Conferência de João Nunes sobre guionismo no CCB

Acho que devo partilhar isto convosco: amanhã, 7 de dezembro de 2016, vou dar uma conferência no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém.

O tema será… que surpresa!… “A Escrita do Guião” e no programa do CCB pode ler-se:

11:00 – 11:50 – A ESCRITA DO GUIÃO – Antes das imagens e sons na tela vêm as palavras no papel, por João Nunes. Reflexões sobre a profissão de guionista e conselhos para os futuros heróis da escrita audiovisual.

A conferência faz parte das atividades organizadas pela Academia Portuguesa de Cinema para o Prémio Sophia Estudantes, e será às 11:00 da manhã.

Antes de mim haverá uma conversa com o realizador Vicente Alves do Ó, e logo a seguir uma palestra de Carlos Henriques sobre “A Revolução Digital no Cinema”. À tarde serão exibidos os filmes de estudantes seleccionados, e à noite decorrerá a entrega dos prémios Sophia Estudante.

A entrada é gratuita, mas é preciso levantar antecipadamente o bilhete na bilheteira. Se tiverem interesse em ouvir-me (ou mesmo não tendo) apareçam por lá.

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Um café e um pastel

Os meus dois e-books mais procurados estão permanentemente à venda por um preço imbatível: zero euros.

Com esse preço é difícil resistir a baixá-los, nem que seja só para dar uma leitura rápida. Tenho muito gosto que assim seja, e assim irá continuar.

Mas se quiser ajudar-me a suportar os custos deste blogue (domínio, alojamento, newsletter, etc.) pode pagar-me um café e levar qualquer um deles por 60 cêntimos de euro, cerca de 2,5 reais.

Se quiser ser mesmo generoso e juntar um pastel de Belém, também tem essa opção.

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Leve um ou leve os dois; pague ou não pague – a escolha é sua.

Qualquer que seja a opção, espero muito sinceramente que os livros lhe sejam úteis.

Morreu Manoel de Oliveira

A notícia da morte de Manoel de Oliveira está a ocupar todos os espaços noticiosos da televisão portuguesa. É, sem dúvida nenhuma, uma perda irreparável para a cultura nacional, que merece toda a atenção, testemunhos (sinceros ou de ocasião) e homenagens que começam a ser alinhadas aqui e ali.

Nunca me identifiquei com o seu cinema, e não deixei de fazer as minhas piadas fáceis com os clichês que popularmente o definiam: a lentidão da narrativa, os planos longos e fixos, a teatralidade das interpretações, até a ingenuidade das suas narrativas. Dos filmes que lhe vi (e ainda foram bastantes) gostei realmente de Aniki Bobó e do menos referido Os Canibais. Dos restantes apreciei apenas momentos, infelizmente poucos.

Mas o facto de, de forma geral, não gostar dos filmes de Manoel de Oliveira, não me impede de reconhecer o seu valor e singularidade como cineasta, figura da cultura mundial, e português.

Manoel de Oliveira tinha uma ideia muito particular do cinema, desde a escrita até à direção, da imagem à relação com os atores, a que sempre se manteve fiel ao longo dos anos. Muitas pessoas, em Portugal e pelo mundo fora, gostavam e respeitavam essa ideia de cinema. Mérito seu. Eu respeito essencialmente o seu amor pelo cinema, a sua honestidade, integridade e saudável teimosia na defesa da visão que tinha desse mesmo cinema, e acima de tudo o seu otimismo, energia e capacidade de trabalho.

Termino com uma pequena anedota, que espero que não seja apócrifa, pois é bem engraçada. Foi-me contada por um realizador meu conhecido, que assistiu ao episódio na primeira pessoa. Esse realizador participou numa primeira reunião de realizadores portugueses depois da revolução do 25 de Abril de 1974. Em assembleia geral os cineastas decidiram homenagear Manoel de Oliveira, que estava há muitos anos sem dirigir, impedido pelo regime do Estado Novo. Votaram pois o financiamento imediato de um filme seu, temendo até que fosse o último dada a idade avançada do autor. “Ninguém imaginava que íamos soltar uma fera”, comentou o meu conhecido com humor.

A fera deixou hoje de rugir. Descanse em paz.

Manifesto do Roteirista

Manifesto do Guionista - Destaque

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Como inspiração para o ano de 2015 aqui deixo o meu Manifesto do Roteirista. É o mesmo texto do [Manifesto do Guionista](http://joaonunes.com/2014/e-a-vida/manifesto-guionista/) que publiquei há poucos dias, mas (mais ou menos) em português do Brasil:

Manifesto do Roteirista

I – Você não é roteirista porque alguém lhe deu um diploma, ou um passe, ou autorização para o ser. É roteirista porque tem o coração e a cabeça cheios de estórias, e não tem outra alternativa senão contá-las.

II – Você não é roteirista porque lhe encomendaram um roteiro ou deram emprego numa equipa de autores, passaram uma tarefa para entregar até ao fim do semestre ou atribuíram uma bolsa de escrita. É roteirista porque, desde criança, nada lhe dava mais satisfação do que encantar seus irmãos e amigos com suas estórias, e hoje procura outros irmãos e amigos a quem continuar a encantar.

III – Você não é roteirista porque tem uma audiência garantida para as estórias que inventa. É roteirista porque quando não tem ninguém a quem contar essas estórias as conta a você mesmo.

IV – Você não é roteirista porque nasceu com um dom único, ou com o ADN perfeito para escrever, ou porque o seu talento se manifesta sem esforço nem suor. É roteirista porque dedica o tempo necessário a ver bons e maus filmes e a pensar sobre eles; a ler os roteiros de outros autores, para ver como eles superam seus desafios; a estudar tudo o que encontra sobre o cinema e sua escrita; e, sobretudo, a apurar sua arte colocando na prática tudo o que dessa forma aprendeu.

