“Bem-vindo ao meu novo post! Este é um conteúdo de exemplo criado para o seu site WordPress.“
O WordPress, plataforma que uso para criar e manter este site, tem um novo assistente AI chamado Kodee. Ninguém o pediu, provavelmente todos o vão detestar, mas os criadores do WordPress não resistiram à tentação de o adicionar à plataforma.
Afinal, quem hoje não tem AI no seu software é o quê mesmo: uma espécie de neandertal da tecnologia?
Ora, o Kodee é um assistente carente. Desde o início que me suplicava para lhe dar uma oportunidade.
Como hoje precisava escrever um novo artigo, resolvi testá-lo com a opção “Criar um post”. A minha expectativa era que ele iria tratar da parte mecânica: criar o documento, preencher alguns campos, eventualmente sugerir-me temas coerentes com o conteúdo do blogue, etc.
Mas não.
O pequeno adiantou-se e criou, escreveu e publicou um artigo chamado “Novo post incrível”.
Com o incrível conteúdo “Bem-vindo ao meu novo post! Este é um conteúdo de exemplo criado para o seu site WordPress.“
Tive que desativá-lo para escrever este comentário à experiência falhada. E é óbvio que nunca mais o irei usar.
Mas tremo só de pensar que, para muitas “quintas de blogues”, esta nova funcionalidade vai ser aproveitada para tornar ainda mais fácil acrescentar bosta à torrente pestilenta que desde há uns anos está a inundar a blogosfera.
É cada vez mais difícil descobrir pela primeira vez um novo blogue interessante, com uma voz própria e conteúdo relevante.
Os resultados das pesquisas chegam inundados por artigos todos semelhantes, muito bem organizados, com informação genérica e sem ponto de vista, escritos por autores-ciborgues movidos a Inteligência Artificial.
Entristece-me que o WordPress, que há vinte anos contribuiu decisivamente para a criação de uma web rica, pujante e diversificada, pareça agora empenhado em criar pás mais eficientes para os seus coveiros.
Nota final: a imagem de capa deste artigo também foi criada pelo WordPress. O resultado é bom, mas, por respeito a todos os artistas, fotógrafos, ilustradores e criativos que foram roubados dos seus direitos intelectuais para criar imagens como esta, não vou repetir a experiência.



