A curta metragem “O Presente” é mais um dos episódios do projeto “O Dez”. Neste caso acumulei a realização com a escrita do guião, como já expliquei aqui há algum tempo atrás.
Todos os méritos que virem nesta curta metragem podem ser, direta ou indiretamente, imputados ao fantástico grupo de gente talentosa com que tive a honra de trabalhar; os deméritos, obviamente, assumo-os por completo.
Estou muito curioso de ouvir as opiniões dos leitores do blogue. Sirvam-se dos comentários no fim deste artigo para deixarem o vosso veredito, tanto quanto à estória como quanto ao trabalho de realização. Não precisam ser simpáticos; basta serem honestos.
Se quiserem comparar o guião original com o resultado final filmado podem baixá-lo aqui, ou na página de Recursos: O Dez: O Presente (22).
R. C. Johnson, o argumentista e realizador de “Brick” (filme que é considerado o novo “Donnie Darko”), disponibilizou no seu site o tratamento original e o guião final do filme. Pelo que vi até agora, as semelhanças são maiores com o universo de um “Blue Velvet” passado num universo adolescente. Descobri-o através do site do Nuno Markl, e não posso deixar de o recomendar.
Dois aspetos curiosos: em primeiro lugar, o formato do tratamento, muito extenso (setenta e tal páginas), que foi escrito ao jeito dos romances ‘noir’ de Dashiel Hammet e quejandos. Até usa a narrativa na 1ª pessoa, ao arrepio de tudo o que se recomenda para a escrita de um tratamento cinematográfico. Além disso ainda o salpicou com ilustrações de um amigo, que ajudam a dar o ambiente pretendido, e caracterizam muito bem os personagens que populam a narrativa.
É um exemplo de como, quando se sabe o que se está a fazer, é possível quebrar ‘as regras’.
Não é vulgar ler-se tratamentos tão completos, mas também não é inédito; James Cameron, por exemplo, é adepto dos tratamentos muito extensos e completos (a que chama ‘scriptments’), que dão uma ideia perfeita do universo da estória, dos personagens e do enredo. E William Goldman, num dos seus livros, refere uma vez ter escrito (ou ter-se proposto a escrever — já não recordo) um tratamento com centenas de páginas, em que todos os detalhes do filme ficariam perfeitamente explícitos.
O segundo aspecto a destacar é que o autor enriqueceu o guião com notas de rodapé. Mas atenção — as notas de rodapé são apenas da versão agora divulgada, não faziam parte do guião original. São uma espécie de comentário ao guião, à maneira daqueles comentários orais que às vezes se incluem nas edições especiais dos DVD’s dos filmes. Vale a pena baixar o documento e depois procurar o filme, que o Nuno Markl diz ter sido editado agora em Portugal. É o que eu vou fazer.
Estamos a aproximar-nos do fim de “O Dez”. O episódio de hoje, “Anestesia”, tem guião meu a partir de uma ideia original do Pedro Varela, que também realiza.
Encontrei um documento fascinante: o organigrama da Walt Disney Studios em 1943, em plena 2ª Guerra Mundial.
Em vez de ser organizado hierarquicamente, como é costume, de cima para baixo (dos manda-chuvas para a mão-de-obra), é organizado funcionalmente, de acordo com o processo de criação. E tudo começa na estória, obviamente.
Uma nota curiosa: na parte de gestão há uma secção chamada ‘Morgue’. Fiquei curioso, claro, e acabei por descobrir que ‘morgue’ também é a designação de ‘arquivo-morto’ de imprensa.
“Manobra de Heimlich” é mais um episódio de “O Dez”. Este tem guião meu e do Paolo Marinou-Blanco a partir de um argumento original de João Quadros.
Preciso de saber se alguém está a ter problemas em visualizar os vídeos do Youtube aqui no blogue. Por exemplo, as duas entrevistas com os guionistas premiados nos Óscares, ontem à noite, ou o vídeo que inseri neste mesmo artigo.
Na cerimónia dos Óscares deste ano os dois vencedores nas categorias de Ator e Atriz Secundários foram os antagonistas nos seus filmes. O que podemos aprender com isso?
O Estadão, um dos grandes jornais de São Paulo, criou uma página online que permite analisar os vencedores dos Óscares segundo diversos critérios.
Estão a decorrer os editais para os concursos de apoio à escrita no Brasil. Os prazos são agora para Março, por isso não se atrase. O blogue Roteiro de Cinema News tem as informações necessárias.
O guião de “Alice in Wonderland” escrito por Linda Woolverton para Tim Burton realizar já está disponível na net. O curioso é que, ao contrário do que geralmente se recomenda, começa com um glossário, uma lista de personagens, e um mapa.
ScriptCollector é um dos sites mais interessantes para obter guiões, antigos ou recentes, para leitura e estudo. E, como não me canso de repetir, ler guiões reais é uma das melhores formas de aprender a escrevê-los.
Mais um episódio de O Dez, desta vez com guião meu e do Paolo Marinou-Blanco, a partir de um argumento original de Leandro Ferrão, que também realizou.
Pedi a um dos meus ex-alunos dos cursos de escrita para cinema e televisão das Produções Fictícias que escrevesse um pequeno artigo sobre o curso que tirou a seguir: o da New York Film Academy. Ele enviou-me esta pérola, que partilho convosco com todo o prazer.
Este é o site onde o autor português João Nunes escreve sobre guionismo, cinema, televisão, tecnologia, e todas as coisas que lhe interessam.