Mais um trailer de Conexão

Já tinha publicado antes este trailer mais extenso de Conexão, mas para quem ainda não viu aqui o repesco. É  o trailer preparado para apresentação do filme na Berlinale, e dá um pouco melhor a ideia do que Conexão pretende ser.

O diálogo que aparece no trailer despertou alguma curiosidade por parte de leitores. Está publicado integralmente num artigo mais antigo do blogue, que podem ler aqui.

A página com todos os artigos que já publiquei sobre Conexão pode ser consultada aqui.

Oscares 2011: contagem regressiva

Nos últimos dias temos vindo a apreciar os principais filmes candidatos aos Oscares nas categorias de argumento, como Indomável ou O Discurso do Rei.

Mas com o resultado já definido pela academia e faltando poucos dias para a premiação, há outros filmes nem tão aclamados que marcaram presença nas indicações e, quem sabe, podem conseguir alguma estatueta.

Roteiro original:

O Vencedor (O Lutador) –  com roteiro de Scott Sliver, Paul Tamasy e Eric Johnson, e dirigido por David O. Russel, o longa conta a história real dos irmãos boxeadores Dicky Eklund e Micky Ward que se juntam para treinar para uma luta. O filme traz uma história de redenção e a discussão sobre relações familiares. Além de concorrer como melhor roteiro original, disputa ainda melhor filme, diretor, ator coadjuvante, atriz coadjuvante e edição. 

Another Year – Escrito e dirigido por Mike Leigh, o filme era favorito em Cannes, mas acabou sendo desbancado por um filme tailandês. O longa conta a história de um casal de meia-idade, Tom e Gerri, que formam uma família feliz, mas enfrentam os problemas das pessoas que os rodeiam.

Minhas mães e meus pais (Os miúdos estão bem) – Lisa Cholodenko dirige o filme e também divide os créditos do roteiro com Stuart Blumberg. O longa conta a história de um casal de lésbicas que têm dois filhos por inseminação artificial. O conflito se forma quando os filhos decidem descobrir quem é o pai dos dois. 

Roteiro Adaptado:

127 Horas –  Baseado em história real, 127 Horas reconstitui o episódio do alpinista Aron Ralston, que tem o braço preso por uma pedra durante uma escalada nos cânions de Utah. O longa foi dirigido por Danny Boyle que também assina o roteiro adaptado com Simon Beaufoy. A dupla também trabalhou junto no filme Quem quer ser um Milionário.

Inverno na Alma (Os Despojos do Inverno) –  Com status de independente, o filme conta a história de uma jovem adolescente que, por causa do risco de perder a casa onde mora, sai em busca de seu pai desaparecido, um traficante de droga procurado pela polícia. O longa, baseado na obra de Daniel Woodrell, é dirigido por Debra Granik e adaptado por ela e Anne Rosellini.  O filme também concorre nas categorias de melhor filme, atriz e ator coadjuvante.

Laboratório de Novas Histórias para aperfeiçoar o seu roteiro

O Sesc/Senac de São Paulo está com inscrições abertas para o Laboratório de Novas Histórias. Serão selecionados 10 roteiros para receberem consultoria individual durante o Laboratório. A organização ainda não fechou os nomes dos roteiristas convidados, mas promete cinco nacionais e cinco internacionais.

Dos dias 10 a 13 de maio de 2011, os roteiristas selecionados ficarão hospedados em Campos do Jordão (SP) tendo encontros com os consultores. Segundo a organização, dos 118 filmes que já participaram do Laboratório, 34 foram já lançados no mercado e outros sete serão lançados em breve. Com destaque para Cinema, Aspirinas e Urubus e Cidade de Deus.

As inscrições já estão se encerrando, vão até o dia 04 de março e são aceites apenas roteiros finalizados.

Mais informações no site do evento.

Toy Story 3 – para quem gosta ou não de animação

Até quem não gosta muito de animação se rendeu aos encantos de Toy Story 3. Basta dizer que o filme foi eleito por ninguém menos do que Quentin Tarantino, como melhor filme do ano de 2010. O longa é dirigido por Lee Unkrich, com roteiro adaptado por Michael Arndt, vencedor do Oscar de melhor roteiro com Pequena Miss Sunshine. Nessa edição, Toy Story 3 concorre como melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor animação, categoria na qual é favorito.

