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Do fundo do baú: um guião do Inspector Max
max

Estive a reme­xer em tra­ba­lhos anti­gos, por causa de um pro­jecto novo, e des­co­bri um guião que escrevi para o Ins­pec­tor Max. Trata-​​se do epi­só­dio 79, “O Circo da Morte”, e é um dos  meus guiões favo­ri­tos de toda a série.

É bem repre­sen­ta­tivo do estilo e espí­rito do Ins­pec­tor Max, com as suas intri­gas poli­ci­ais rela­ti­va­mente sim­ples, cru­za­das com estó­rias fami­li­a­res, e a par­ti­ci­pa­ção do cão nos momen­tos chave da acção. Tem acção (a pos­sí­vel), algum humor, situ­a­ções mais ines­pe­ra­das do que o cos­tume, per­so­na­gens dife­ren­tes do comum e, quero crer, algum coração.

Curi­o­sa­mente, como a pro­du­ção e vei­cu­la­ção coin­ci­diu com a minha esta­dia em Angola, nunca vi o epi­só­dio depois de produzido.

Neste caso tenho, simul­ta­ne­a­mente, pena e satis­fa­ção por isso. Pena, por­que é sem­pre inte­res­sante ver o objecto em que a nossa estó­ria se torna quando deixa de ser ape­nas um guião no papel. Satis­fa­ção por­que, neste epi­só­dio par­ti­cu­lar, devido às carac­te­rís­ti­cas do enredo, dos seus per­so­na­gens, do ambi­ente em que se desen­volve, des­con­fio que me iria sen­tir muito desi­lu­dido com o resul­tado final.

Assim, fica na minha memó­ria ape­nas a satis­fa­ção que me deu a escre­ver (ape­sar do prazo aper­tado, das limi­ta­ções de déco­res e acto­res, das res­cri­tas for­ça­das por limi­ta­ções de pro­du­ção, etc.)

O guião está dis­po­ní­vel aqui  Ins­pec­tor Max – O Circo (4781) para down­load, mas antes de o bai­xa­rem deixem-​​me fazer um aviso: não se guiem por esta for­ma­ta­ção para escre­ve­rem os vos­sos pró­prios guiões.

O for­mato que usá­va­mos nos epi­só­dios do Ins­pec­tor Max era uma soli­ci­ta­ção espe­cial da pro­du­tora, e tinha algu­mas carac­te­rís­ti­cas muito próprias:

  • o ali­nha­mento de todas as des­cri­ções de acção do lado esquerdo da página, e de todos os diá­lo­gos do lado direito;
  • a nume­ra­ção, que inclui o número de epi­só­dio e o número de cena por­que, fre­quen­te­mente, cenas de epi­só­dios dife­ren­tes eram gra­va­das num mesmo dia (por exem­plo “79/​41″ é a cena 41 do epi­só­dio 79);
  • os núme­ros das cenas pare­cem sal­tar para a frente e para trás, por­que dáva­mos o mesmo número a cenas que estão par­ti­das mas são em con­ti­nu­a­ção (por exem­plo, “79/​38″ seguida por “79/​39″ e depois nova­mente por “79/​38″);
  • a indi­ca­ção dos dias de acção (por exem­plo “dia 2 noite”);
  • a indi­ca­ção das mudan­ças de dia de acção (como “mudança de dia”)
  • a indi­ca­ção das elip­ses (como “pas­sa­gem de tempo”)
  • a indi­ca­ção como exte­ri­o­res de todos os locais que não fos­sem nos déco­res de estú­dio, mesmo que fos­sem em inte­ri­o­res (“Ext. Arma­zém”,  por exemplo).

Tendo tudo isto em aten­ção, penso que a lei­tura deste guião pode ser um exer­cí­cio inte­res­sante para quem se inte­resse pela escrita para TV.

Acerca do autor: João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

5 comentários… add one

  • Joao Sa 26/02/2008, 20:24

    Caro João Nunes,

    Este formato de guião é exactamente o mesmo formato que se usa na escrita de telenovela, por exemplo (pelo menos, que eu saiba, na NBP e T.G.Prod.) pelo que o seu entendimento não é assim tão descabido para quem escreva ou pretenda escrever este género de conteúdos.
    Aparentemente será um formato de guião derivado da escrita para teatro (origem que não foi possivel confirmar) e que terá sido adoptado pelas produtoras por facilitar a Produção, ao ser escrito a “duas colunas”.
    Tem contudo a desvantagem de poder levar – em certos casos – a que os actores apenas leiam a “novela” da direita e a produção apenas a da esquerda…

    Não será o formato ideal mas penso ser de uso generalizado nas produtoras nacionais, logo, saber lê-lo (tal como explicou) pode ser muito útil.

    Cumprimentos
    js

  • Uerbet Santos 26/11/2008, 19:46

    Caro Max, o parabenizo pela iniciativa de expor tal formato para apreciação de joves e experientes roteiristas.

    Já escrevi roteiros de diversos formatos como sou oriundo do mercado publicitário o formato ameriacano em duas linhas parece o mais indicado. Apesar de gostar de esrever no estilo cinema. Mas na minha concepção, esse formato pode ser usado como referencia pois deixa claro tanto para jovens roteiristas quanto para produção e elenco que roteiro não tem lado, é um todo….

    Saudadções!!!

  • LILIANA ESTEVES 28/06/2011, 17:52

    NUMA DAS SERIES EM K OS MIUDOS ESTAO A ALMOÇAR REFEICAO DO PRONTO A COMER..O PAI CHEGA A CASA,SENTA SE Á MESA E NAO LAVA AS MÃOS..ENTRETANTO O MIUDO MAIS NOVO VAI AO ECOPONTO E DESCOBRE AS EMBALAGENS NA RECICLAGEM,PEGA NELAS,E SENTA SE A MESA…TAMBEM SEM LAVAR AS MÃOS.. K FALTA DE HIGIENE. SE ESTAO A FAZER COMO VIDA REAL DEVIAM REPRESENTAR EM TUDO. SOU MÃE E ACHEI AQUELE PORMENOR HORRIVEL. É ASSIM K QUEREM ENSINAR AS CRIANÇAS? POR FAVOR.

  • Afonso Costa 31/05/2014, 22:02

    Com que programa é que o guião do “Inspector Max” foi feito? Estou a escrever uma tele-novela e gostava de o usar.

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