Inscreva-se aqui e receba gratuitamente o meu eBook "A reescrita do argumento em 10 passos" !

Curso #3: O que é um guião (2)

Um exemplo prático

Como vimos antes, um guião repre­senta mui­tas coi­sas dife­ren­tes, para mui­tas pes­soas. Agora está na hora de ver­mos na prá­tica o que essas pes­soas vão encon­trar nas suas páginas.

Para isso, o melhor é dar um exem­plo de uma cena reti­rada de um guião real, que foi escrito, finan­ci­ado, pro­du­zido e mos­trado ao público. Fui bus­car esta cena à ver­são final do guião do filme “A Selva“[1], de 2003. Pode ver a for­ma­ta­ção ori­gi­nal bai­xando o guião A Selva (1614), em for­mato .pdf.

EXT. RUA DO ARMAZÉM — DIA

ALBERTOFIRMINO, no exte­rior do arma­zém, preparam-​​se para entrar na mata. Ajei­tam os ape­tre­chos às cos­tas. O guarda-​​livros e gerente da pro­pri­e­dade, GUERREIRO, sai do arma­zém. É um homem de 50 anos, magro e um pouco encur­vado, ves­tido com sobriedade.

Vem acom­pa­nhado por D. Yáyá, 35 anos, a sua mulher. É a mesma que Alberto viu na janela da casa grande e a sua beleza é real­mente admirável.

Alberto olha para D. Yáyá. A mulher tam­bém repara nele. Com o seu fato, gra­vata e sapa­tos de ver­niz, o por­tu­guês destaca-​​se no meio dos res­tan­tes trabalhadores.

 

FIRMINO

Tenha cui­dado, moço. Aqui todas as mulhe­res têm dono.

 

Alberto con­ti­nua a acom­pa­nhar a senhora com o olhar.

 

FIRMINO

Esse aí é o sr. Guer­reiro, o gerente aqui do serin­gal. A mulher é Dona Yáyá.

 

ALBERTO

E uma bela mulher, por sinal.

 

FIRMINO

É sim, mas não é para o nosso bico…

(come­çando a andar)

Vamos andando que a cami­nhada é longa.

 

Alberto, que tem um SACO DE SERAPILHEIRA às cos­tas, e a MALA DE COURO numa das mãos, encara a tri­lha à sua frente: um cami­nho cujo começo mal se per­cebe, ras­gando uma selva impo­nente, imensa, peri­gosa. Os dois homens ini­ciam a cami­nhada em direc­ção ao acampamento.

CORTA PARA:

Este exem­plo ilus­tra bem o que pode­mos encon­trar nas pági­nas de um guião. Em ter­mos da sua situ­a­ção na his­tó­ria, é uma cena que, de certa forma, marca o final do 1º acto do filme[2].

Para situ­ar­mos a cena no con­texto da his­tó­ria, basta saber que Alberto é um jovem monár­quico refu­gi­ado no Bra­sil depois da ins­tau­ra­ção da Repú­blica em Por­tu­gal. De Belém, onde vivia à conta de um tio, viaja até um serin­gal no meio da Ama­zó­nia. Aí des­co­bre à sua espera a labuta difí­cil e peri­gosa dos ope­rá­rios da bor­ra­cha — os serin­guei­ros. Antes de ini­ciar o tra­jecto na selva até ao acam­pa­mento onde vai tra­ba­lhar com o seu novo com­pa­nheiro Fir­mino Alberto cruza olha­res com D. Yáyá, uma linda mulher com quem mais tarde terá um caso amoroso.

Os componentes do guião

A cena esco­lhida para este exem­plo, que no guião tem o número 39, cons­ti­tui uma pequena uni­dade de acção dra­má­tica inde­pen­dente, no tempo e local em que decorre, das cenas ime­di­a­ta­mente ante­ri­o­res e pos­te­ri­o­res. Tal como as outras cenas, está orga­ni­zada segundo uma deter­mi­nada lógica e con­tém alguns ele­men­tos carac­te­rís­ti­cos da escrita de guiões, for­ma­ta­dos de uma maneira pró­pria[3].

O cabeçalho

Em pri­meiro lugar tem um cabe­ça­lho pró­prio, que indica tratar-​​se de uma cena de exte­rior — EXT. -, que decorre num deter­mi­nado local — RUA DO ARMAZÉM — e que se passa numa certa altura — DIA. Estas indi­ca­ções aju­dam o lei­tor da his­tó­ria a ir com­pre­en­dendo os seus suces­si­vos pas­sos e, sobre­tudo, são essen­ci­ais para quem vai orça­men­tar e pla­ni­fi­car a pro­du­ção do filme.