A história conta a trajetória do cau­bói Woody e do herói espacial Buzz Lightyear, quando o dono Andy está com 17 anos e às vésperas de entrar para universidade. O encanto do filme deve-se muito ao roteiro em que os brinquedos vivem sensações tão humanas que dão arrepios em quem está assistindo. 

O roteirista Michael Arndt, adaptou a história de John Lasseter, Andrew Stanton e Lee Unkrich. Em uma entrevista ele conta que passou três anos escrevendo e reescrevendo Toy Story 3, e não mudaria uma única coisa no resultado final.

O trabalho de reescrita fica visível na sequência que eles chamaram de “crescidos” (quando Woody convoca uma reunião). “Eu fiz 60 versões diferentes daquela cena antes de arrumarmos a definitiva. Foi uma das cenas que eu mais reescrevi”, confessa.

Vamos ver se os votantes do Oscar também se renderam a animação. 

True Grit – o faroeste dos irmãos Coen

Na lista dos favoritos ao Oscar 2010 está o faroeste (western) dos irmãos Coen,  Bravura Indômita (Indomável), com 10 indicações, incluindo de melhor filme e melhor roteiro adaptado. O filme é baseado romance de Charles Portis, que teve a primeira adaptação para o cinema em 1969, dirigida por Henry Hathaway, com John Wayne como protagonista, dando a ele o Oscar de melhor ator. Agora, Ethan e Joel Coen voltam ao livro para fazer sua versão do faroeste.

No filme, a garota Mattie Ross (Hailee Steinfeld), aos 14 anos, empenhada na vingança do assassinato do pai, contrata o oficial beberrão Rooster Cogburn (Jeff Bridges). A trama cruza com LaBoeuf (Matt Damon), um Texas Ranger que também busca o mesmo criminoso por causa de uma recompensa. Está formado o trio central do roteiro.

A história sobre lealdade é envolvente e, se pensarmos em indicados a categoria de melhor roteiro adaptado, faz um contra-ponto com a superficialidade dos relacionamentos mostrados em A Rede Social.

Os irmãos Coen já levaram o Oscar de melhor roteiro adaptado com o filme Onde os Fracos Não tem Vez (Esta terra não é para velhos), em 2007. Agora é esperar para ver se levam mais esse.

Revista Drama analisa as curtas metragens

O próximo número da revista Drama, publicação online da APAD – Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos dedicada ao cinema, televisão e teatro, é lançado no próximo sábado. A revista estará também disponível para consulta nessa data.

A APAD e o Daniel Ribas, editor e coordenador da revista, estão a convidar todos os interessados para assistir à sessão de lançamento, que incluirá a projeção de várias curtas-metragens e um debate com alguns autores. Os detalhes estão mais abaixo.

Por curiosidade, escrevi um pequeno artigo neste número sobre a minha experiência como argumentista/realizador de uma curta-metragem. Se quiserem ler, poderão consultar a revista a partir de sábado, através do site da APAD: http://argumentistas.org

Press Release

Convidamo-lo a assistir ao lançamento do número 3 da revista DRAMA – revista de cinema e teatro. O evento terá lugar na Casa da Animação, no Porto, no dia 26 de Fevereiro às 17 horas, numa iniciativa conjunta da APAD (Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos) e do Cineclube do Porto. 

Esta sessão de lançamento terá a projecção de três curtas-metragens: 

"A Felicidade" de Jorge Silva Melo
"Paisagem Urbana com Rapariga e Avião" de João Figueiras
"Senhor X" de Gonçalo Galvão Teles.

Depois da projecção, seguir-se-á um debate que contará com a participação de Miguel Dias (Director do Curtas de Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema), Rodrigo Areias (Realizador e Programador de Guimarães 2012) e Gonçalo Galvão Teles (Realizador e Argumentista).

O tema do número 3 da DRAMA é a Curta-Metragem, e conta com entrevistas a Richard Raskin, Paul Wells, Miguel Dias, Tiago Rodrigues e Marcos Jorge; textos de João Nunes, Carlos Conceição e Paulo Cunha (entre muitos outros); e um destaque ao argumentista italiano Tonino Guerra. A DRAMA é uma revista online de cinema e teatro publicada pela APAD – Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos. (Em anexo segue a capa do Número 3).

