Grandes Diálogos: When Harry met Sally

When Harry Met Sally, que em Portugal se chamou Um Amor Inevitável e no Brasil Harry e Sally: Feitos Um Para o Outro, é uma comédia romântica de 1990 que contém alguns dos diálogos de cinema mais divertidos de sempre.

Foi escrita por Nora Ephron, uma extraordinária escritora e realizadora americana, que tem lugar em qualquer top ten dos melhores guionistas de Hollywood.

O filme contribuiu muito para transformar Meg Ryan, a Sally do título, na namoradinha da América, posição que ocupou durante muitos anos. É também, ainda hoje, uma das melhores interpretações de Billy Crystal, no papel do irritante Harry.

Já usei o guião de When Harry Met Sally como exemplo num artigo sobre a escrita de diálogos paralelos. Mas hoje quero destacar uma outra cena, possivelmente a mais famosa do filme – a cena do orgasmo.

A cena de hoje surge nas páginas 57 e 58, pouco antes do meio do guião, funcionando quase como um prólogo para o momento chave em que Harry e Sally se beijam pela primeira vez. Nunca é demais destacar a importância do ponto médio num bom argumento, que esta sequência de cenas demonstra muito bem.

Não traduzi o diálogo completo, concentrando-me apenas na parte final e mais memorável[1].

Curiosamente, no guião original disponível na net, falta a deixa final da Cliente Mais Velha, que é uma das punchlines mais engraçadas alguma vez escritas. Provavelmente estaria numa página adicional, que quem disponibilizou este guião se esqueceu de digitalizar. Obviamente, mantive essa deixa nesta tradução.

INT. CARNEGIE DELICATESSEN – DIA

Harry e Sally estão prestes a comer grandes sanduíches de mortadela.

(...)

HARRY

Acho que elas têm um tempo OK.

SALLY

Como é que sabes?

HARRY

O que é que isso quer dizer, como é que eu sei? Sei.

SALLY

Porque elas...?

(faz um gesto com as mãos)

HARRY

Sim, porque elas...

(repete o mesmo gesto)

SALLY

E como é que sabes que elas realmente...?

(faz o mesmo gesto)

HARRY

O que é que queres dizer, que elas fingem o orgasmo?

SALLY

É uma possibilidade.

HARRY

Pára com isso.

SALLY

Porquê? Todas as mulheres, num momento ou noutro, já fingiram.

HARRY

Sim, tá certo, mas comigo nunca fingiram, OK?

SALLY

Como é que sabes?

HARRY

Porque sei.

SALLY

Ah, pois, esqueci-me. És um homem.

HARRY

O que é que isso significa?

SALLY

Nada. É só que todos os homens têm a certeza que nunca aconteceu com eles e todas as mulheres já o fizeram uma vez ou outra. Faz as contas.

HARRY

Achas que eu não sei ver a diferença?

SALLY

Acho.

HARRY

Vá lá. Não sejas ridícula.

Sally limita-se a olhar Harry intensamente. Uma expressão sedutora surge no seu rosto. Dá uma risadinha que lentamente se vai transformando num orgasmo selvagem.

SALLY

Ai, ai, ai.

HARRY

Estás bem?

SALLY

Ai meu Deus, ai meu Deus, ai sim, ai Deus, isso, sim, estou-me a vir, ai – sim, sim, sim! Deus, ai mor, mor, aimeudeus, mor, ai Deus, ai meu Deus, ai Deus, Deus. Obrigado.

Sally termina, dá outra dentada na sua sanduíche. Sorri inocentemente.

FIXO em Harry, em estado de choque. E nos outros clientes e empregados, que não puderam deixar de ouvir a interpretação de Sally.

CLIENTE MAIS VELHA

(para uma empregada próxima)

Quero o mesmo que ela.

Veja o trailer:

Notas de Rodapé

  1. Como sempre, a tradução é da minha responsabilidade.[]
Grandes Diálogos: When Harry met Sally

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João Nunes

João Nunes é um autor, guionista e storyteller que gosta de ajudar os outros a contar as suas próprias estórias. Divide o seu tempo entre Angola, Brasil e Portugal e já escreveu mais de 3500 páginas de guiões produzidos de curtas e longas metragens, telefilmes e séries de televisão.