obstáculo importante. Além disso, muitas novelas gráficas dão também grande peso à subjectividade e universo interior dos personagens. Também aqui se colocam os mesmos problemas que nas adaptações literárias.

Jogos de vídeo

Outra tendência recente são as adaptações para cinema de vídeo games. Infelizmente a maior parte delas não passam disso mesmo – adaptações de jogos de vídeo, com narrativas simplistas e personagens lineares, tenuemente disfarçadas pela riqueza de ambientes, sequências de acção e efeitos especiais.

Musicais e músicas

Finalmente, não podemos esquecer a adaptação de obras musicais como óperas, peças de teatro musical ou mesmo obras discográficas. É o caso, por exemplo, de “Hair”, “Chicago” ou “Molin Rouge”.

Há cerca de dois anos trabalhei com o realizador António-Pedro Vasconcelos na adaptação para cinema do disco duplo “Mingos & Os Samurais”, de Rui Veloso e Carlos Tê. Foi um dos guiões que mais gozo me deu escrever e tive muita pena quando foi abandonado por questões práticas e contratuais. Mas ainda tenho esperança de o vir a ver de pé outra vez.

Conclusão

Falta de fontes de inspiração não pode ser desculpa para não se conseguir uma boa ideia cinematográfica. Elas estão aí, à nossa disposição. Basta saber procurá-las e usá-las convenientemente, imprimindo-lhes a nossa perspectiva e cunho pessoal. É disso que passaremos a falar nos próximos artigos deste Curso de Guião.