A descrição

Ao cabe­ça­lho segue-​​se sem­pre uma des­cri­ção da situ­a­ção e das acções dos per­so­na­gens envol­vi­dos na cena. Esta pode ocu­par um ou vários pará­gra­fos e deve ser o mais clara pos­sí­vel, mas tam­bém envol­vente e evo­ca­tiva: …um cami­nho cujo começo mal se per­cebe, ras­gando uma selva impo­nente, imensa, perigosa.

Estas des­cri­ções têm de limitar-​​se ao que é pos­sí­vel ver ou ouvir. Deve­mos evi­tar todas as intros­pec­ções que ten­tem expli­car o que vai na cabeça dos per­so­na­gens. Esse recurso à intros­pec­ção, que faz a riqueza da lite­ra­tura, só pode ser usado em cinema recor­rendo à V.O. ou a outros tru­ques do género. Essas téc­ni­cas por vezes fun­ci­o­nam, mas nor­mal­mente são ape­nas mule­tas para um guião coxo que não nos con­se­gue fazer enten­der os per­so­na­gens de outra forma.

Os personagens

Num guião os per­so­na­gens são defi­ni­dos pelo que fazem e dizem, não pelo que pen­sam, ima­gi­nam, sonham ou temem. Assim, como regra geral, deve­mos limitar-​​nos a des­cre­ver ape­nas aquilo que pode ser gra­vado e fil­mado. Quando um per­so­na­gem apa­rece pela pri­meira vez no guião, é impor­tante ser acom­pa­nhado de uma breve des­cri­ção das suas carac­te­rís­ti­cas: O guarda-​​livros e gerente da pro­pri­e­dade, GUERREIRO, sai do arma­zém. É um homem de 50 anos, magro e um pouco encur­vado, ves­tido com sobriedade.

Além disso, sem­pre que um per­so­na­gem é intro­du­zido pela pri­meira vez no guião, o seu nome deve tam­bém ser escrito em maiús­cu­las[4]: ALBERTOFIRMINO, no exte­rior do arma­zém… Final­mente, o nome do per­so­na­gem que fala apa­rece sem­pre des­ta­cado antes das suas falas, de forma a iden­ti­fi­car sem engano quem diz o quê.

Os diálogos

Além da des­cri­ção das acções e acon­te­ci­men­tos de uma cena, é fun­da­men­tal escre­ver os diá­lo­gos dos per­so­na­gens que nela inter­vêem. Como se pode ver no exem­plo, isso faz-​​se des­ta­cando o nome do per­so­na­gem num pará­grafo à parte, mais recu­ado e em maiús­cu­las, seguido por um bloco de texto com a sua fala. Os diá­lo­gos podem suceder-​​se, inter­ca­lando um per­so­na­gem com outro, ou podem ser inter­rom­pi­dos por novos pará­gra­fos de des­cri­ção da acção, quando assim se justifique.

Parênteses

A fala de um per­so­na­gem tam­bém pode ser ante­ce­dida por ou inter­ca­lada com comen­tá­rios entre parên­te­ses: por exem­plo, (come­çando a andar). Estes, con­tudo, devem ser usa­dos com mode­ra­ção, e só quando não haja outra maneira de pas­sar a mesma informação.

As transições

As tran­si­ções são ins­tru­ções escri­tas no fim da cena, onde se indica a forma de pas­sar para a cena seguinte. Por exem­plo, CORTA PARA:, DISSOLVE ou FADE OUT. Hoje em dia é nor­mal o gui­o­nista não se pre­o­cu­par com a indi­ca­ção das tran­si­ções, a não ser que queira suge­rir um deter­mi­nado efeito de mon­ta­gem. Mesmo nesse caso, a deci­são final sobre a tran­si­ção a usar será sem­pre da res­pon­sa­bi­li­dade do rea­li­za­dor e do edi­tor do filme. No caso con­creto desta cena, eu acres­cen­tei a tran­si­ção ape­nas para efei­tos do exem­plo, por­que no guião ori­gi­nal ela nem sequer está lá[5].

