Um exemplo prático
Como vimos antes, um guião representa muitas coisas diferentes, para muitas pessoas. Agora está na hora de vermos na prática o que essas pessoas vão encontrar nas suas páginas.
Para isso, o melhor é dar um exemplo de uma cena retirada de um guião real, que foi escrito, financiado, produzido e mostrado ao público. Fui buscar esta cena à versão final do guião do filme “A Selva“[1], de 2003. Pode ver a formatação original baixando o guião A Selva (795), em formato .pdf.
EXT. RUA DO ARMAZÉM — DIA
ALBERTO e FIRMINO, no exterior do armazém, preparam-se para entrar na mata. Ajeitam os apetrechos às costas. O guarda-livros e gerente da propriedade, GUERREIRO, sai do armazém. É um homem de 50 anos, magro e um pouco encurvado, vestido com sobriedade.
Vem acompanhado por D. Yáyá, 35 anos, a sua mulher. É a mesma que Alberto viu na janela da casa grande e a sua beleza é realmente admirável.
Alberto olha para D. Yáyá. A mulher também repara nele. Com o seu fato, gravata e sapatos de verniz, o português destaca-se no meio dos restantes trabalhadores.
FIRMINO
Tenha cuidado, moço. Aqui todas as mulheres têm dono.
Alberto continua a acompanhar a senhora com o olhar.
FIRMINO
Esse aí é o sr. Guerreiro, o gerente aqui do seringal. A mulher é Dona Yáyá.
ALBERTO
E uma bela mulher, por sinal.
FIRMINO
É sim, mas não é para o nosso bico…
(começando a andar)
Vamos andando que a caminhada é longa.
Alberto, que tem um SACO DE SERAPILHEIRA às costas, e a MALA DE COURO numa das mãos, encara a trilha à sua frente: um caminho cujo começo mal se percebe, rasgando uma selva imponente, imensa, perigosa. Os dois homens iniciam a caminhada em direcção ao acampamento.
CORTA PARA:
Este exemplo ilustra bem o que podemos encontrar nas páginas de um guião. Em termos da sua situação na história, é uma cena que, de certa forma, marca o final do 1º acto do filme[2].
Para situarmos a cena no contexto da história, basta saber que Alberto é um jovem monárquico refugiado no Brasil depois da instauração da República em Portugal. De Belém, onde vivia à conta de um tio, viaja até um seringal no meio da Amazónia. Aí descobre à sua espera a labuta difícil e perigosa dos operários da borracha — os seringueiros. Antes de iniciar o trajecto na selva até ao acampamento onde vai trabalhar com o seu novo companheiro Firmino Alberto cruza olhares com D. Yáyá, uma linda mulher com quem mais tarde terá um caso amoroso.
Os componentes do guião
A cena escolhida para este exemplo, que no guião tem o número 39, constitui uma pequena unidade de acção dramática independente, no tempo e local em que decorre, das cenas imediatamente anteriores e posteriores. Tal como as outras cenas, está organizada segundo uma determinada lógica e contém alguns elementos característicos da escrita de guiões, formatados de uma maneira própria[3].
O cabeçalho
Em primeiro lugar tem um cabeçalho próprio, que indica tratar-se de uma cena de exterior — EXT. -, que decorre num determinado local — RUA DO ARMAZÉM — e que se passa numa certa altura — DIA. Estas indicações ajudam o leitor da história a ir compreendendo os seus sucessivos passos e, sobretudo, são essenciais para quem vai orçamentar e planificar a produção do filme.
A descrição
Ao cabeçalho segue-se sempre uma descrição da situação e das acções dos personagens envolvidos na cena. Esta pode ocupar um ou vários parágrafos e deve ser o mais clara possível, mas também envolvente e evocativa: …um caminho cujo começo mal se percebe, rasgando uma selva imponente, imensa, perigosa.