V – Você não é roteirista por ter uma varinha mágica que transforma as ideias que traz na cabeça em páginas lindamente escritas. É roteirista porque à sua imaginação junta centenas e centenas de horas em frente de um caderno ou de um computador, escrevendo e rescrevendo suas páginas até elas se assemelharem ao que tinha em mente.

VI – Você não é roteirista porque tem um cartão de visita que assim o assegura. É roteirista porque a almofada de sua cadeira de escritório já está moldada ao seu corpo de tantas horas que nela passou sentado a escrever.

VII – Você não é roteirista porque se contenta com o que ficou gravado nas suas cento e vinte páginas de roteiro. É roteirista porque aspira a que outros se apaixonem por essas páginas e lhes dediquem meses e anos de suas vidas, fazendo-as crescer com sua imaginação e capacidade, materializando-as em imagens e sons que seguem a partitura que você desenhou, até chegarem aos olhos e corações de uma audiência.

VIII – Você não é roteirista porque procura o reconhecimento ou a fama, a fortuna ou as manchetes dos jornais. É roteirista porque consegue imaginar a satisfação que um dia vai sentir quando, no escuro de uma sala de cinema, vir seu nome numa tela gigante e ouvir os risos, os suspiros, os tremores e as lágrimas de todos os que cercam você em seu anonimato.

IX – Você não é roteirista porque aspira à eternidade e quer ver seu nome num qualquer panteão. É roteirista porque duas horas de magia são uma eternidade suficiente para você.

X – Você não é roteirista “porque não?”. É roteirista — porque sim.

© João Nunes – 2014

**Se quiser partilhar este Manifesto, não se esqueça de indicar sempre a sua origem e fazer link a este artigo. Obrigado e boas escritas!**

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Uma revisão do ano de 2014

Em janeiro o blogue vai comemorar 10 anos de existência. São já 1366 artigos publicados, 2882 comentários de leitores (sem contar com 64.556 de spam) e 1.056.274 visualizações (sim, mais de um milhão, e só desde que comecei a controlar essa estatística). Para mim, estes números são um motivo de orgulho e de motivação.

Alguns números do ano

Desde janeiro de 2014 publiquei 70 artigos, o que dá uma média de 1,3 por semana. Tive 148.329 visualizações de 60.133 visitantes e recebi 94 comentários de leitores.

Os países onde o blogue foi mais lido no último ano são o Brasil e Portugal, quase empatados, seguidos dos Estados Unidos, Angola, Moçambique, Reino Unido e Cabo Verde. A presença em força dos países lusófonos é uma alegria, a de dois anglófonos uma grata surpresa (que agradeço aos nossos emigrantes).

Os artigos mais populares

O mais curioso da atividade de 2014 é que os cinco artigos mais lidos foram todos publicados em anos anteriores:

Dos artigos originais publicados em 2014, os mais lidos foram os seguintes:

  • Baixe legalmente 77 guiões de cinema

  • Pedro Varela: é assim que eu escrevo

  • Os doze princípios da animação

  • Como escrever uma cena

  • Isto confirma que o blogue constitui um arquivo de referência de material sempre útil, e é um incentivo para que em 2015 eu publique mais artigos de profundidade e entrevistas.

    Gostaria de destacar o artigo mais recente que publiquei, que me é muito grato: o Manifesto do Guionista.

    Tu não és gui­o­nista por­que alguém te deu um diploma, ou um passe, ou auto­ri­za­ção para o ser. És gui­o­nista por­que tens o cora­ção e a cabeça cheios de estó­rias, e não tens outra alter­na­tiva senão contá-las.

    É um pequeno texto que espero nos possa inspirar a todos durante o ano de 2015 que agora se avizinha. Publiquei-o para recordar a mim próprio as verdadeiras razões porque escrevo. Se quiser acrescentar mais algumas, os comentários estão à sua disposição.

    A newsletter

    Este foi também o ano em que a minha lista de email ultrapassou os 2.000 assinantes, o que me impede efectivamente de fazer o envio automático semanal. Isso implicaria um custo adicional que o blogue, que não tem rendimentos próprios, não pode suportar. Como tal o envio da newsletter tem sido muito irregular, situação que tentarei normalizar durante o próximo ano.

    Uma solução para essa normalização seria um patrocínio publicitário. Se tiver interesse em publicitar algum produto, serviço ou evento relacionado com cinema ou escrita, por favor contacte-me para ver as condições.

    Os subscritores actuais podem ficar descansados – isto só vai acontecer se encontrar um patrocinador adequado (leia-se, útil e relevante); e terão sempre a possibilidade de deixar a lista se essa solução não lhes agradar.

    Agradecimentos especiais

    Quero terminar com três agradecimentos especiais.

    Em primeiro lugar, a todos os leitores e visitantes do blogue. São vocês a sua razão de ser, e a vossa fidelidade mostra-me que estou no bom caminho. Como agora se diz no Facebook, “Obrigado por ter contribuído para este ano”.

    Agradeço especialmente ao Berni Ferreira, Pedro Ribeiro, Rogério Amorim, Rosa e Felipe Petrucelli, que são os leitores que mais têm enriquecido o blogue com os seus comentários e reflexões. Espero continuar a contar com a vossa presença e generosidade.

    Finalmente, agradeço também aos sites Roteiro de Cinema, Dicas de Roteiro, Curso de Cinema , A Vontade de Regresso e Rede Nave por continuarem a remeter novos leitores para o blogue.

    Ficam os meus votos de que 2015 seja um grande ano para todos nós. Pela minha parte prometo que vou continuar por aqui.