Outras indicações

Olhando para o exem­plo apre­sen­tado, pode­mos ver que algu­mas pala­vras apa­re­cem em maiús­cu­las: SACO DE SERAPILHEIRAMALA DE COURO. São indi­ca­ções des­ti­na­das a cha­mar a aten­ção do lei­tor (e dos téc­ni­cos da equipa de pro­du­ção) para algum ele­mento con­si­de­rado espe­ci­al­mente impor­tante. É o caso, por exem­plo, de ade­re­ços espe­ci­ais, como aqui, e tam­bém de sons, efei­tos espe­ci­ais, veí­cu­los de cena, etc. Uma vez mais, é um recurso para usar com mode­ra­ção — se tudo for impor­tante, tudo deixa de o ser.

Pode­mos tam­bém ver que nesta cena não há nenhuma indi­ca­ção téc­nica de rea­li­za­ção. Os gui­o­nis­tas prin­ci­pi­an­tes cos­tu­mam pecar por encher as suas des­cri­ções com tra­vel­lings, pano­râ­mi­cas, close ups e outros ter­mos téc­ni­cos. Mas hoje considera-​​se des­ne­ces­sá­rio dar indi­ca­ções con­cre­tas sobre movi­men­tos de câmara, efei­tos de len­tes, etc. Além des­sas opções serem da res­pon­sa­bi­li­dade do rea­li­za­dor e do direc­tor de foto­gra­fia, a sua inclu­são no guião torna-​​o mais com­pli­cado e abor­re­cido de ler. Con­tudo, há manei­ras do gui­o­nista influ­en­ciar a rea­li­za­ção do filme sem o dar a enten­der. Vamos vê-​​las em arti­gos futu­ros dedi­ca­dos à s téc­ni­cas de escrita.

Se qui­ser um modelo do word que lhe per­mite for­ma­tar cor­rec­ta­mente os seus guiões, pode usar um tem­plate que eu criei. Contacte-​​me aqui e terei todo o gosto em enviá-​​lo para si.  (Actu­a­li­za­ção: Terei todo o pra­zer em con­ti­nuar a enviar o modelo de guião que criei, mas sugiro que em vez disso expe­ri­men­tem o soft­ware CeltX. É gra­tuito, está dis­po­ní­vel para Mac, PC e Unix, tem mui­tas mais pos­si­bi­li­da­des e per­mite expor­tar para for­mato com­pa­tí­vel com o Word.)

Agora que já temos uma ideia um pouco mais con­creta do que é um guião/​argumento/​roteiro, pode­mos pas­sar a ana­li­sar o pro­cesso da sua cri­a­ção. E tudo começa com uma ideia, como pode­re­mos ver no pró­ximo artigo. Mas, antes disso, sugiro-​​lhe um pequeno exercício.

Exercício

Numa boa livra­ria, na inter­net ou atra­vés dos seus con­tac­tos na nossa pequena indús­tria do cinema, arranje o guião de um filme que tenha sido pro­du­zido. Leia-​​o tomando em aten­ção os aspec­tos acima des­cri­tos. Se con­se­guir arran­jar o DVD desse filme, ainda melhor. Tente iden­ti­fi­car as cenas do guião com as do filme, e ver as diferenças.

Notas de Rodapé

  1. A Selva” — guião de Izaías Almada e João Nunes, adap­tado da obra homó­nina de Fer­reira de Cas­tro. Pro­du­ção de Paulo Trancoso/​Costa do Cas­telo Fil­mes. Rea­li­za­ção de Leo­nel Vieira. Está edi­tado em DVD.[]
  2. mais à frente, num artigo sobre Estru­tura, vere­mos o que é esta coisa dos actos[]
  3. Para a for­ma­ta­ção dos exem­plos estou a usar CSS adap­tado do que é usado no exce­lente site do gui­o­nista ame­ri­cano John August.[]
  4. Há quem pre­fira capi­ta­li­zar os nomes ape­nas da pri­meira vez que apa­re­cem no guião, e quem o faça quando apa­re­cem em cada cena. Eu era adepto da segunda opção, mas nos guiões mais recen­tes mudei para a pri­meira.[]
  5. Há outra razão para evi­tar as tran­si­ções — rou­bam muito espaço. Num guião muito extenso, com mui­tas cenas (como era o caso deste) poupam-​​se algu­mas pági­nas se não se colo­ca­rem essas indi­ca­ções. O filme não fica mais curto, mas parece.[]

Alguns artigos afins de que talvez goste:

  1. Curso #2: O que é um guião?
  2. Curso #1: Como escre­ver para cinema e tv
  3. Resul­tado do debate
  4. O fluxo das ideias

Acerca de João Nunes

João Nunes é um autor, guionista, publicitário e diretor português residente em Manaus, Brasil. Conta com mais de 3000 páginas de guiões produzidas sob a forma de longas metragens, telefilmes, e dezenas de episódios de séries de televisão.