Estas descrições têm de limitar-se ao que é possível ver ou ouvir. Devemos evitar todas as introspecções que tentem explicar o que vai na cabeça dos personagens. Esse recurso à introspecção, que faz a riqueza da literatura, só pode ser usado em cinema recorrendo à V.O. ou a outros truques do género. Essas técnicas por vezes funcionam, mas normalmente são apenas muletas para um guião coxo que não nos consegue fazer entender os personagens de outra forma.
Os personagens
Num guião os personagens são definidos pelo que fazem e dizem, não pelo que pensam, imaginam, sonham ou temem. Assim, como regra geral, devemos limitar-nos a descrever apenas aquilo que pode ser gravado e filmado. Quando um personagem aparece pela primeira vez no guião, é importante ser acompanhado de uma breve descrição das suas características: O guarda-livros e gerente da propriedade, GUERREIRO, sai do armazém. É um homem de 50 anos, magro e um pouco encurvado, vestido com sobriedade.
Além disso, sempre que um personagem é introduzido pela primeira vez no guião, o seu nome deve também ser escrito em maiúsculas[4]: ALBERTO e FIRMINO, no exterior do armazém… Finalmente, o nome do personagem que fala aparece sempre destacado antes das suas falas, de forma a identificar sem engano quem diz o quê.
Os diálogos
Além da descrição das acções e acontecimentos de uma cena, é fundamental escrever os diálogos dos personagens que nela intervêem. Como se pode ver no exemplo, isso faz-se destacando o nome do personagem num parágrafo à parte, mais recuado e em maiúsculas, seguido por um bloco de texto com a sua fala. Os diálogos podem suceder-se, intercalando um personagem com outro, ou podem ser interrompidos por novos parágrafos de descrição da acção, quando assim se justifique.
Parênteses
A fala de um personagem também pode ser antecedida por ou intercalada com comentários entre parênteses: por exemplo, (começando a andar). Estes, contudo, devem ser usados com moderação, e só quando não haja outra maneira de passar a mesma informação.
As transições
As transições são instruções escritas no fim da cena, onde se indica a forma de passar para a cena seguinte. Por exemplo, CORTA PARA:, DISSOLVE ou FADE OUT. Hoje em dia é normal o guionista não se preocupar com a indicação das transições, a não ser que queira sugerir um determinado efeito de montagem. Mesmo nesse caso, a decisão final sobre a transição a usar será sempre da responsabilidade do realizador e do editor do filme. No caso concreto desta cena, eu acrescentei a transição apenas para efeitos do exemplo, porque no guião original ela nem sequer está lá[5].
Outras indicações
Olhando para o exemplo apresentado, podemos ver que algumas palavras aparecem em maiúsculas: SACO DE SERAPILHEIRA e MALA DE COURO. São indicações destinadas a chamar a atenção do leitor (e dos técnicos da equipa de produção) para algum elemento considerado especialmente importante. É o caso, por exemplo, de adereços especiais, como aqui, e também de sons, efeitos especiais, veículos de cena, etc. Uma vez mais, é um recurso para usar com moderação — se tudo for importante, tudo deixa de o ser.
Podemos também ver que nesta cena não há nenhuma indicação técnica de realização. Os guionistas principiantes costumam pecar por encher as suas descrições com travellings, panorâmicas, close ups e outros termos técnicos. Mas hoje considera-se desnecessário dar indicações concretas sobre movimentos de câmara, efeitos de lentes, etc. Além dessas opções serem da responsabilidade do realizador e do director de fotografia, a sua inclusão no guião torna-o mais complicado e aborrecido de ler. Contudo, há maneiras do guionista influenciar a realização do filme sem o dar a entender. Vamos vê-las em artigos futuros dedicados à s técnicas de escrita.
Se quiser um modelo do word que lhe permite formatar correctamente os seus guiões, pode usar um template que eu criei. Contacte-me aqui e terei todo o gosto em enviá-lo para si. (Actualização: Terei todo o prazer em continuar a enviar o modelo de guião que criei, mas sugiro que em vez disso experimentem o software CeltX. É gratuito, está disponível para Mac, PC e Unix, tem muitas mais possibilidades e permite exportar para formato compatível com o Word.)