    Manifesto do Guionista

    Manifesto do Guionista - Destaque

    Como inspiração para todos os leitores aqui deixo o meu Manifesto do Guionista:

    Manifesto do Guionista

    I – Tu não és guionista porque alguém te deu um diploma, ou um passe, ou autorização para o ser. És guionista porque tens o coração e a cabeça cheios de estórias, e não tens outra alternativa senão contá-las.

    II – Tu não és guionista porque te encomendaram um guião ou deram emprego numa equipa de autores, passaram uma tarefa para entregar até ao fim do semestre ou atribuíram uma bolsa de escrita. És guionista porque, desde criança, nada te dava mais satisfação do que encantar os teus irmãos e amigos com as tuas estórias, e hoje procuras outros irmãos e amigos a quem continuar a encantar.

    III – Tu não és guionista porque tens uma audiência garantida para as estórias que inventas. És guionista porque quando não tens ninguém a quem contar essas estórias as contas a ti mesmo.

    IV – Tu não és guionista porque nasceste com um dom único, ou com o ADN perfeito para escrever, ou porque o teu talento se manifesta sem esforço nem suor. És guionista porque dedicas o tempo necessário a ver bons e maus filmes e a pensar sobre eles; a ler os guiões de outros autores, para ver como eles superam os seus desafios; a estudar tudo o que encontras sobre o cinema e a sua escrita; e, sobretudo, a apurar a tua arte colocando na prática tudo o que dessa forma aprendeste.

    V – Tu não és guionista por ter uma varinha mágica que transforma as ideias que trazes na cabeça em páginas lindamente escritas. És guionista porque à tua imaginação juntas centenas e centenas de horas em frente de um caderno ou de um computador, escrevendo e rescrevendo as tuas páginas até elas se assemelharem ao que tinhas em mente.

    VI – Tu não és guionista porque tens um cartão de visita que assim o assegura. És guionista porque a almofada da tua cadeira de escritório já está moldada ao teu corpo de tantas horas que nela passaste sentada a escrever.

    VII – Tu não és guionista porque te contentas com o que ficou gravado nas tuas cento e vinte páginas de guião. És guionista porque aspiras a que outros se apaixonem por essas páginas e lhes dediquem meses e anos das suas vidas, fazendo-as crescer com a sua imaginação e capacidade, materializando-as em imagens e sons que seguem a partitura que desenhaste, até chegarem aos olhos e corações de uma audiência.

    VIII – Tu não és guionista porque procuras o reconhecimento ou a fama, a fortuna ou as manchetes dos jornais. És guionista porque consegues imaginar a satisfação que um dia vais sentir quando, no escuro de uma sala de cinema, vires o teu nome numa tela gigante e ouvires os risos, os suspiros, os tremores e as lágrimas de todos os que te cercam no teu anonimato.

    IX – Tu não és guionista porque aspiras à eternidade e queres ver o teu nome num qualquer panteão. És guionista porque duas horas de magia são uma eternidade suficiente para ti.

    X – Tu não és guionista “porque não?”. És guionista — porque sim.

    © João Nunes – 2014

    Se quiser partilhar este Manifesto, não se esqueça de indicar sempre a sua origem e fazer link a este artigo. Obrigado e boas escritas!

    Como vender projetos de televisão no Brasil

    Recebi hoje informação sobre um curso da b_arco, uma escola artística de São Paulo, que aborda o tema da produção independente e venda de projetos de televisão no Brasil. Dado que publiquei recentemente um artigo sobre um edital público da RTP em Portugal, pareceu-me interessante divulgar também esta iniciativa brasileira. Aqui fica a informação.

    Introdução ao Mercado de TV

    O curso abordará as formas de financiamento e regulação do setor audiovisual, apresentando uma visão geral do mercado de TV para o produtor independente. Apresentará também um panorama dos principais editais, fundos e leis de incentivo, além de mostrar os players deste mercado.

    A partir das aulas o produtor pode se aprofundar nas formas de financiamento que forem mais adequadas ao perfil da produtora e do seu projeto. Saiba mais.

    Mariana Brasil atua há 20 anos no mercado de produção independente, sendo 9 na área de coordenação de produção de projetos audiovisuais em produtoras e emissoras de TV. Foi gerente de produção da TV Cultura na diretoria de documentários e produção independente. É a responsável pela condução de todas as aulas do curso junto com os convidados para aprofundamento de conteúdo em áreas específicas.

    Datas

    Dias 6, 7 e 8 de maio
    Terça, quarta e quinta, das 19h30 às 22h30

    b_arco

    Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426 – Pinheiros
    Sao Paulo, SP 05415-202
    Brazil

    O milagre dos pequenos passos

    É um pouco tarde para estar a falar de resoluções de ano novo, agora que todos nós já quebrámos pelo menos uma parte das que fizemos.

    Mas gostava de partilhar consigo uma coisa que a vida me ensinou: os pequenos passos que damos numa determinada direcção acumulam-se e, quase sem darmos por isso, depressa se transformam em caminho percorrido.

    Se pensarmos na complexidade de uma tarefa ou projeto, somos muitas vezes tentados a desistir mesmo antes de começar.

    Mas se, em vez de pensarmos na meta, nos focarmos apenas na primeira tarefa, naquilo que podemos fazer de imediato, as coisas mudam de figura.

    Normalmente descobrimos que essa tarefa afinal está ao nosso alcance. E depois de a concluirmos percebemos que a seguinte também; e a que se lhe segue, por aí adiante.

    Até que, de repente, a meta está à vista.

    É esse o milagre dos pequenos passos.

    Aplicando os pequenos passos à escrita

    Um guião tem, em média, 90 a 100 páginas. Vamos acertar em 90; os produtores gostam disso.