Esta entrada foi publicada em Curso de guião, Técnica e com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar nos favoritos o link permanente. Publicar comentário ou deixar um trackback: URL de Trackback.

27 Comentários

  1. Publicado 05/03/2007 às 12:32 | Link

    Caro amigo:
    Em Por­tu­guês escreve-​​se “as per­so­na­gens”, e não “os per­so­na­gens”; tal como não se diz “os gara­gens” nem “os vagens”. Isso é uma influên­cia do Bra­sil que assi­mi­la­ram do Inglês.
    Um abraço e con­ti­nue.
    Tei­xeira Moita

    • Hugo
      Publicado 04/03/2010 às 16:52 | Link

      Des­culpe lá! Em Por­tu­guês, para cinema, chamam-​​se “os per­so­na­gens”, para lite­ra­tura, “as personagens”.

  2. João Nunes
    Publicado 05/03/2007 às 16:17 | Link

    Caro amigo

    agra­deço a sua cor­rec­ção, mas remeto-​​o para o Dici­o­ná­rio da Lí­ngua Por­tu­guesa Con­tem­po­râ­nea, da Aca­de­mia das Ciên­cias de Lis­boa, que apre­senta “per­so­na­gem, s. m. ou f.”, na página 2836. Idem no Dicioná¡rio da Lí­ngua Por­tu­guesa da Porto Edi­tora (página 1272) e, evi­den­te­mente, no Dici­o­ná­rio Hou­aiss da Lí­ngua Por­tu­guesa (página 2196).

    Penso poder assim dizer-​​se, em por­tu­guês cor­recto de Por­tu­gal ou de outro lado qual­quer, “o per­so­na­gem”, da mesma forma como se diz “o selvagem”.

    Os melho­res cumprimentos

    João Nunes

  3. Publicado 06/12/2007 às 21:21 | Link

    Gosto imenso da sua expli­ca­ção para um guião… Gos­tava de dei­xar bem claro tam­bém que con­cordo con­sigo em tudo o que escreve.
    um abraço,
    Jesualdo.

    • Hugo
      Publicado 04/03/2010 às 16:53 | Link

      Financiai-​​me um filme, falo-​​ei mais rico que o pre­si­dente do Real Madrid

  4. Ana Sofia Sanches
    Publicado 07/03/2008 às 10:55 | Link

    Olá Bom dia,

    Des­co­bri o seu site por puro acaso, para quem acre­dita neles, quando decidi pedir socorro ao Goo­gle para me encon­trar uma alma cari­dosa, que me aju­dasse com as minhas notas, que têm já alguns ani­tos e, das quais pre­tendo fezer um guão… E aí está você!
    As suas notas, têm sido bas­tante úteis nes­tes 3 dias. Come­cei já a recu­pe­rar tudo o que tenho e… não, e não! Mas… mas ainda não con­se­gui ler mais do que uma folha (frente e verso). É que escrevi algu­mas delas a 3 anos e faz-​​me con­fu­são, como aque­las per­so­na­gens e situ­a­ções saí­ram para fora…
    Mas tudo bem, eu chego lá. ACon­tece que com a sua ajuda per­cebi, final­mente, que o pre­cesso é assim mesmo. Eu pro­va­vel­mente tenho apa­nhado umas quan­tas his­tó­rias da vida quo­ti­di­ana (as tais que pode­rão ser uma 6 por dia eh eh eh!) sem me aper­ce­ber… Vou dedicar-​​me com maior afinco e dis­ci­plina e, espero modes­ta­mente que o João con­ti­nue por perto para me ir dando umas dicas, ok?
    Para já vou ter­mi­nar a lei­tura do curso sobre a escrita do guião, e enquanto isso pas­sando o olho ás minhas pró­prias notas… depois se achar que existe ali alguma coisa, dedicar-​​me-​​ei a elas, caso con­trá­rio esta­rei atenta ao meu mundo… e aos dos claro (risos).

    Ah! Como teve a gen­ti­leza de dis­po­ni­bi­li­zar o guião da selva, vou com­prar o DVD… depois conto o que achei.

    Obri­gada por tudo
    Ana Sofia

  5. Mariana Migueis
    Publicado 19/03/2008 às 15:55 | Link

    Caro Srº:
    Agradeço-​​lhe o site,que me foi de grande valia e de uma sim­pli­ci­dade “Brilhante”.Gostaria de iniciar-​​me nes­tas andanças,mas estava um pouco perdida.Agora encon­trada ten­ta­rei pôr em prá­tica as suas dicas e ini­ciar o Guião que sem­pre desejei,desde de muito Criança.

