Perguntas & Respostas: porque é que não consigo chegar ao fim?

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O meu pro­blema é que começo a escre­ver as cenas, diá­lo­gos, mas depois, não gosto e apago, depois volto a escre­ver e apa­gar, e até eu ficar satis­feito, é pre­ciso muita coisa, mas um dia acho que vou come­çar a por isto direi­ti­nho, com estas aju­das… É que tenho medo de estar a criar uma his­tó­ria seca, e eu quero uma his­tó­ria que deixe as pes­soas ansi­o­sas de ver a pró­xima cena. Posso escre­ver o guião, e ele nem sair do meu pc, mas ao menos fico satis­feito comigo mesmo.

Gon­çalo

Gon­çalo, você está no bom cami­nho. A única “regra” em que quase todos os gui­o­nis­tas estão de acordo é que uma boa his­tó­ria é aquela em que cada cena man­tém o espec­ta­dor curi­oso sobre o que vai acon­te­cer a seguir. O guião pode estar cheio de “erros” téc­ni­cos, pro­ble­mas estru­tu­rais, defei­tos de carac­te­ri­za­ção, diá­lo­gos coxos mas, se con­se­guir man­ter o lei­tor agar­rado, tem o essen­cial para poder vir a ser um grande guião. A rees­crita serve essen­ci­al­mente para cor­ri­gir todos esses outros problemas.

Quanto à sua ques­tão con­creta, cada gui­o­nista tem um método dife­rente de abor­dar as his­tó­rias, e você apa­ren­te­mente ainda não encon­trou o seu. Scott Frank refe­ria, numa entre­vista que des­ta­quei aqui, que começa cada dia de escrita rees­cre­vendo o que fez na vés­pera até che­gar ao ponto onde parou. Outros gui­o­nis­tas, con­tudo, pre­fe­rem escre­ver o pri­meiro draft o mais rapi­da­mente pos­sí­vel sem olhar para trás (o que já ouvi cha­mar de “vomit draft”). Há auto­res que gos­tam de ter uma esca­leta (step outline) muito deta­lhada antes de come­ça­rem a escre­ver; outros gos­tam de ter ape­nas uma ideia geral do cami­nho em que que­rem avan­çar e vão des­co­brindo a his­tó­ria passo a passo. Outros ainda variam o método de acordo com os pra­zos que têm e a natu­reza da his­tó­ria que estão a escrever.

Olhando para o seu pro­blema, como o des­creve, eu suge­ri­ria que fizesse um pla­ne­a­mento pré­vio bas­tante deta­lhado da sua his­tó­ria antes de come­çar a escre­ver. Pode ser a esca­leta cena a cena, ou um tra­ta­mento de uma dúzia de pági­nas, ou uma série de car­tões de notas. Depois de estar satis­feito com esta estru­tura de his­tó­ria, deve­ria então ten­tar escrevê-​​la toda de seguida, sem vol­tar atrás. Pense que depois de ter­mi­nar a pri­meira ver­são do guião terá todo o tempo do mundo para a ana­li­sar, detec­tar os seus erros e pro­ble­mas, e reescrevê-​​la a seu bel-​​prazer. Mas terá nessa altura a van­ta­gem psi­co­ló­gica de já ter pas­sado a fase da escrita; estará na rees­crita, em que o lado raci­o­nal já cami­nha lado a lado com o lado cre­a­tivo de uma maneira mais proveitosa.

Só há uma maneira de saber se este método vai fun­ci­o­nar para si: é experimentá-​​lo num pro­jecto con­creto. Por­que é que não apro­veita a boleia do Script­Frenzy?

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ivana rowena Agosto 3, 2010 às 22:21

Olá, João!

Gostaria de saber o que deve constar num projeto de seriado já que fui convidada a apresentá-lo a um diretor de televisão interessado.

Como não tenho um modelo a que recorrer, lí o livro da Ellen Sandler mas ela fala no pitching, o que não é meu caso. Também pesquisei inúmeros seriados americanos já que no Brasil temos pouco acesso a este produto televisivo.

O formato é de um seriado de 4 temporadas com 4 episódios cada, de 40´ + 3 intervalos comerciais por dia de exibição (semanal)

agradeço se puder me responder…

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