    Por outro lado, uma página de guião tem o aspecto que se pode ver na imagem seguinte, retirada do guião do filme 12 Anos Escravo.

    Pagina de guiao imagem

    Como pode ver, esta página tem 45 linhas, muitas delas bem curtas, e muito espaço branco. Não parece complicada de escrever, pois não?

    E realmente não é.

    Se souber o que quer dizer e tiver um domínio mínimo da técnica de escrita, uma hora chega perfeitamente para terminar uma página. Uma hora – o tempo de ver um episódio antigo de Breaking Bad ou da nova temporada de Game of Thrones.

    O que quer dizer que, se conseguir reservar para si uma hora por dia, em três meses terá 90 páginas escritas. Ou seja, terá completado a primeira versão de um guião.

    Um guião por trimestre. Será 2014 o ano em que você vai escrever quatro guiões?

    O meu guião para o “O Cônsul de Bordéus” foi nomeado para os prémios Sophia

    No passado dia 10 de Setembro a Academia Portuguesa de Cinema anunciou os nomeados para a primeira edição dos Prémios Sophia. Estes são o equivalente aos Óscares no cinema português, ou seja, um conjunto de prémios atribuídos pelos próprios profissionais do cinema em reconhecimento ao que de melhor foi feito na nossa indústria durante o ano anterior.

    Tive a honra de ver o guião do filme Aristides de Sousa Mendes – O Cônsul de Bordéus, que assino juntamente com o António Torrado, nomeado para o Prémio de Melhor Argumento Adaptado.

    A lista completa dos nomeados para esta categoria foi a seguinte:

    Melhor Argumento Adaptado

    • Bruno de Almeida, Frederico Delgado Rosa e John Frey, Operação Outono
    • Rui Cardoso Martins, Em Câmara Lenta
    • Manoel de Oliveira (segunda a peça de Raul de Brandão), O Gebo e a Sombra
    • António Torrado e João Nunes, Aristides Sousa Mendes – O Cônsul de Bordéus

    O filme  Aristides Sousa Mendes – O Cônsul de Bordéus foi nomeado em seis categorias, o que o tornou um dos destaques da noite. Parabéns a toda a equipa.

    Resta agora esperar pela cerimónia de entrega dos prémios, em data a anunciar, para saber quais dos nomeados levam para casa as primeiras estatuetas dos Sophias. Pelo sim pelo não vou deixar um cantinho livre numa prateleira…

    Pode baixar o guião nomeado aqui mesmo.

    Fui hackeado mas já me safei

    Há cerca de duas semanas este site foi hackeado. Em consequência disso ficou cerca de três dias em baixo enquanto eu tentava resolver o problema. Se tentou acedê-lo nesse período deve ter recebido uma mensagem de erro. Peço desculpa pelos incómodos causados, mas acredite – os meus foram muito piores.

    Depois de três noites de luta consegui colocar o site de novo online. No processo aprendi algumas lições e é sobre elas que quero escrever hoje.

    Para quem se interesse por questões mais técnicas, o que aconteceu foi o seguinte: um dos sites que tenho alojado no servidor foi atacado com sucesso por um hacker da Malásia. O descaramento desse pessoal é tanto que até me deixou o seu contacto no Facebook, como se pode ver pela imagem.

    hackeado_imagem

    A resposta do provedor de alojamento a este ataque foi bloquear todos os meus sites, com a justificação de que punha em risco os outros utilizadores que partilham o mesmo servidor. Isto incluiu o bloqueio do meu site principal – este blogue – apesar da sua segurança não ter sido directamente comprometida.

    O provedor deu-me então uma lista de medidas de limpeza e segurança e ofereceu-se para implementá-las – por um valor bastante elevado, cerca de duzentos dólares. Não sei se esta é a prática comum em todos os provedores mas devo confessar que, nesse momento, senti-me quase alvo de extorsão.

    Optei por implementar pessoalmente as medidas exigidas pelo provedor, o que saiu mais barato mas infelizmente levou mais tempo. Ainda por cima as medidas iam-se multiplicando; cada vez que cumpria com as exigências apresentadas surgiam novas solicitações.

    Finalmente lá consegui fazer tudo o que era exigido e o bloqueio foi finalmente levantado. O site voltou a estar no ar e aparentemente tudo ficou bem. Descobri depois (avisado por alguns leitores) que, no meio da limpeza geral, apaguei uma pasta onde estavam as imagens dos artigos mais antigos do site. Em consequência disso muitos artigos (como, por exemplo, o meu tutorial do software CeltX) ficaram sem imagens.

    Felizmente tinha no computador um backup de toda a minha instalação, incluindo essas imagens. Mais umas horas de trabalho e consegui pôr tudo de novo a funcionar. O site está no ar, com todas as suas funcionalidades, e pode de novo ser explorado na íntegra.

    O que é que aprendi com este processo

    Em primeiro lugar, que o tráfego gerado pelo meu site já é suficiente para atrair muitas atenções. Infelizmente, isso inclui também as dos hackers e outros elementos mal-intencionados. O que implica que, a partir de agora, terei de ter cuidados redobrados com a limpeza e segurança do site.

    Para tal, não basta manter actualizado e cuidar da segurança do site principal; qualquer outra instalação de WordPress instalada no mesmo servidor, que esteja desactualizada, pode servir de porta de entrada para um ataque. O WordPress é um sistema fantástico e versátil, responsável pela maior parte dos blogues presentemente na internet, mas exige um cuidado permanente com as actualizações. Nunca mais me vou esquecer disso.

    Em segundo lugar, confirmei a ideia de que ter backups completos e actualizados do site, de todas as suas pastas e da base de dados é fundamental. Se não tivesse no computador uma cópia da pasta com as imagens usadas quase metade do blogue teria ficado seriamente prejudicada, o que implicaria uma enormidade de horas de trabalho para o recuperar. Não sei se teria a coragem e o tempo necessários para o fazer.