  6. Joaquim Carvalho
    Publicado 28/08/2008 às 15:40 | Link

    Caro amigo,
    Foi com muita satis­fa­ção que des­co­bri este site. Sem­pre me inte­res­sou a escrita, prin­ci­pal­mente, de roman­ces. Dada a difi­cul­dade, no nosso país, em publi­car­mos uma obra nossa, pelo menos se for­mos des­co­nhe­ci­dos, come­cei a interessar-​​me por gui­nismo. Sem­pre ado­rei o cinema, razão até, acre­dito, me fez gos­tar tanto de escre­ver e isso, levou-​​me a pro­cu­rar arti­gos sobre a maté­ria. Numa visita á FNAC, encon­trei um livro muito inte­res­sante, de um argu­men­tista e pro­fes­sor bra­si­leiro, Doc Com­pa­rato, por sinal, o pri­meiro e único livro sobre o assunto em ques­tão. É bas­tante com­pleto, e que sugiro a todos os que se inte­res­sem pela maté­ria. Um abraço e votos de uma longa vida para este site!!!

  7. raquel
    Publicado 17/10/2008 às 3:49 | Link

    caro amigo joa­quim car­va­lho nao seria pos­si­vel a publi­ca­cao desse tesouro para pobres mor­tais como eu que nao acho esse livro por nada no mundo

  8. David P.
    Publicado 23/10/2008 às 14:37 | Link

    Tam­bém des­co­bri este site por acaso, pois tive uma ideia para um filme e tem aju­dado muito na cons­tru­ção do guiao.
    Obrigado

  9. Giba
    Publicado 23/03/2009 às 21:00 | Link

    Caro João, muito legal suas dicas para quem não sabe nada sobre o assunto e pensa ter uma boa idéia para um filme. Na ver­dade, penso que todos com­par­ti­lham da mesma opi­nião: se tan­tos fil­mes ruins são pro­du­zi­dos, mesmo que por dire­to­res de renome, por que não pode­mos nos aven­tu­rar a escre­ver um. Abra­ços desde esta costa oposta.
    Obs. com­par­ti­lho da sua opi­nião sobre “o personagem”.

  10. ocimar moreira
    Publicado 07/04/2009 às 22:14 | Link

    Fiquei muito feliz ao des­co­brir esse site , tem me ins­pi­rado a ini­ciar um pro­jeto de roteiro do meu pri­meiro curta metra­gem, com cer­teza apren­de­rei muito aqui.

  11. Washington L Soares
    Publicado 03/05/2009 às 14:33 | Link

    Sou bra­si­leiro e ado­rei o seu site. Já era apai­xo­nado pelo romance a Selva há mui­tos anos e gos­tei demais do filme, e isso foi o que me atraiu à sua página, recu­pe­rando o sonho de escre­ver um roteiro.
    Obri­gado
    Washington

  12. Publicado 23/05/2009 às 23:41 | Link

    Sou bra­si­leiro tam­bém e saiba, meu caro, que seu site e suas dicas estão sendo de uma ser­ven­tia enorme!
    Muito obri­gado MESMO. Já adquiri alguns livros sobre roteiro, mas seus tex­tos são de longe muito mais efi­ci­en­tes.
    Um grande abraço!

  13. Publicado 02/06/2009 às 0:06 | Link

    Eu con­cordo com Eli­e­nai, tam­bém tenho um livro para roteiro, mas nenhuma expli­ca­ção foi tão direta e atual que me dis­pu­sesse desde já a rotei­ri­zar no Celtx (pro­grama aben­ço­ado) tex­tos escri­tos ante­ri­or­mente em outras formas.

    Para­béns pela boa von­tade, res­pon­sa­bi­li­dade e afinco ao qual tem exer­cido influên­cia defi­ni­tiva nos seus alu­nos auto dida­tas espa­lha­dos pela net.

    Att, GJSN7. Rio.

  14. a. m. alonso
    Publicado 27/10/2009 às 23:29 | Link

    Olá.

    o que é o V.O. que você men­ci­ona? Não entendi.

    obri­gada,

    Aline.