Venha conhecer a DRAMA no dia 26 de Fevereiro ou visite, a partir dessa data, o site http://drama.argumentistas.org/

(A sessão de lançamento da DRAMA tem o apoio da Casa da Animação e da Agência da Curta Metragem.)

Fantasporto 2011

A 31ª Edição do Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto abre hoje as portas no Teatro Municipal Rivoli, exibindo em antestreia nacional 127 Horas, o filme realizado por Danny Boyle, nomeado para 6 Oscares da Academia este ano.

Até dia 6 de Março, os apreciadores do fantástico poderão assistir a mais de 300 curtas e longas metragens com o imaginário a que o Fantas já nos habituou, todas antestreias em Portugal, algumas mesmo europeias e mundiais.

Como vem sendo habitual, um painel de jurados avaliará a vertente competitiva do Festival, este ano com dois novos prémios: Grande Prémio do Cinema Português e Prémio Jovem Realizador.

O Fantas espera receber mais de 500 convidados, cerca de 200 dos quais estrangeiros e 150 realizadores portugueses.

Dia 5 de Março, sábado de Carnaval, realiza-se a tradicional festa de encerramento, o Baile dos Vampiros, no Teatro Sá da Bandeira.

Portugueses preferem ver filmes na televisão

A televisão continua a ser a plataforma preferida pelos portugueses para ver filmes em 2010. Quem o diz é o estudo da Obercom, que conduziu entrevistas sobre os hábitos de consumo de cinema em Portugal continental a 1258 indivíduos.

Segundo este estudo e os dados do ICA, as salas de cinema em Portugal registaram uma afluência de 16,6 milhões de espectadores, o que representa um crescimento de 5,4% face a 2009, constituindo o valor mais elevado desde 2005.

Ainda assim, é nos canais de televisão que mais portugueses vêm filmes. Em segundo lugar vem o DVD e só depois as salas de cinema, que são essencialmente preferidas pelos escalões mais jovens da população. Dos inquiridos entre os 15 e os 25 anos, 71,3% afirmaram ter assistido a filmes no cinema.

É também na televisão que mais portugueses assistem a filmes de produção nacional.

Apenas 3,2% dos inquiridos se deslocaram às salas de cinema para assistir a filmes portugueses. Nos filmes de origem nacional, o DVD surge em terceiro lugar.

No entanto, o factor acidental continua a ter um peso elevado sobre o visionamento da produção nacional, tendo 35,9% declarado ter visto filmes portugueses porque "estavam a passar na televisão". Este valor reforça a importância da programação televisiva para a produção cinematográfica nacional e reforça a necessidade de televisões e produtoras se unirem para revitalizar o cinema português.

Só mais um dado curioso, 21,2% dos inquiridos declararam sentir vontade de visitar um local por influência de filmes, o que é, sem dúvida, um dado que pode abrir as portas para uma amizade, ou mesmo cumplicidade, entre produção nacional e organizações ligadas ao turismo.

Para quem gosta de números e gráficos, como eu, pode consultar o estudo integral aqui.

“Conexão” em Março na RTP1

Conexão, a mini-série que eu escrevi há já algum tempo para a RTP, deve estrear durante o mês de Março.

É uma produção da Stopline Filmes com realização de Leonel Vieira, e passa-se no submundo do tráfico de droga do norte do País e da Galiza, uma das principais portas de entrada de estupefacientes na Europa.

Explorando as conexões entre os traficantes do Minho e da Galiza, e a forma como a presença desse tráfico interfere na vida dos pescadores locais, Conexão tem como protagonistas Ivo Canelas e António Cordeiro, à frente de um excelente leque de atores portugueses e espanhóis.

A RTP já está a divulgar o trailer promocional, que podem ver aqui. Digam lá se não promete?

Dia dos Namorados: ode às Comédias Românticas

Parece não haver meio termo: há quem as adore, há quem as odeie.