    Em terceiro lugar, percebi que num momento de crise o meu provedor de alojamento não deu, do meu ponto de vista, uma resposta adequada. Depois de instados a isso os técnicos da assistência forneceram-me a listagem dos ficheiros perigosos que tinham sido instalados, mas pouco mais fizeram. Acho que a limpeza do servidor deveria ter sido imediata e pro-activa, mas aparentemente não é assim que procedem. Logo que termine o meu contrato com este provedor irei procurar um novo. E desta vez lerei com mais cuidado as letras pequeninas das alíneas do contrato respeitantes à assistência técnica.

    E, finalmente, o mais importante de tudo: devo estar a fazer alguma coisa certa com este blogue. Durante o período em que o site esteve em baixo recebi dezenas de mensagens de leitores preocupados e, posteriormente, outras tantas desejando boa sorte e recuperação rápida. A todos devo um grande Muito Obrigado!

    Agora a vida continua. O site está de novo no ar, e continuarei a publicar todas as semanas artigos originais e links para sites, artigos, vídeos, etc. que julgue úteis para quem se interessa por escrita, cinema e televisão.

    Obrigado por continuar a acompanhar-me nesta grande aventura.

    Pedido de desculpas

    Cada-Livro-Argumento-3D-nova-web

    Devido a um erro meu o link para baixar o meu ebook “Como Escrever o Seu Primeiro Argumento de Cinema em Trinta Dias” deixou de funcionar há algum tempo atrás. Só agora descobri o erro e consegui corrigi-lo.

    Durante este período fui enviando o livro a todos os leitores que mo pediram diretamente. Infelizmente é possível que muitos outros leitores tenham desistido depois de uma tentativa falhada.

    A todos peço desculpa por este transtorno.

    O livro está de novo disponível aqui.

    Jim Jarmusch

    Nada é original. Rouba tudo o que mexer com a inspiração ou incendiar a tua imaginação. Devora filmes antigos, filmes novos, música, livros, pinturas, fotografias, poemas, sonhos, conversas ao acaso, arquitetura, pontes, sinais de rua, árvores, nuvens, corpos de água, luz e sombras. Mas sê seletivo e rouba apenas coisas que falem diretamente à tua alma. Se fizeres isto, a tua obra (e roubo) será autêntica. A autenticidade é o bem mais valioso; a originalidade não existe. – Jim Jarmusch

    Os vencedores do Frenesi 2013

    Chegou a altura de divulgar – finalmente – os vencedores do concurso que organizei no blogue, o FrenesiDeEscrita 2013.

    Antes de os anunciar, contudo, quero fazer um comentário em relação a todos os participantes: de forma geral, o nível de escrita dos guiões apresentados foi bastante elevado.

    Nota-se, naturalmente, que são primeiras versões, escritas em 30 dias, com todas as limitações e problemas que isso acarreta. Mas a qualidade média é muito superior ao que seria de esperar nestas circunstâncias.

    Como consequência disso, a tarefa de escolher os três finalistas do Frenesi 2013 não foi nada fácil. Mas chegou um momento em que tive de fazer opções, e são elas que passo agora a apresentar.

    Rufar dos tambores…

    E os finalistas selecionados são, por ordem alfabética:

    • João Ramos, com Adrenalina de Sentir
    • Nélia Matos, com Henriques
    • Rui Lopes, com O Cordeiro que Caiu do Céu

    Estes três autores terão direito ao prémio que atribuí: um relatório completo sobre os seus guiões, com a análise das suas forças e fraquezas e algumas sugestões.

    Os meus parabéns vão para o João, Nélia e Rui mas estendem-se também a todos os participantes do Frenesi 2013. Cada um, à sua maneira, foi igualmente um vencedor.

    Cuidado: depois de ver este vídeo já não tem desculpas para não escrever

    O guionista americano Scott Lew foi diagnosticado com a doença de Lou Gehrig, um síndrome que o deixou tetraplégico e mudo. Scott praticamente só consegue mexer – um pouco – a cabeça.

    Isso não o impediu de escrever, e vender para Hollywood, o filme Sexy Evil Genius, exibido este ano.

    O vídeo que se segue mostra o procedimento lento e metódico através do qual, com a ajuda de uma assistente, Elisa, Scott consegue escrever os seus guiões.

    No final Elisa fala de Scott com grande admiração:

    O Scott escreve todos os dias. Consegue terminar uma estória em questão de meses. Tem tudo na cabeça antes de começar a escrever, e nessa altura despeja tudo. É fixe, muito fixe… e inspirador.

    Scott. Escreve. Todos. Os. Dias.

    Repito: “Todos. Os. Dias.

    Ver este pequeno vídeo – tem menos de dois minutos – é um balde de água fria que varre todas as nossas desculpas para não escrever.

    Se Scott Lew, com todas as cartas do baralho a jogar contra ele, consegue escrever, o que é que nos impede a nós?

    Via: Go Into The Story

    Participe num PeddyPaper de Escrita Criativa em Lisboa

    O Luis Miguel Viterbo, guionista e professor de escrita, está a organizar pelo segundo ano consecutivo um PeddyPaper de Escrita Criativa. Será já no próximo sábado.

    Vejamos com ele o descreve no seu blogue:

    Desafio duplo numa combinação inovadora: seguir as pistas descritas num roteiro (como em qualquer rally-paper ou peddy paper) e além disso cumprir tarefas de escrita criativa, ao longo do caminho.

    O roteiro integra assim exercícios de escrita juntamente com enigmas relacionados com o percurso no Chiado e arredores. O percurso e os exercícios podem ser completados em cerca de duas horas (ou, no máximo, até três horas).