    • João Nunes
      Publicado 27/10/2009 às 23:39 | Link

      Quer dizer Voice Over, ou seja, a voz de um per­so­na­gem que não está fisi­ca­mente na cena. Por exem­plo, a voz do pro­ta­go­nista recor­dando uma cena no pas­sado, ouvindo-​​se sobre essa cena, ou quando um per­so­na­gem está a ler uma carta e ouvi­mos as pala­vras pela voz de quem a escre­veu.
      Não con­fun­dir com (O.S.) que quer dizer Of Screen, e é a voz de um per­so­na­gem que está na cena mas não é visí­vel no momento em que fala. Por exem­plo, por­que está fora do campo de visão. ou atrás de uma porta.
      Em Por­tu­gal (não sei se no Bra­sil tam­bém é assim) usa-​​se mui­tas vezes (OFF) tanto numa como nou­tra situ­a­ção, para simplificar.

  15. a. m. alonso
    Publicado 28/10/2009 às 2:23 | Link

    Nossa João! Muito obri­gada!!!! Não sabe como estou gos­tanto do seu site!

    Quando eu des­co­brir se o termo é usado aqui no Bra­sil, eu comu­nico. Vou fazer mais uma per­gunta: como indico a voz de um narrador?

    Bei­jos,

    Aline

    • João Nunes
      Publicado 28/10/2009 às 9:56 | Link

      A voz de um nar­ra­dor é um caso típico de (V.O.). Pode apa­re­cer como NARRADOR (V.O.), ou, mais fre­quen­te­mente, como MANUEL (V.O.), caso o Manuel seja um per­so­na­gem que já apa­re­ceu ou vai apa­re­cer no guião.
      Boas escritas.

  16. Ivana Rowena
    Publicado 30/12/2009 às 14:17 | Link

    Olá, João, que bom que você con­ti­nua dis­posto a divi­dir conosco seus conhe­ci­men­tos! Não sou pro­pri­a­mente uma prin­ci­pi­ante, pois já tenho rotei­ros publi­ca­dos e há 2 sema­nas eu e a minha micro equipe ven­ce­mos o con­curso Mesa de Bar (da Bos­sal Pro­du­tora) na cate­go­ria Trai­ler, roteiro meu. O curta agora está sendo edi­tado com­pleto e tra­du­zido para inglês, espa­nhol e japo­nês para con­cor­rer­mos a outros con­cur­sos e há uma sequên­cia com­pleta que escreví visando o Fes­ti­val de um minuto
    Agra­deço a você e ao Doc Com­pa­rato as nos­sas vitó­rias, vocês dois são as minhas fon­tes segu­ras de conhe­ci­men­tos prá­tico, fun­da­men­tado e atu­a­li­zado. Foi na turma do Doc que encon­trei meus par­cei­ros de equipe mas já o conhe­cia antes e man­te­mos con­tato cons­tante aqui no Rio. Por isto, quero dizer aos cole­gas de comen­tá­rios que o novo livro do Doc já está desde outu­bro nas livra­rias e que há sim, uma boa bibli­o­gra­fia bra­si­leira sobre o assunto “roteiro”.
    Gos­ta­ria de cola­bo­rar com duas obser­va­ções: ao sis­te­ma­ti­zar a for­ma­ta­ção dos meus rotei­ros da forma que você ensina, acon­te­ceu que: 1) Pro­du­to­ras e minha pró­pria equipe me pedi­ram para nume­rar as sequên­cias para efeito de maior obje­ti­vi­dade na loca­li­za­ção da ação e na fase de pré-​​produção (decu­pa­gem); 2) Pro­du­to­ras me pedi­ram que não escreva nada mais no roteiro além da ação pro­pri­a­mente dita, dei­xando para a sinopse aque­les deta­lhes que você sugere).
    Ado­tei a nume­ra­ção mas ao par­ti­ci­par da grande mesa redonda para fazer a pri­meira lei­tura do roteiro com os ato­res e a equipe reu­ni­dos, per­cebí que nin­guém lia sinop­ses, ape­nas o argu­mento e o per­fil dos per­so­na­gens.
    Con­clu­são: con­ti­nu­a­rei a fazer exa­ta­mente como você ensina só reti­rando deta­lhes do per­fil dos per­so­na­gens pois aqui até que o lêem.
    um grande abraço

  17. Richardson Luz
    Publicado 21/07/2010 às 22:38 | Link

    João, nesta segunda aula do teu curso básico eu gos­ta­ria de tirar uma dúvida que tenho. Tu falas muito de Guião e o modelo apre­sen­tado na lição não apre­senta os emqua­dra­men­tos, ou seja, ape­nas des­creve as cenas, mas não se sabe como isso será apre­sen­tado na tela. Per­gun­tas: Esse tra­ba­lho (de defi­nir os enqua­dra­men­tos) é do gui­o­nista? Aí em Por­tu­gal chama-​​se Guião Téc­nico ou Guião Decu­pado, ou outro nome? Obrigado.