Agora que já temos uma ideia um pouco mais concreta do que é um guião/argumento/roteiro, podemos passar a analisar o processo da sua criação. E tudo começa com uma ideia, como poderemos ver no próximo artigo. Mas, antes disso, sugiro-lhe um pequeno exercício.
Exercício
Numa boa livraria, na internet ou através dos seus contactos na nossa pequena indústria do cinema, arranje o guião de um filme que tenha sido produzido. Leia-o tomando em atenção os aspectos acima descritos. Se conseguir arranjar o DVD desse filme, ainda melhor. Tente identificar as cenas do guião com as do filme, e ver as diferenças.
Notas de Rodapé
- “A Selva” — guião de Izaías Almada e João Nunes, adaptado da obra homónina de Ferreira de Castro. Produção de Paulo Trancoso/Costa do Castelo Filmes. Realização de Leonel Vieira. Está editado em DVD.[↩]
- mais à frente, num artigo sobre Estrutura, veremos o que é esta coisa dos actos[↩]
- Para a formatação dos exemplos estou a usar CSS adaptado do que é usado no excelente site do guionista americano John August.[↩]
- Há quem prefira capitalizar os nomes apenas da primeira vez que aparecem no guião, e quem o faça quando aparecem em cada cena. Eu era adepto da segunda opção, mas nos guiões mais recentes mudei para a primeira.[↩]
- Há outra razão para evitar as transições — roubam muito espaço. Num guião muito extenso, com muitas cenas (como era o caso deste) poupam-se algumas páginas se não se colocarem essas indicações. O filme não fica mais curto, mas parece.[↩]
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{ 22 comments… read them below or add one }
Caro amigo:
Em Português escreve-se “as personagens”, e não “os personagens”; tal como não se diz “os garagens” nem “os vagens”. Isso é uma influência do Brasil que assimilaram do Inglês.
Um abraço e continue.
Teixeira Moita
Desculpe lá! Em Português, para cinema, chamam-se “os personagens”, para literatura, “as personagens”.
Caro amigo
agradeço a sua correcção, mas remeto-o para o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, que apresenta “personagem, s. m. ou f.”, na página 2836. Idem no Dicioná¡rio da Língua Portuguesa da Porto Editora (página 1272) e, evidentemente, no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (página 2196).
Penso poder assim dizer-se, em português correcto de Portugal ou de outro lado qualquer, “o personagem”, da mesma forma como se diz “o selvagem”.
Os melhores cumprimentos
João Nunes
Gosto imenso da sua explicação para um guião… Gostava de deixar bem claro também que concordo consigo em tudo o que escreve.
um abraço,
Jesualdo.
Financiai-me um filme, falo-ei mais rico que o presidente do Real Madrid
Olá Bom dia,
Descobri o seu site por puro acaso, para quem acredita neles, quando decidi pedir socorro ao Google para me encontrar uma alma caridosa, que me ajudasse com as minhas notas, que têm já alguns anitos e, das quais pretendo fezer um guão… E aí está você!
As suas notas, têm sido bastante úteis nestes 3 dias. Comecei já a recuperar tudo o que tenho e… não, e não! Mas… mas ainda não consegui ler mais do que uma folha (frente e verso). É que escrevi algumas delas a 3 anos e faz-me confusão, como aquelas personagens e situações saíram para fora…
Mas tudo bem, eu chego lá. AContece que com a sua ajuda percebi, finalmente, que o precesso é assim mesmo. Eu provavelmente tenho apanhado umas quantas histórias da vida quotidiana (as tais que poderão ser uma 6 por dia eh eh eh!) sem me aperceber… Vou dedicar-me com maior afinco e disciplina e, espero modestamente que o João continue por perto para me ir dando umas dicas, ok?
Para já vou terminar a leitura do curso sobre a escrita do guião, e enquanto isso passando o olho ás minhas próprias notas… depois se achar que existe ali alguma coisa, dedicar-me-ei a elas, caso contrário estarei atenta ao meu mundo… e aos dos claro (risos).
