Os cinco elementos para escrever um filme de sucesso

Há uma nova guru de escrita no mercado, e quer mudar algumas das ideias preconcebidas sobre como escrever um filme de sucesso.

Mas ao contrário de muitos outros gurus de escrita, esta tem um currículo de respeito. Lindsay Doran foi produtora de filmes tão diversos como This is Spinal Tap, Ferris Bueller’s Day Off,  A Firma, Sensibilidade e Bom Senso e Stranger than Fiction.

Foi também script doctor e, recentemente, destacou-se por aplicar os conceitos da Psicologia Positiva (inspirada pelo psicólogo Martin Seligman) à análise de filmes bem sucedidos.

As suas conclusões, que tem vindo a divulgar em conferências e apresentações a cineastas, vêm resumidas num artigo recente do New York Times. São muito curiosas e convidam à reflexão.

Lindsay Doran começou a analisar todos os filmes que via à luz dos cinco elementos que o dr. Seligman identificou como essenciais para o bem estar humano: emoções positivas, envolvimento, relacionamentos, sentido, e realização.

Da sua análise de muitos filmes de sucesso, que vão desde o seu próprio Ferris Bueller’s Day Off a O Padrinho (The Godfather) passando pelo Karate Kid, concluiu que há dois desses elementos que se destacam para quem quer escrever um filme com apelo de audiência: a realização e os relacionamentos.

Os espectadores gostam quando os protagonistas são bem sucedidos e alcançam os seus objetivos (realização), mas gostam ainda mais quando eles partilham o seu sucesso com os seus parceiros – amorosos, de vida, de luta, de camaradagem (relacionamentos).

Há uma sensação grande de satisfação quando vemos um personagem com o qual nos envolvemos emocionalmente conseguir alcançar os seus objetivos. É o tradicional happy ending.

Mas essa satisfação é muito maior quando ele tem alguém com quem celebrar o seu sucesso. É como se os espectadores, ao verem a partilha do sucesso na tela, se sentissem também emocionalmente envolvidos na celebração.

Isto aplica-se até nos filmes em que o protagonista não é bem sucedido no seu objetivo primário. Desde que haja algum tipo de resolução do seu relacionamento com outros personagens importantes, isso já é o suficiente para satisfazer as necessidades emocionais das audiências.

Segundo Lindsay Doran, “o verdadeiro final feliz, aquele que é mais marcante e pode fazer as pessoas quererem ver o filme uma segunda vez, não é sobre a vitória. Pode ser sobre não vencer e descobrir algo mais profundo e com mais significado do que uma vitória.”

O artigo completo (em inglês) pode ser lido aqui.

Nos próximos tempos vou olhar para os filmes sobre esta perspetiva. Se chegar a alguma conclusão interessante pode ser que volte mais tarde a este tema.

E você, o que acha que é essencial para escrever um filme de sucesso? Deixe a sua opinião nos comentários deste artigo.

Os cinco elementos para escrever um filme de sucesso

Este Artigo Tem 3 Comentários

  1. Vasny Machado

    Olá amigo João.
    Estava a ler os materiais que me enviou, sobre David Mamed e Lindsay Doran.
    achei muito importante. No meu entender,eu acho que o argumentista precisa de ter cuidado especial é com o público que vai ver seu filme.Com certeza tem que ser apimentado. Muitas das vêzes tem drama mas é solucionado de imediato. é mais emocionante quando demora para ter o desfeche.
    Outro aspécto que eu acho, é com respeito ao final. Muitas das vezes o argumentista confunde muito sua estória e faz o final como ele gostaria.
    Eu desde criança assistia muitos filmes, mas não gostava quando era com Peter O´Toole, pois ele sempre morria no final.Excepto Laurence das Ar´bias
    Tenho certeza que você já assistiu filme com o “saldoso Mazzarope”. Os argumentos eram pobres o final dirigido desde o início do filme, mas eram recordes de audiências. Pena que o cinema Brasileiro não é mais competitivo como no tempo da empresa cinematográfica Vera Cruz.
    abraços…
    Vasny Machado

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João Nunes

João Nunes é um autor, guionista e storyteller que gosta de ajudar os outros a contar as suas próprias estórias. Divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal e já escreveu mais de 3500 páginas de guiões produzidos de curtas e longas metragens, telefilmes e séries de televisão.