    • Luis Moura
      Publicado 06/08/2010 às 11:47 | Link

      Richard­son,

      Os “enqua­dra­men­tos” a que se refere são os pla­nos, ou seja, a forma como a acção será visu­a­li­zada pelo espec­ta­dor. Essa tarefa com­pete ao rea­li­za­dor. O pro­duto final, tal como o vemos, é fruto da inter­pre­ta­ção do guião, por parte da pes­soa que dirige o pro­jecto. Ao rea­li­za­dor pede-​​se que trans­forme as pala­vras de um guião em ima­gens.
      Essa tarefa nunca com­pete ao gui­o­nista, a não ser que ele pró­prio seja tam­bém o rea­li­za­dor do filme. Ape­sar de não ser muito comum acu­mu­lar estas duas tare­fas, há inú­me­ros exem­plos de realizadores/​autores. Woody Allen, Pedro Almo­dó­var, Chris­topher Nolan, ape­nas para citar alguns.
      Neste caso, do autor/​realizador, faz sen­tido que o guião possa con­ter, logo numa pri­meira fase, indi­ca­ções téc­ni­cas. Nor­mal­mente por­que quando escreve, a pes­soa já está a visu­a­li­zar o modo como as cenas pode­rão ser fei­tas. Caso con­trá­rio, não é acon­se­lhá­vel que um gui­o­nista entre­gue um guião com este tipo de indi­ca­ção, pois estará a inter­fe­rir com a fun­ção do rea­li­za­dor e com a sua cri­a­ti­vi­dade, e isto pode cau­sar pro­ble­mas.
      O guião do filme “A Selva” foi co-​​escrito pelo João Nunes e rea­li­zado pelo Leo­nel Vieira. Logo, supo­nho que o excerto de guião que o João aqui apre­senta não con­tém indi­ca­ções de pla­nos pelos moti­vos que já referi.
      O guião téc­nico con­tém todas as indi­ca­ções que envol­vem a pro­du­ção do fime (pla­nos, luz, som, ade­re­ços) e que são neces­sá­rias para a sua rea­li­za­ção. Neste caso, o guião passa pelas mãos de vários ele­men­tos da equipa, desde o rea­li­za­dor, ao pro­du­tor, direc­tor de foto­gra­fia, ope­ra­dor de câmara, etc, antes de ser fechado.

      Cum­pri­men­tos

  18. Pedro Timbe
    Publicado 26/04/2011 às 10:35 | Link

    Gos­tei muito das suas dicas sobre como escre­ver um roteiro, con­tudo não ficou muito claro onde começa e ter­mina o tra­ba­lho de um gui­o­nista, e como ele vai arti­cu­lar o seu tra­ba­lho com resto da equipa de pro­du­ção. A pro­pó­sito, o que é decupagem?

  19. Publicado 28/04/2011 às 14:27 | Link

    Pre­za­dos João Nunes e Luis Moura, no dia 21/​07/​2010 publi­quei aqui uma dúvida e a tive res­pon­dida. Agra­deço o empe­nho e vejo que pro­gredi em meus estu­dos, pois hoje, quase um ano depois já adquiri diver­sas obra sobre escrita de roteiro (guião) e vejo que ape­sar de já saber algu­mas coi­sas sobre o assunto pre­ciso saber ainda mais. Exem­plo disso é que adquiri ontem dia 27 de abril de 2011 um livro sobre cons­tru­ção de per­so­na­gens e outro sobre pro­du­ção em cinema. Con­ti­nuo pes­qui­sando, pois sou ávido por conhe­ci­mento e minha inten­são é escre­ver guiões cada vez melho­res. Tam­bém decidi há alguns tem­pos atrás tra­ba­lhar com docu­men­tá­rios, ini­ciei tam­bém uma pro­funda pes­quisa nesse campo e pre­tendo pro­du­zir alguns docu­men­tá­rios como exer­cí­cio de cinema e mesmo para adqui­rir alguma visu­a­li­za­ção nesse mer­cado.
    Se os que aqui escre­ve­ram qui­se­rem saber a bibli­o­gra­fia que pos­suo é só res­pon­der este post ou man­dar e-​​mail para richardsonluz@​gmail.​com — Atu­al­mente ela é pequena mas são livros sobre pré-​​produção, pro­du­ção e pós-​​produção. PS: pra quem deseja aventurar-​​se no docu­men­ta­rismo, é neces­sá­rio fri­zar que o guião de um docu­men­tá­rio é essen­ci­al­mente dife­rente do guião de uma fic­ção. É outro aprendizado.