Mas em Dia de Namorados, a comédia românica é incontornável. Não é só um filme romântico, não é só uma comédia: é um género próprio. Mesmo a sua escrita tem regras, o que leva a que muitos críticos as acusem de previsíveis. A verdade é que a comédia romântica não tem a premissa dramática da maior parte dos outros filmes. Numa comédia romântica a questão (quase) nunca é "Vão ficar juntos?" mas sim "Como é que vão ficar juntos?" De certa maneira, é a versão adulta dos contos de fadas. Sabemos que acabam bem, mas como lá chegar?

Quem vai ver um filme destes já sabe com o que conta. Começamos por conhecer os protagonistas no seu mundo próprio. Depois conhecem-se um ao outro numa situação normalmente cómica e que gera instantaneamente amor… ou ódio profundo. Pouco tempo depois temos conhecimento do obstáculo principal do casal, mas que vai sendo sempre adiado por pequenos outros obstáculos, cada um deles difícl mas ultrapassável, até que o obstáculo principal não pode continuar a ser ignorado e cai como um saco de tijolos entre eles, causando a separação do casal. Já no terceiro acto, um ou ambos os protagonistas compreendem que o obstáculo não é assim tão importante, ultrapassando-o em nome do amor, geralmente com um gesto grandioso, impulsivo, disparatado ou original. Et voilá, felizes para sempre.

Quando a comédia romântica se desvia destes pressupostos, é bom que tenha um motivo muito forte ou é mais que certo que a plateia se vai sentir enganada.

No entanto, não é por ter uma estrutura tão previsível que devemos deixar de apreciar estas histórias. Em primeiro lugar, porque a comédia tem geralmente origem em situações embaraçosas, pelas quais quase toda a gente já passou. É muito comum os autores terem ou conhecerem alguém que tenha passado por isso. E depois, porque tendo uma estrutura tão rígida, muitas optam por ter um tema mais profundo, enriquecendo assim história e personagens. As melhores comédias românticas, aliás, tal como os melhores filmes, são as que exploram temas universais e complexos, temas que vão para além da experiência romântica e que na verdade são temas da própria existência humana. Todas as grandes comédias românticas vingaram graças a esta universalidade.

Finalmente, um elogio a um género que tem vindo a crescer discretamente em Portugal. A comédia foi a grande força do cinema português durante muito tempo, na sua época dourada. O drama e o policial tornaram-se os géneros mais comuns em décadas recentes, mas nos últimos anos assistiu-se ao emergir deste género, incluindo o recente "A Bela e o Paparazzo", escrito por Tiago Santos, e que se tornou um sucesso comercial em português. Será um género que começa finalmente a ter expressão e apreciação em terras lusitanas?

No fundo, o amor acontece… e nós gostamos de o ver acontecer. Adorem ou odeiem, o sucesso das comédias românticas é inquestionável… ainda que alguns digam que é só porque os bilhetes se vendem aos pares…

Pergunta: quais são as suas comédias românticas favoritas? Deixe a resposta nos comentários deste artigo.

Autor de “Sedução” dá master class sobre telenovelas

No dia 24 de Fevereiro, pelas 18h30, vai decorrer no auditório da Sociedade Portuguesa de Autores uma "master class" com o tema "Telenovela: da escrita ao ecrã". Os participantes vão poder ouvir o autor e diversos intervenientes da telenovela Sedução  falar sobre o processo de criação de uma novela portuguesa.

Estarão presentes o argumentista Rui Vilhena, autor de várias telenovelas de grande sucesso, o coordenador de projetos e responsável artístico, Hugo Sousa, e os actores Fernanda Serrano, Dalila Carmo, Rui de Carvalho e Pedro Granger. A coordenação da sessão estará a cargo da argumentista e atriz Isabel Medina.

A entrada é livre e a sessão decorrerá como uma conversa informal, com participação do público presente, no Auditório Maestro Frederico de Freitas na Sociedade Portuguesa de Autores, Av. Duque de Loulé – 31 – Lisboa. 

Compositor Nuno Malo nomeado para os IFMCA

O compositor algarvio Nuno Malo, atualmente radicado em Los Angeles, foi nomeado para os prémios da International Film Music Critics Association, segundo notícia divulgada no sábado.