    Parece-me uma maneira engraçada e diferente de passar uma manhã de sábado, conhecendo melhor uma das zonas mais bonitas de Lisboa.

    • Data: sábado, 20 de abril de 2013 (é já este sábado!)
    • Local e hora de partida: Escrever Escrever, às 15h00, na Praça Luís de Camões, Lisboa (encontro às 14h30)
    • Custo: 30 euros por equipa (de 2 ou 3 pessoas)
    • (conclusão das provas e apresentação final, na Bertand do Chiado, até às 19h00)
    • Inscrições na Escrever Escrever.
    • tlm. 911 197 797 | tel. 210 962 158
    • e-mail: info@escreverescrever.com
    • WebSite: www.escreverescrever.com
    • Facebook: EscreverEscrever Escola

    Favoritos: Não queremos objetivos; queremos METAS (Republicação)

    Antes de sermos argumentistas somos pessoas. E, como pessoas, temos os nossos defeitos, as nossas fraquezas, as nossas falhas.

    É normal, nesta altura do ano, querer corrigi-las. Chamamos a isso as "decisões de ano novo", que normalmente esquecemos antes de janeiro terminar.

    O problema destes objetivos que determinamos com tanta boa vontade e abandonamos com tanta ligeireza é normalmente não serem bem definidos. É por isso que hoje proponho uma metodologia para esse efeito, que pode ser usada por autores e por qualquer pessoa.

    Em vez de objetivos, devemos ter METAS – objetivos caraterizados por cinco critérios: serem Mensuráveis; Específicos; Temporizáveis; Alcançáveis; e Significativos.

    Vejamos o que significa cada um destes critérios:

    Mensuráveis – devemos dar valores concretos  aos nossos objetivos. É a única forma de podermos avaliar o nosso progresso em direção a eles. Em vez de "quero perder peso", devemos especificar "vou atingir os 60 kg"; em vez de "quero escrever mais",  vamos dizer "vou escrever três guiões".

    Específicos – os nossos objetivos não devem ser vagos e ambíguos, mas sim claros e específicos. Isso fica mais fácil se, além de dizermos exatamente o que queremos alcançar, definirmos também porque é que o queremos conseguir. Por exemplo, "Este ano vou correr 20 km por semana para melhorar a minha condição física geral, diminuir peso e poder participar na meia maratona em setembro".

    Temporizáveis – devemos colar os nossos objetivos a datas fixas, determinando limites para os alcançar. Se os deixarmos sem prazo, estaremos uma vez mais a ser vagos e diminuiremos a possibilidade de os concretizar. Um prazo acrescenta urgência e motivação. Por exemplo, é um bom objetivo dizer que "este ano vou escrever um guião até abril, o segundo até agosto e o terceiro até ao fim do ano".

    Alcançáveis – não adianta definir objetivos claramente irrealistas ou que não dependem de nós. "Este ano vou ganhar a lotaria" ou "vou correr os 100 m nos jogos olímpicos de Londres" são maus objetivos (a não ser que sejamos psíquicos ou atletas de alta competição).

    Significativos – por último, mas não menos importante, os nossos objetivos devem nascer simultaneamente da nossa razão e do nosso coração. Não adianta decidir que "este ano vou deixar de fumar" se não estiver verdadeiramente motivado para o fazer. Incluir numa lista objetivos que não são suficientemente significativos para nós, e que, como tal vão ser rapidamente abandonados, pode ter um desanimador efeito de dóminó que contagie os restantes. É melhor deixá-los fora da lista até eles serem realmente importantes.

    Por fim, três conselhos para manter e alcançar as METAS de fim de ano:

    Em primeiro lugar, não exagere. É impossível mudar tudo ao mesmo tempo. Mais vale definir menos METAS, e alcançá-las, do que querer fazer tudo, e falhar em toda a linha.

    Em segundo lugar, escreva as suas METAS. O registo obriga a pensar e a apurar a sua formulação, concretiza-as e começa a materializá-las. O documento também poderá ser relido regularmente, como forma de avaliação do nosso progresso.

    Em terceiro lugar, se tiver coragem, torne públicas as suas METAS. Não precisa publicá-las no Facebook (embora também o possa fazer). Mas se as partilhar com pessoas de confiança e lhes pedir para o ajudarem a alcancá-las, vai ver que isso será muito mais fácil.

    Escreva já as suas METAS para o próximo ano. E. se quiser, partilhe-as nos comentários deste artigo.

    UM PRÓSPERO E BEM SUCEDIDO DOIS MIL E DOZE.

    Perguntas & Respostas: E se a nossa ideia afinal não é original

    Vai sair um filme muito semelhante à ideia que estava a desenvolver. O que é que faço agora? A minha vontade é de não escrever mais nada. Esta era mesmo a oportunidade. – Estela

    Estela, desculpe contrariá-la, mas isso não existe; não há essa coisa de um determinado guião ou ideia ser “A OPORTUNIDADE”.

    Ideias há muitas, em todo o lado.

    Leia um jornal com atenção e veja quantas notícias poderiam dar bons filmes. A morte do Bin Laden, por exemplo – quantas pessoas devem ter pensado que daria uma grande estória? Muitas, com certeza. Mas só uma chegou ao fim.

    As ideias, paradoxalmente, são o elemento mais importante e menos importante de um filme.

    É claro que se a ideia for má, ou gasta, ou inviável, o projeto nunca será bom.

    Mas uma boa ideia não é garante de um bom resultado. Até porque é praticamente impossível ter uma ideia cem por cento original.

    O que conta principalmente é desenvolvê-las, escrevê-las, terminá-las; a maneira como o fazemos, o jeito que lhes damos, a forma como nos apropriamos delas e as tornamos nossas.

