As dicas de guionismo de Billy Wilder, tal como ditas a Cameron Crowe.

Billy Wilder, além de um dos grandes realizadores da história do cinema, foi também um maravilhoso argumentista. Ou talvez devesse dizê-lo ao contrário, já que o homem tem creditados 75 guiões como argumentista, e apenas (!) 27 filmes como realizador, na listagem do IMDB.

Seja como for, Billy Wilder sabia do que falava quando falava de escrita. E na grande entrevista que deu a Cameron Crowe, e que se transformou num livro magnífico,"Conversations with Billy Wilder", brindou-nos com dez conselhos que vêm mesmo a calhar neste mês de Script Frenzy.

  1. As audiências são caprichosas.
  2. Agarre-os pelo pescoço e não os largue mais.
  3. Desenvolva uma linha de acção clara para o seu protagonista.
  4. Saiba para onde está a ir.
  5. Quanto mais subtil e elegante for a esconder os pontos de viragem do seu enredo, melhor escritor será.
  6. Se tem um problema no terceiro ato, o verdadeiro problema está no primeiro ato.
  7. Uma dica de Lubitsch: Deixe a audiência somar dois mais dois. Adorá-lo-ão para sempre.
  8. Quando colocar vozes sobrepostas (voice-overs), tome cuidado para não descrever o que a audiência já está a ver. Acrescente ao que eles estão a ver.
  9. O evento que ocorre na cortina do segundo ato desencadeia o final do filme.
  10. O terceiro ato deve crescer, crescer, crescer em ritmo e ação até ao último evento e então – estamos ditos. Não fique a arrastar-se por lá.

Já em tempos tinha deixado aqui no blogue este vídeo, sobre a relação de Billy Wilder com um dos seus mais frequentes colaboradores, I.A.L. Diamond. Não faz mal voltar a mostrá-lo.

As dicas de guionismo de Billy Wilder, tal como ditas a Cameron Crowe.

Este Artigo Tem 8 Comentários

  1. Diogo Abrantes

    Olá João nunes.
    Este excerto faz parte de algum documentário?
    Se sim, qual o seu nome?

    Obrigado e Abraço.

    1. João Nunes

      Sinceramente não sei. Provavelmente sim, mas terá de procurar no Youtube, onde eu encontrei este excerto.

  2. Cícero Soares

    1005! rs. (Ou 1003, os trackballs somados acho que causam, hum, alguma confusão na contagem, João) Enfim. A ilustração do Sunset Boulevard acima, como ilustração para boa parte desses conselhos, calhou também demais, é hours concours: nos agarra logo de saída, VOs instigantes, viragens bem marcadas e bem direcionadas, e por aí vai. Até aquele coroamento maravilhoso. E ainda por cima… é de “nossos” sonhos e pesadelos que se trata!

    1. João Nunes

      Estou a pensar escrever qualquer coisa sobre esse filme. Mas há tanta coisa para escrever, e tão pouco tempo…

  3. Cícero Soares

    (Rs… Tenho que dar registro desse pensamento que tive enquanto faxinava a casa ao som de Black Francis, João, nada original, mas…) Enfim, o pensamento: então deve ser por isso inventamos histórias e mais histórias e as estruturamos bem na medida para a aventura de nossos alter-egos ou demais alteridades: a fim de dar todo o tempo do mundo pra eles, o tempo que nunca teremos! rs. Damos o tempo certo pra que eles encetem na ação, ajam e colham os merecidos louros e descanso. Muito ou pouco, só existe um tempo pra eles, no mundo que construímos pra eles: o tempo perfeito, um tempo completo. De vingar o bem ou o mal ou… Ou qualquer coisa que possa estar entre, além ou aquém de tudo disso, aí fica a gosto da invenção de cada um, né?

  4. Ventura de Azevedo

    Muito tenho aprendido e sugado, desde que encontrei o joãonunismo! (passe a brincadeira!) Agora não tenho olhos para outras coisas. O que eu gostaria mesmo de ter e ler são the conversations with Billy Wilder, achei o vídeo fantástico!…

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João Nunes

João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.