As nomeações incidem na categoria de Revelação do Ano (breakout composer of the year) e Melhor Banda Sonora Original para um Drama (best original score for a drama film), ambas pelo seu trabalho de composição da banda sonora do filme português Amália.

Ao Nuno Malo, os meus sinceros parabéns. Podem saber mais sobre ele no seu site pessoal.

Vencedores dos BAFTA 2011

Ainda em época de prémios, foram já anunciados os vencedores dos BAFTA.

Entregues domingo, 13 de Fevereiro, pela British Academy of Film and Television Arts, os primos britânicos dos Oscares distinguiram O Discurso do Rei em 7 das 14 categorias para que estava nomeado, incluindo Melhor Filme e Melhor Argumento Original de David Seidler.

Aaron Sorkin, ainda em alta e confirmando o favoritismo, leva para casa mais um prémio de Melhor Argumento Adaptado com a sua Rede Social.

Houve ainda prémios de carreira "Academy Fellowship" para Sir Christopher Lee e "Outstanding British Contribution to Cinema" para a saga Harry Potter, que apresentou ao mundo equipas inteiras de britânicos na produção de uma saga de blockbusters mundiais, papel habitualmente reservado à indústria de Hollywood.

A batalha entre O Discurso do Rei e A Rede Social adensa-se a apenas duas semanas dos Oscares. Quem vencerá a estatueta dourada para Melhor Filme do Ano? O "Discurso" preferido dos britânicos ou a "Rede" eleita pelos Globos de Ouro?

Ou teremos todos uma surpresa?

Já experimentou este blogue no seu telemóvel?

Graças a um plugin do WordPress chamado WP-Touch este blogue tem uma versão mobile muito funcional, otimizada para os telemóveis mais recentes. É possível aceder à maior parte das páginas e a todos os artigos.

A leitura dos artigos também é muito confortável, com um tipo de letra grande e uma boa escolha de fontes.

Quando estiver disposto a gastar mais uns euros (e perder mais umas horas) vou comprar a versão Pro, que dá um controlo ainda maior sobre o design do site. Essa versão possibilita ainda criar design específico para o iPad, o que também pode ser interessante. Mas, para já, estou satisfeito com o resultado.

Já o experimentei num iPhone, e gostava de saber como é que funciona noutras plataformas. Se usar um telefone Android, Blackberry, Symbian ou Windows Mobile e tiver a paciência de visitar-me no seu telemóvel para deixar um comentário a este artigo, agradeço.

Brasil também está no Oscar 2011

Mesmo não conseguindo entrar na lista dos indicados a melhor filme estrangeiro, o Brasil faz uma ponta no Oscar 2011 com a co-direção do documentário Lixo Extraordinário. O filme mostra o projeto do artista plástico brasileiro, que mora há anos nos Estados Unidos, Vik Muniz, realizado com catadores de material reciclável do aterro do Gramacho, no Rio de Janeiro.

A arte de Vik Muniz, criada a partir de lixo reciclado

A direção é compartilhada pela inglesa Lucy Walker e os brasileiros João Jardim e Karen Hartley. João Jardim contou ao jornal Gazeta do Povo como se construiu a colaboração. Segundo ele, Lucy veio ao Brasil e filmou por dez dias e teve de ir embora para outro trabalho, foi quando Jardim assumiu as filmagens por cerca de 60% do filme, depois Karem Harley tocou o trabalho até o fim. Com todo material filmado, as gravações voltaram para Lucy que montou a obra.

O documentário, apesar de trazer a forte realidade das pessoas que trabalham no lixão, também mostra a ideia positiva de transformação da através da arte. Vik fotografa os catadores e depois produz uma gigante instalação de arte com dejetos recolhidos pelos próprios catadores. A obra é novamente fotografada, agora com os traços todos preenchidos por materiais recicláveis. O efeito visual é incrível. Então, essas novas fotos são enviadas a leilões estrangeiros. Todo o dinheiro conseguido com as vendas é revertido para a Associação do Aterro Sanitário de Jardim Gramacho. O documentário mostra toda essa trajetória.

Vale lembrar que documentários sobre brasileiros estão em alta no exterior. Na última edição do festival de Sundance, “Senna” , documentário sobre a trajetória do piloto de Fórmula1 mais popular do país, ganhou o prêmio de melhor documentário internacional segundo o júri popular.