    Por isso mesmo não é possível registar uma ideia; apenas a sua execução. Enquanto não passarmos à escrita, à concretização, é como se as ideias não existissem.

    E isso tem de ser feito uma vez, e outra, e outra. Uma carreira de guionista, ou autor, faz-se de perseverança, empenho, trabalho – todos os dias.

    Umas vezes com melhores resultados, outras piores, mas sempre com continuidade. Um guionista, ou escritor, que ache que a sua carreira depende de uma única ideia, não tem realmente futuro. O mais provável, aliás, é que não chegue nunca a concretizar essa sua única ideia.

    Desculpe-me se pareço um pouco duro, mas espero que isto sirva de estímulo para si. Também já tive ideias que depois apareceram em outros filmes. A diferença é que eles as escreveram, e eu não.

    Temos é de ficar satisfeitos, porque isso é a prova que era uma boa ideia. E quem teve uma boa ideia pode ter muitas mais.

    Por isso, comece por ver se há alguma maneira de dar a volta à sua ideia para a diferenciar do filme americano que refere. Não me parece difícil; os orçamentos devem ser tão desproporcionadamente diferentes que poucas semelhanças os guiões poderiam ter.

    Mas se mesmo assim acha que isso não é possível, então respire fundo e siga em frente. Faça o luto necessário pela falecida ideia, e comece a trabalhar na próxima. O importante é continuar a escrever e a acreditar em si.

    Cinco razões porque um escritor deve correr

    Há um ano e meio atrás escrevi sobre o meu percurso do sofá à meia maratona.

    Agora que estamos no início do ano, época de decisões e mudanças, gostava de reforçar o apelo que aí deixei aos escritores – “a neces­si­dade de intro­du­zir o exer­cí­cio físico regu­lar nos seus hábitos” – listando cinco motivos fortes para começarem a correr:

    • Correr é o exercício mais universal, fácil e barato que podemos escolher. É sabido que passar várias horas por dia sentado não faz bem a ninguém. A solução é escrever de pé ou compensar os malefícios introduzindo o exercício físico na nossa rotina diária.
    • Correr é um treino para a disciplina de que precisamos para escrever. Se nos habituarmos a contrariar a nossa preguiça natural, forçando-nos a correr regularmente, também conseguiremos encontrar a força necessária para escrever todos os dias. É o efeito bola de neve – uma vitória numa área da nossa vida empurra-nos para vitórias nas outras.
    • Correr ajuda a limpar a cabeça das preocupações, estresses, e problemas do dia a dia. É uma forma de meditação ativa, em que entramos num estado de euforia suave, focados apenas no momento, no nosso corpo, na nossa respiração.
    • Correr é uma das melhores formas de desfazer os nós emocionais que a toda a hora vamos atando dentro de nós. Raivas, mágoas, desapontamentos, expetativas, medos, ansiedades – tudo desaparece com mais facilidade depois de uma boa corrida.
    • Correr estimula a criatividade. O estado mental em que entramos enquanto corremos cria condições ótimas para o nosso subconsciente trabalhar. Quantas vezes depois de uma corrida encontramos com facilidade a solução para um problema que antes se nos aparentava complicado.

    Poucas coisas são tão satisfatórias e nos deixam tão bem preparados para um dia de escrita como uma boa corrida de manhã cedo.

    Tire as sapatilhas do armário e comece hoje mesmo. E daqui a seis meses, quando terminar mais uma 10K ou meia maratona, não se esqueça de me enviar um email a agradecer.

    Atualização

    Um artigo recente que encontrei revela duas vantagens adicionais do exercício em geral e, por consequência, da corrida: fazer exercício regular é tão eficaz na cura da depressão como os medicamentos normalmente prescritos (e até mais eficaz a longo prazo); e basta uma hora de exercício por semana para reduzir para metade o risco de depressão.

    Sendo a depressão uma das principais ameaças latentes sobre qualquer pessoa nos dias de hoje, estas descobertas da medicina devem ser encaradas com seriedade. Quem sabe se a tendência de muitos escritores para a depressão não deriva de um estilo de vida inativo, e não da sua "personalidade sensível", como tantas vezes se pensa?

    Os artigos mais populares de 2012

    Durante o ano de 2012, que agora termina, escrevi 112 artigos aqui no blogue. Não é uma má média – mais de 2 artigos por semana.

    Além disso, como transferi grande parte das minhas recomendações de links para o Twitter, a maioria destes artigos não se limita a apontar para recursos externos; acrescenta algum valor, com informação original ou dificilmente acessível em língua portuguesa.

    Gostaria pois de terminar o ano deixando aqui a lista dos artigos de 2012 que tiveram mais visibilidade.

    Deixei de fora os textos publicados em anos anteriores, alguns dos quais continuam a ser os mais populares de sempre. Também retirei artigos que tenham ficado datados entretanto como, por exemplo, os anúncios de cursos ou oficinas de escrita.

    Aqui fica então uma lista de 31 artigos para reler; um para cada dia de Janeiro.