Ah! Como teve a gentileza de disponibilizar o guião da selva, vou comprar o DVD… depois conto o que achei.
Obrigada por tudo
Ana Sofia
Caro Srº:
Agradeço-lhe o site,que me foi de grande valia e de uma simplicidade “Brilhante”.Gostaria de iniciar-me nestas andanças,mas estava um pouco perdida.Agora encontrada tentarei pôr em prática as suas dicas e iniciar o Guião que sempre desejei,desde de muito Criança.
Caro amigo,
Foi com muita satisfação que descobri este site. Sempre me interessou a escrita, principalmente, de romances. Dada a dificuldade, no nosso país, em publicarmos uma obra nossa, pelo menos se formos desconhecidos, comecei a interessar-me por guinismo. Sempre adorei o cinema, razão até, acredito, me fez gostar tanto de escrever e isso, levou-me a procurar artigos sobre a matéria. Numa visita á FNAC, encontrei um livro muito interessante, de um argumentista e professor brasileiro, Doc Comparato, por sinal, o primeiro e único livro sobre o assunto em questão. É bastante completo, e que sugiro a todos os que se interessem pela matéria. Um abraço e votos de uma longa vida para este site!!!
caro amigo joaquim carvalho nao seria possivel a publicacao desse tesouro para pobres mortais como eu que nao acho esse livro por nada no mundo
Também descobri este site por acaso, pois tive uma ideia para um filme e tem ajudado muito na construção do guiao.
Obrigado
Caro João, muito legal suas dicas para quem não sabe nada sobre o assunto e pensa ter uma boa idéia para um filme. Na verdade, penso que todos compartilham da mesma opinião: se tantos filmes ruins são produzidos, mesmo que por diretores de renome, por que não podemos nos aventurar a escrever um. Abraços desde esta costa oposta.
Obs. compartilho da sua opinião sobre “o personagem”.
Fiquei muito feliz ao descobrir esse site , tem me inspirado a iniciar um projeto de roteiro do meu primeiro curta metragem, com certeza aprenderei muito aqui.
Sou brasileiro e adorei o seu site. Já era apaixonado pelo romance a Selva há muitos anos e gostei demais do filme, e isso foi o que me atraiu à sua página, recuperando o sonho de escrever um roteiro.
Obrigado
Washington
Sou brasileiro também e saiba, meu caro, que seu site e suas dicas estão sendo de uma serventia enorme!
Muito obrigado MESMO. Já adquiri alguns livros sobre roteiro, mas seus textos são de longe muito mais eficientes.
Um grande abraço!
Eu concordo com Elienai, também tenho um livro para roteiro, mas nenhuma explicação foi tão direta e atual que me dispusesse desde já a roteirizar no Celtx (programa abençoado) textos escritos anteriormente em outras formas.
Parabéns pela boa vontade, responsabilidade e afinco ao qual tem exercido influência definitiva nos seus alunos auto didatas espalhados pela net.
Att, GJSN7. Rio.
Olá.
o que é o V.O. que você menciona? Não entendi.
obrigada,
Aline.
Quer dizer Voice Over, ou seja, a voz de um personagem que não está fisicamente na cena. Por exemplo, a voz do protagonista recordando uma cena no passado, ouvindo-se sobre essa cena, ou quando um personagem está a ler uma carta e ouvimos as palavras pela voz de quem a escreveu.
Não confundir com (O.S.) que quer dizer Of Screen, e é a voz de um personagem que está na cena mas não é visível no momento em que fala. Por exemplo, porque está fora do campo de visão. ou atrás de uma porta.
Em Portugal (não sei se no Brasil também é assim) usa-se muitas vezes (OFF) tanto numa como noutra situação, para simplificar.
Nossa João! Muito obrigada!!!! Não sabe como estou gostanto do seu site!
Quando eu descobrir se o termo é usado aqui no Brasil, eu comunico. Vou fazer mais uma pergunta: como indico a voz de um narrador?