Festival de Cinema de Berlim 2011

Indomável (True Grit) dos irmãos Coen foi o filme escolhido para abrir dia 10 de Fevereiro a 61ª edição de Berlinale, o Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Até dia 20 de Fevereiro, a capital alemã vai ser também a capital do cinema, recebendo mais de 19 000 profissionais da indústria cinematográfica representando 128 países.

Referência entre os Festivais de Cinema, Berlinale exibe todos os anos cerca de 400 filmes e tem sido local priveligiado para primeiras exibições. Só este ano, mais de metade das 53 longas metragens em exibição fora da competição são estreias mundiais.

O Festival conta com a presença da língua portuguesa graças a 3 longas metragens do Brasil, entre elas Tropa de Elite 2, que abre o ciclo de exibições Panorama. O autor e realizador José Padilha regressa a Berlim com a sequela do filme que lhe valeu o Urso de Ouro em 2008, Tropa de Elite.

Aos Urso de Ouro e Urso de Prata concorrem este ano 16 filmes. O júri, presidido por Isabella Rossellini, anunciará os vencedores dia 19 de Fevereiro.

O Discurso do Rei: campeão de indicações

Nesse Oscar 2011, o campeão de indicações concorrendo em 12 categorias é o filme O Discurso do Rei, dirigido por Tom Hooper e escrito por David Seidler. Entre as categorias que ele pode levar a estatueta está a de melhor roteiro original e melhor filme tendo como maior oponente o filme A Rede Social .

O roteiro de David Seidler, que conta a história do rei George VI e seus problemas de fala, se passa em um momento histórico tenso para a família real britânica: véspera da II Guerra Mundial e em meio a uma crise de sucessão ao trono. O roteiro explora muito bem os vários níveis de conflito que um personagem pode estar envolvido. O mesmo rei que precisa conduzir sua nação a mais uma guerra mundial, também precisa lidar com seus traumas internos e as pressões familiares. Além, é claro, de ser o Rei e isso por si só é um enorme conflito para ele.

O grande desafio é um discurso feito na rádio para toda a nação, anunciando a entrada na Guerra. Mas para superar todos os obstáculos conta com seu médico e amigo Lionel Logue. O roteiro incorporou citações originais tiradas dos diários de Logue, que foram descobertos nove semanas antes do início das filmagens pelo neto Mark Logue e que posteriormente viraram livro.

O filme, que mostra a rainha Elizabeth II ainda menina, foi assistido pela monarca e, segundo a agência de notícias EFE, ela se emocionou com a história: “Faz você se sentir muito humilde”.

"Esta história foi escrita e filmada com grande amor, admiração e respeito com o pai de Sua Majestade. O fato de ela ter respondido favoravelmente é algo incrivelmente gratificante", concluiu Seidler.

Uma curiosidade: David Seidler também era gago quando criança. A frase comum nos livros de roteirismo “escreva sobre algo que conheça” faz algum sentido nessa história, não é?

Vencedores dos Writers Guild Awards 2011

A associação de guionistas americanos já escolheu os seus vencedores para este ano.

Os Writers Guild Awards, anunciados ontem, premiaram Christopher Nolan, pelo seu Argumento Original A Origem e Aaron Sorkin, na categoria de Argumento Adaptado, por A Rede Social.

A lista completa de nomeados pode ser consultada aqui.

Na categoria de melhor documentário foi escolhido Inside Job – A Verdade da Crise, de Charles Ferguson, Chad Beck e Adam Bolt.

Quanto à televisão, Mad Men, Modern Family, Boardwalk Empire, The Colbert Report e The Special Relationship receberam prémios para melhores séries, havendo ainda prémios para melhores episódios de Mad Men, 30 Rock e The Pacific.

2010 – O Ano da Profundidade

"I've been saying this since Day One. 3D is the waste of a perfectly good dimension." — Roger Ebert

Avatar lançou o mote no último mês de 2009. Em 2010, os estúdios lançaram-se em massa à loucura do 3D. Este foi, sem dúvida, o ano da profundidade: filmes de acção, fantasia, animação, terror, documentários – parece que todos tiveram algo a mostrar em 3D.