    Artigos mais populares de 2012

    1. Os melhores programas para escrever um filme
    2. Os cinco elementos para escrever um filme de sucesso
    3. Infografismo: a anatomia de um guião
    4. Ebook grátis: como reescrever o seu argumento em dez passos
    5. Como escrever maus diálogos
    6. Porque nunca devemos escrever de graça
    7. Guiões novos disponíveis na net
    8. Os dez mandamentos para escrever um guião
    9. Como combater a procrastinação
    10. Como reescrever um filme
    11. Qual a melhor maneira de começar a escrever
    12. Como escrever um filme ao jeito da Pixar
    13. 33 dicas pouco usuais para ser melhor escritor
    14. As duas coisas essenciais para escrever um filme
    15. Como refrescar a sua criatividade
    16. Como resolver os seus problemas de backup com o Dropbox
    17. Fountain – um novo formato para escrever um filme
    18. Os 11 mandamentos de escrita de Henry Miller
    19. Como escrever um filme ao jeito da Pixar – take 2
    20. Como ser um escritor melhor em dez passos
    21. Neil Gaiman – o melhor discurso de graduação de sempre?
    22. Bons filmes, maus filmes e os limites da natureza humana
    23. Não tenho tempo para escrever – justificação ou desculpa?
    24. Como escrever diálogos sobrepostos
    25. Entrevista com David Mamet
    26. Qual a diferença entre um insert e um flashback
    27. Os 101 melhores guiões segundo a WGA
    28. Como melhorar o meu enredo
    29. A viagem do herói
    30. Como distinguir ações diferentes num mesmo local
    31. Como manter a roda da criatividade a andar

    Deixo também, como bónus adicional, a lista dos cinco artigos mais populares entre os artigos publicados em anos anteriores:

    1. CeltX: um tutorial de escrita de guião
    2. O que é um guião
    3. O que é um guião (2)
    4. Como escrever para cinema e tv
    5. Dez regras para escrever ficção

    Votos de um Ano Novo próspero, cheio de boas escritas, amor, saúde e sucesso.

    Os três eixos do sucesso profissional como guionista

    Um artigo recente de Michael Hyatt recordou-me algumas ideias sobre o que é o sucesso profissional.

    A minha definição é simples: Ter sucesso profissional é ser bem remunerado para fazer bem uma coisa de que gostamos.

    Isto implica três elementos distintos:

    1. Haver um mercado, ou seja, quem esteja disposto a pagar pelo que fazemos e os meios para que essa troca se processe.
    2. Termos a competência – técnica e artística – necessária para fazer bem o que nos propomos fazer e vender.
    3. Sentirmos paixão permanente por essa atividade.

    Podemos imaginar esse três elementos como um gráfico com três eixos.

    SUCESSO-1

    Nesse caso. o nosso objetivo para ter sucesso em qualquer mercado é maximizar a presença em cada um dos três eixos. Quanto mais fortes formos nos três maior será o nosso sucesso profissional e a nossa satisfação pessoal.

    sucesso-2-pleno

    No caso dos guionistas, a maneira de alcançar o sucesso profissional e a satisfação pessoal passa por três etapas:

    1. Manter acesa a chama da paixão que sentimos por contar estórias, pela escrita, pelo cinema. Deverá ser o eixo mais fácil de maximizar. Se não conseguirmos sentir paixão por esta atividade, o melhor é desistir já e dedicar o tempo a outras coisas.
    2. Aumentar sempre a nossa competência técnica e artística. Conseguiremos isto vendo permanentemente bons (e maus) filmes e séries de televisão; estudando permanentemente, através de livros, sítios como este, oficinas e cursos, etc; lendo o maior número de guiões que conseguirmos encontrar, para ver como outros guionistas resolvem os problemas práticos da escrita audiovisual; e, sobretudo, escrevendo muito, diariamente, sem desculpas nem interrupções. Este eixo é difícil e exigente mas depende apenas de nós – do nosso talento inato e do esforço que quisermos aplicar nele.
    3. Finalmente, devemos conhecer e explorar o nosso mercado. Iremos consegui-lo descobrindo quais as oportunidades disponíveis no setor – concursos públicos e privados, prémios, bolsas, etc.; contatando produtores e investidores que poderão comprar o nosso trabalho; procurando estabelecer contatos com pessoas da indústria – atores, realizadores, outros guionistas, etc; frequentando festivais, colóquios, cinematecas e cineclubes, enfim, todos os locais onde possamos “colocar um pé na porta” da indústria. É o tipo de tarefas em que a maior parte dos guionistas são maus, e das quais não conseguimos extrair muita satisfação. Além disso, há um fator sorte não negligenciável. Mas é indispensável dedicarmos o tempo necessário e suficiente para fazer este trabalho de sapa. Com tempo e dedicação poderemos começar a ver alguns resultados.

    O reverso desta medalha é que quanto menos fortes formos em qualquer um dos eixos, mais longe estaremos do pleno sucesso profissional e correspondente satisfação pessoal.

    Por exemplo, se tivermos muita paixão e muito mercado, mas pouca competência, estamos condenados a ser, mais cedo ou mais tarde, um fracasso.

    sucesso 3 - fracasso

    Se tivermos muito mercado e muita competência, mas pouca paixão, estamos condenados a prosperar num trabalho aborrecido. É outro tipo de insucesso profissional, que muitas vezes é confundido com o sucesso mas em que falta a satisfação pessoal.

    sucesso 4 - aborrecimento

    Finalmente, se tivermos muita competência e muita paixão, mas pouco mercado, estamos na presença de um passatempo, e não de uma carreira bem sucedida.

    sucesso 5 - passatempo

    Infelizmente, é isso que acontece à maioria dos guionistas, em todas as partes do mundo.

    Mesmo nos Estados Unidos, a suposta “Meca” do cinema mundial, as estatísticas indicam que, em cada ano, metade dos guionistas inscritos na Writer’s Guild of America não conseguem trabalho.

    Um estudo recente feito em Espanha mostra resultados ainda mais desanimadores. Apenas três em cada dez guionistas profissionais conseguem dedicar-se em exclusivo a essa atividade.

    E em Portugal não são precisos estudos estatísticos para vermos que a situação é ainda pior. Para a maior parte dos guionistas portugueses, a prática da nossa atividade é um passatempo exigente que tem de ser completado (ou sustentado…) com outras fontes de rendimento.