Leia o guião de “Conexão”

Graças à passagem de Conexão na RTP, no último fim de semana, este blogue atingiu o seu máximo de page views de sempre: 1261 1403 num único dia. É um recorde que me deixa muito satisfeito.

Tanto interesse por este trabalho, de que me orgulho particularmente, merece algum tipo de recompensa. Por isso decidi publicar aqui a versão final do guião em português, para efeitos educacionais.

Duas ou três notas:

  • Os cabeçalhos traçados correspondem a cenas que foram escritas e abandonadas por diversas razões; dramáticas, algumas, mas geralmente por necessidades de produção. Isso faz parte da realidade da escrita audiovisual, mesmo em projetos de tão grande envergadura como este.
  • Há toda uma subtrama que foi eliminada quando chegámos à conclusão que os telefilmes estavam grandes demais. Acompanhava um jornalista que se tenta infiltrar no meio dos traficantes e acaba mal (como quase toda a gente neste filme, aliás). Quando – ainda em guião – chegámos à conclusão de que precisávamos cortar cerca de vinte minutos ao total, a minha sugestão foi eliminar totalmente essa trama em vez de andar a cortar cenas ou momentos avulsos nas outras. Perderam-se algumas boas cenas, mas acredito que foi a melhor decisão.
  • A comparação entre as cenas escritas e as cenas finais do telefilme mostram que, na maior parte das vezes, a versão que chega à tela é mais curta, mais económica, menos palavrosa. Uma parte desse emagrecimento é feito logo na rodagem, porque os atores conseguem dizer muita coisa com expressões e ações, sem necessidade das palavras. O resto é conseguido na mesa de edição, eliminando o supérfluo, entrando mais tarde nas cenas, saindo mais cedo. Para os candidatos a guionistas esta economia deverá constituir a maior lição da leitura deste guião.
Leia o guião de “Conexão”

Este Artigo Tem 6 Comentários

  1. Manuel Paulino

    Como já tinha comentado, noutro local do blog, gostei muito do primeiro telefilme, pelas razões que expus, designadamente, porque consegue manter uma tensão dramática crescente, que muito nos prende. O segundo telefilme, talvez pelo corte de cenas que o João refere, não me pareceu tão homogéneo. Consegue também prender o interesse do espectador mas somos quase surpreendidos com o final. De qualquer modo, é um grande trabalho, excelentemente escrito (ótimos diálogos), realizado e interpretado. Pena que o Ivo Canelas revele alguns problemas de dicção. Houve momentos em que as falas dos galegos eram mais claras do que as do português, Miguel Ângelo.
    Com o material que o João refere ter sido excluído, foi pena a produção não ter optado por três telefilmes em vez de dois.

  2. Manuel Paulino

    Quero ainda agradecer ao João a generosidade em disponibilizar o guião. Será um excelente material de estudo.
    Um abraço,
    Manuel Paulino

  3. Henrique Moreira

    Obrigado João por partilhares..

    Continuação de um bom trabalho.

    Abraço

  4. sofia Vassalo silva

    Ó João isso é que é gostar da profissão ao ajudar tanto para que outros possam aprender,com tanta ferramenta que o João nos dá!
    MUITO OBRIGADA
    Abraço
    Sofia
    Só não falo Conexão porque gravei mas ainda não vi :(

  5. Victor Jr

    Valeu, caro João.

    Vamos ler com bastante atenção. Parabéns por partilhar seu conhecimento.

    Você merece o sucesso que tem.

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João Nunes

João Nunes é um autor, guionista e storyteller que gosta de ajudar os outros a contar as suas próprias estórias. Divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal e já escreveu mais de 3500 páginas de guiões produzidos de curtas e longas metragens, telefilmes e séries de televisão.