Mas a minha preocupação, e que começa a ser a preocupação de muita gente ligada ao cinema, é: e contar? Será que todos eles tinham algo a contar?

Em meados de 2010 circularam notícias que os estúdios em Hollywood começavam a aprovar e rejeitar guiões baseados na quantidade de cenas em 3D que contemplavam. Um guionista dizia mesmo que "tal como num episódio de uma série de comédia se tenta ter três piadas por página, tentara ter um momento em 3D a cada 8 a 10 páginas."

Walter Murch, editor de filmes como Apocalypse Now e O Paciente Inglês, apresenta-se cético. Para ele há vários problemas com o 3D, como tornar a imagem mais pequena, mais escura e indutora de dores de cabeça. O maior problema, diz este especialista, é que o cérebro humano simplesmente não está preparado para ter o ponto de focagem e o ponto de convergência da visão em locais diferentes. Como o ecrã está sempre à mesma distância, o foco é sempre o mesmo. Mas a visão é obrigada a convergir mais perto ou mais longe que essa distância conforme a ilusão dos efeitos 3D. É por esse motivo que tanta gente se queixa de dor de cabeça quando vê filmes 3D.

No entanto, para muitos, o pior nem é isso. O pior é a mudança de foco da história para os efeitos visuais e a tecnologia.

Kieran Mulroney, que está actualmente a trabalhar no guião para o segundo filme de Sherlock Holmes, teme que se os filmes se tornarem puramente espectáculos visuais "que espaço é que sobra para as conversas íntimas à mesa de jantar?"

Só espero que se o 3D passar a ser o novo Technicolor, as personagens e os argumentos não passem a ter menos profundidade.

TV Brasil abre edital para audiovisual

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lançou edital para exibição de Curta-Metragem de ficção, documentário ou animação. As inscrições começaram dia 13 de janeiro e estarão abertas por 45 dias. O objetivo é fazer o cadastro de obras audiovisuais para transmissão pela TV Brasil e associadas, além daWebTV e do Canal Internacional da emissora pública.

Segundo o site, as inscrições são para filmes de curta-metragem com até 30 minutos de duração, produzidos em qualquer época, já licenciados ou não pela EBC. O cadastramento estará limitado a uma obra para cada pessoa física, três para empresa produtora, e dez para empresa distribuidora. O valor base é R$ 2.000 (dois mil reais) por obra, mas pode receber acréscimo de até 70% no valor para obras que sejam inéditas ou que já tenham recebido prêmios reconhecidos.

Vale a pena conferir o site do ISOLLO ou tirar as dúvidas pelo e-mail licenciamento-curtas@tvbrasil.org.br.

O papel do Arquitecto

Encontrei a seguinte citação no blog Planet All-Star:

"É a diferença entre o arquitecto e o construtor; não se pode começar uma casa sem se saber o que se está a construir. Hollywood, no entanto, pensa primeiro no construtor e só depois arranja um arquitecto que satisfaça as vontades do construtor, constantemente redesenhando a casa à medida que se constrói, até que o resultado final, por vezes, já nem se assemelhe ao conceito com que se começou."

Dá que pensar.

Afinal, qual é o papel do escritor? Quando falamos de autor, no cinema, quase toda a gente pensa em realizador. Mas quem é o autor da casa? Quem a construiu ou quem a desenhou? Qual é o papel do arquitecto?

Crédito a ambos, creio. Tal como uma casa, o cinema é uma obra colaborativa. Realizador, produtor, actores e, sim, argumentista, todos trabalharam para que um filme seja possível. Todos eles e mais a imensa equipa invisível que o grande público nunca chega a conhecer.

Mas o problema torna-se dramático quando o autor, o autor da história, é eclipsado na parada de estrelas de um filme. Quase toda a gente tem um ou dois realizadores favoritos, um ou dois actores, mas quantas pessoas conseguem nomear autores favoritos?

Foi com muito prazer que vi Aaron Sorkin este ano a promover "A Rede Social". Quantas vezes é que vemos os argumentistas a promoverem os seus filmes em eventos e programas de televisão?

Crédito a todos os que participam num filme, sem dúvida.

Mas na altura de aplaudir, lembrem-se também do arquitecto.