Em Luanda a poeira manda. Não é um ditado popular angolano, mas podia ser. O clima seco e a composição do terreno contribuem para que haja sempre uma fina nuvem de pó vermelho no ar, que entra em todo o lado, cobre todas as superfícies, entope narizes e aparelhos de ventilação.
Recordo que uma vez, num estacionamento de Luanda Sul, vi uma fila de jeeps Toyota importados, novinhos em folha… e todos da cor vermelha da poeira acumulada.
Quando a chuva cai, abundante, dá uma lavagem geral na cidade. As plantas recuperam temporariamente os seus tons verdes vivos, e a cidade parece, durante algum tempo, um pouco mais limpa, um pouco mais viva. Mas quando o sol regressa, inclemente como está hoje, a poeira reclama o seu domínio. E Luanda curva-se perante ela.