  20. Jhane
    Publicado 21/07/2011 às 1:32 | Link

    João .
    Estou con­fusa em rela­ção ao que fazer .
    Bom como sou muito novo não tenho muito á fazer . Para me livrar do tédio da minha rotina , come­cei a escre­ver , his­to­rias , que me sen­tia muito bem . Pas­sei alguns meses , escre­vendo uma his­to­ria , sem­pre escrevi á noite , por ver tan­tas noi­tes em claro , decidi que aquele era um dom ‚o meu dom , pas­sei a me dedi­car mais em lite­ra­tura , e o meu sonho pas­sou á ser uma grande escri­tora ; mas então minha his­to­ria che­gou ao fim , os dias bons aca­ba­ram , tudo oque eu sen­tia , se per­dia total­mente no vento . Pas­sei tanto tempo pen­sando nisso , que che­guei a dese­jar somente escre­ver , meu sonho nin­guém sabia além de mim e de uma amiga . Um dia con­ver­sando com a minha amiga , pro­meti á ela escre­ver uma his­to­ria , em que ela fosse minha ins­pi­ra­ção, come­cei a pen­sar na minha his­to­ria , logo che­guei a con­clu­são que seria fic­ção , con­ti­nuou a escre­ver e acre­dito muito em cada madru­gada , acre­dito muito no que eu escrevo , e pas­sei a pen­sar que escre­ver um livro seria muito pouco , eu que­ria mais e mais , que­ria que todos sen­tisse e vis­sem oque eu ví , por­que eu ví um filme se pas­sar enquanto escre­via , e sen­tia uma sen­sa­ção ines­pli­ca­vel. Bom , pen­sei que o cine­mas pode­ria me dar essa opor­tu­ni­dade , gos­tei muito do seu blog , mais tenho duvi­das se estou no cami­nho certo , e por isso gos­ta­ria muito que me res­pon­desse , me dizendo se estou no cami­nho certo .
    Eu agra­deço desde já .

    • João Nunes
      Publicado 29/07/2011 às 17:33 | Link

      Cara Jane, só você pode saber se está no cami­nho certo. Mas pelo que li na sua men­sa­gem des­con­fio que sim, que a escrita faz e fará sem­pre parte da sua vida.
      Se sente real­mente esse impulso de escre­ver, e se isso lhe dá a satis­fa­ção que refere, então deve con­ti­nuar a fazê-​​lo, sem­pre e cada vez mais. A escrita tam­bém se aprende com a prá­tica, a insis­tên­cia, o aper­fei­ço­a­mento — para escre­ver melhor é pre­ciso escre­ver mais.
      Outra coisa — se real­mente vê um filme a pas­sar na sua cabeça enquanto escreve, então tem o mais impor­tante para ser argu­men­tista, para escre­ver para cinema. É isso mesmo que temos que fazer — ver as ima­gens de um filme na nossa cabeça, e descrevê-​​las no papel. O resto tam­bém vem com a prá­tica, com a apren­di­za­gem de uma téc­nica. Mas o mais impor­tante já está aí.
      Leia muito — mui­tos livros, mui­tos guiões. Estude a téc­nica da escrita, de romance e de guião. E escreva muito, muito, muito. Tudo se resume a isto.
      Quando tiver o seu pri­meiro livro publi­cado, ou o seu pri­meiro filme pro­du­zido, escreva-​​me uma men­sa­gem. Vou ficar feliz por si.
      Entre­tanto, boas escritas.

  21. kauan thott
    Publicado 02/02/2012 às 22:18 | Link

    JOÃO, gos­tei muito da sua ultima res­posta á Jhane. Ela des­ce­veu o mesmo que ai escre­ver a vc, a sua res­posta a ela ser­vio para mim tam­bem. obri­gado!! estou gos­tando muito do seu site.

2 Trackbacks

  1. […] uma intro­du­ção ao sig­ni­fi­cado e uti­li­za­ção des­tes ele­men­tos, sugiro este artigo do meu Curso de […]

  2. […] peque­nas vari­a­ções, este é o for­mato certo para escre­ver para cinema, em Por­tu­gal ou em qual­quer outra parte do […]

Publicar Comentário

O seu endereço de e-mail nunca será publicado ou partilhado. Campos obrigatórios marcados com *

*
*

Pode usar as seguintes tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Informe-me de novos comentários por email