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Como escrever 1000 palavras
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Um artigo muito inte­res­sante do autor, ora­dor e blo­guista Scott Ber­kun, sobre os desa­fios da escrita.

How to write 1000 words « Scott Berkun

O artigo tem mais de 1000 pala­vras, ocu­pa­das com alguns con­se­lhos tão prá­ti­cos que che­gam a ser óbvios. Mas por vezes são as coi­sas óbvias que temos mais difi­cul­dade em recordar.

Reco­mendo a lei­tura inte­gral do artigo, e de mui­tos outros no seu blo­gue, mas deixo aqui a tra­du­ção de alguns excer­tos mais significativos:

  • Seja sim­ples.
  • Um outline dá estru­tura, ou a ilu­são de estru­tura, que tam­bém ajuda.
  • A escrita começa com ideias, mas esque­ce­mos mui­tas vezes que as ideias são ape­nas sus­sur­ros na nossa mente. Estão sem­pre lá, mas o pro­blema é que aba­fa­mos esses sus­sur­ros com a voz grossa do que pen­sa­mos que as nos­sas ideias deve­riam ser. É pre­ciso uma paci­ên­cia tran­quila para ouvir com aten­ção. A cri­a­ti­vi­dade mui­tas vezes resume-​​se a isso: uma sim­ples cora­gem tranquila.
  • Ando sem­pre com um bloco de notas e esse é um hábito que real­mente ajuda.(…) Os blo­cos de notas afas­tam o medo do ecrã branco.
  • Haverá becos sem saída e fal­sas par­ti­das, mas não importa desde que haja movi­mento. Escre­ver, mas não rever, tem tudo a ver com movimento.
  • A última coisa a fazer é afastar-​​me. Pre­ciso dos olhos fres­cos para uma última lei­tura, olhos como os que os meus lei­to­res hão de ter.

Nou­tro artigo, Scott Ber­kun avança com uma metá­fora curiosa:

Milha­res de pes­soas come­çam livros e depois param. É a segunda lei da ter­mo­di­nâ­mica apli­cada às obras cri­a­ti­vas. O estado natu­ral de uma ideia de livro é não ser escrita. Temos de gas­tar ener­gia extra para mani­fes­tar uma ideia no mundo, e é por isso que criar coi­sas pode ser tão mágico. Uma pes­soa pode pen­sar em escre­ver, e ter ideias para fil­mes fabu­lo­sos e roman­ces exci­tan­tes, ado­rar essas ideias e falar delas aos ami­gos, e nunca escre­ver uma sim­ples pala­vra. Pen­sar em escre­ver não é o mesmo que escrever.”

Uma curi­o­si­dade: no artigo que refiro acima vem a liga­ção para um vídeo em que se vê o seu pró­prio texto a ser escrito passo a passo, em velo­ci­dade ace­le­rada. É fas­ci­nante ver a quan­ti­dade de escrita, res­crita, cor­re­ção, alte­ra­ção, mudança de lugar, res­tru­tu­ra­ção, copy/​paste, apa­gar e des­fa­zer, que um sim­ples artigo de blo­gue pode impli­car. Como o autor diz, escre­ver é dife­rente de pen­sar em escre­ver; é árduo, é tra­ba­lhoso, é difí­cil – mas não impossível.

Veja aqui o vídeo:

Acerca do autor: João Nunes é um autor, guionista e publicitário que divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

2 comentários… add one

  • Thomaz Ribeiro 21/08/2011, 2:13

    De fato a palavra é algo muito complicado de se trabalhar e aquele que não tem paciência em revê-la o tempo todo não sai do lugar.

  • Ivo Brito 01/09/2011, 1:01

    Palavras sábias!

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