Beijos,
Aline
A voz de um narrador é um caso típico de (V.O.). Pode aparecer como NARRADOR (V.O.), ou, mais frequentemente, como MANUEL (V.O.), caso o Manuel seja um personagem que já apareceu ou vai aparecer no guião.
Boas escritas.
Olá, João, que bom que você continua disposto a dividir conosco seus conhecimentos! Não sou propriamente uma principiante, pois já tenho roteiros publicados e há 2 semanas eu e a minha micro equipe vencemos o concurso Mesa de Bar (da Bossal Produtora) na categoria Trailer, roteiro meu. O curta agora está sendo editado completo e traduzido para inglês, espanhol e japonês para concorrermos a outros concursos e há uma sequência completa que escreví visando o Festival de um minuto
Agradeço a você e ao Doc Comparato as nossas vitórias, vocês dois são as minhas fontes seguras de conhecimentos prático, fundamentado e atualizado. Foi na turma do Doc que encontrei meus parceiros de equipe mas já o conhecia antes e mantemos contato constante aqui no Rio. Por isto, quero dizer aos colegas de comentários que o novo livro do Doc já está desde outubro nas livrarias e que há sim, uma boa bibliografia brasileira sobre o assunto “roteiro”.
Gostaria de colaborar com duas observações: ao sistematizar a formatação dos meus roteiros da forma que você ensina, aconteceu que: 1) Produtoras e minha própria equipe me pediram para numerar as sequências para efeito de maior objetividade na localização da ação e na fase de pré-produção (decupagem); 2) Produtoras me pediram que não escreva nada mais no roteiro além da ação propriamente dita, deixando para a sinopse aqueles detalhes que você sugere).
Adotei a numeração mas ao participar da grande mesa redonda para fazer a primeira leitura do roteiro com os atores e a equipe reunidos, percebí que ninguém lia sinopses, apenas o argumento e o perfil dos personagens.
Conclusão: continuarei a fazer exatamente como você ensina só retirando detalhes do perfil dos personagens pois aqui até que o lêem.
um grande abraço
João, nesta segunda aula do teu curso básico eu gostaria de tirar uma dúvida que tenho. Tu falas muito de Guião e o modelo apresentado na lição não apresenta os emquadramentos, ou seja, apenas descreve as cenas, mas não se sabe como isso será apresentado na tela. Perguntas: Esse trabalho (de definir os enquadramentos) é do guionista? Aí em Portugal chama-se Guião Técnico ou Guião Decupado, ou outro nome? Obrigado.
Richardson,
Os “enquadramentos” a que se refere são os planos, ou seja, a forma como a acção será visualizada pelo espectador. Essa tarefa compete ao realizador. O produto final, tal como o vemos, é fruto da interpretação do guião, por parte da pessoa que dirige o projecto. Ao realizador pede-se que transforme as palavras de um guião em imagens.
Essa tarefa nunca compete ao guionista, a não ser que ele próprio seja também o realizador do filme. Apesar de não ser muito comum acumular estas duas tarefas, há inúmeros exemplos de realizadores/autores. Woody Allen, Pedro Almodóvar, Christopher Nolan, apenas para citar alguns.
Neste caso, do autor/realizador, faz sentido que o guião possa conter, logo numa primeira fase, indicações técnicas. Normalmente porque quando escreve, a pessoa já está a visualizar o modo como as cenas poderão ser feitas. Caso contrário, não é aconselhável que um guionista entregue um guião com este tipo de indicação, pois estará a interferir com a função do realizador e com a sua criatividade, e isto pode causar problemas.
O guião do filme “A Selva” foi co-escrito pelo João Nunes e realizado pelo Leonel Vieira. Logo, suponho que o excerto de guião que o João aqui apresenta não contém indicações de planos pelos motivos que já referi.
O guião técnico contém todas as indicações que envolvem a produção do fime (planos, luz, som, adereços) e que são necessárias para a sua realização. Neste caso, o guião passa pelas mãos de vários elementos da equipa, desde o realizador, ao produtor, director de fotografia, operador de câmara, etc, antes de ser fechado.
Cumprimentos
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