Encontrei a seguinte citação no blog Planet All-Star:
"É a diferença entre o arquitecto e o construtor; não se pode começar uma casa sem se saber o que se está a construir. Hollywood, no entanto, pensa primeiro no construtor e só depois arranja um arquitecto que satisfaça as vontades do construtor, constantemente redesenhando a casa à medida que se constrói, até que o resultado final, por vezes, já nem se assemelhe ao conceito com que se começou."
Dá que pensar.
Afinal, qual é o papel do escritor? Quando falamos de autor, no cinema, quase toda a gente pensa em realizador. Mas quem é o autor da casa? Quem a construiu ou quem a desenhou? Qual é o papel do arquitecto?
Crédito a ambos, creio. Tal como uma casa, o cinema é uma obra colaborativa. Realizador, produtor, actores e, sim, argumentista, todos trabalharam para que um filme seja possível. Todos eles e mais a imensa equipa invisível que o grande público nunca chega a conhecer.
Mas o problema torna-se dramático quando o autor, o autor da história, é eclipsado na parada de estrelas de um filme. Quase toda a gente tem um ou dois realizadores favoritos, um ou dois actores, mas quantas pessoas conseguem nomear autores favoritos?
Foi com muito prazer que vi Aaron Sorkin este ano a promover "A Rede Social". Quantas vezes é que vemos os argumentistas a promoverem os seus filmes em eventos e programas de televisão?
Crédito a todos os que participam num filme, sem dúvida.
Mas na altura de aplaudir, lembrem-se também do arquitecto.
Nélia Matos, deixe-me elogiar esta excelente contribuição.
No teatro, o texto do escritor, do dramaturgo é sagrado. Já o equivalente, no cinema, implica uma disponibilidade para trabalhar em equipa e fazer alterações que se tornem necessárias para melhorar o trabalho. De qualquer modo, a origem de tudo, da obra cinematográfica final, está nas palavras do guionista. Porém, o trabalho posterior pode destruí-la ou pode mesmo elevá-la a um nível que o próprio escritor não tenha sequer imaginado.
Bem lembrado, Nélia. Realmente, há tempos que andam faltando holofotes aos feitos heróicos do roteirista (argumentista) e… Puxa vida, dar close-up nisso também é preciso!